acordei com estes à flor da pele: Heberto Hélder - Philip Roth - José Mário Branco
coisinha vulgar e habitual
bom dia
sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
Mostrar mensagens com a etiqueta Philip Roth. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Philip Roth. Mostrar todas as mensagens
eu hoje acordei assim (tradução rápida: acordei com "cold feet")

As parvoíces em que temos de nos meter para chegarmos onde temos de chegar, a extensão dos erros que precisamos de fazer! Se nos informassem antecipadamente de todos os erros, diríamos não, não posso fazer isso, têm de arranjar outro qualquer, eu sou demasiado esperto para fazer essas asneiras. E responder-nos-iam, nós temos confiança, não te preocupes, e nós responderíamos não, nada feito, precisam de um schmuck muito maior do que eu, mas eles repetiriam que têm confiança que somos a pessoa indicada, de que evoluiremos para um schmuck colossal mais conscienciosamente do que podemos começar sequer a imaginar, de que cometeremos os erros numa escala que nem podemos sonhar agora: porque não existe nenhuma outra maneira de atingir o fim.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
imagem: still dessa maravilha da natureza que é o Johnny Deep no filme Dead Man de Jim Jarmusch...
replay de post
Dinâmica de leitura
#1 estado - garganta entupida no silêncio
#2 novidade - marcação de páginas com fins profissionais
#3 consequência - revisitar o medo mal-guardado
#4 confirmação - autor com lugar de primazia na minha biblioteca
#5 gratidão - gratidão
#6 apontar no bloco de notas - requisitar versão em português para transcrição de excertos
#2 novidade - marcação de páginas com fins profissionais
#3 consequência - revisitar o medo mal-guardado
#4 confirmação - autor com lugar de primazia na minha biblioteca
#5 gratidão - gratidão
#6 apontar no bloco de notas - requisitar versão em português para transcrição de excertos

(the last but not the least)
este bando selecto de 77 000 000 000 de idiotas de primeira apanha
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
Sorvendo a borra da sua própria chávena, Sabbath levantou finalmente o olhar do submerso erro crasso que era o seu passado. Por acaso o presente também estava em curso, construído dia e noite como os navio-transporte de tropas em Perth Amboy durante a guerra, o venerável presente que recua até à Antiguidade e prossegue a direito da Renascença até hoje – era a esse presente sempre-a-começar e interminável que Sabbath renunciava. Acha repugnante a sua inexauribilidade. Só por isso devia morrer. E depois, que importa que tenha levado uma vida estúpida? Qualquer pessoa com alguma inteligência sabe que está a levar uma vida estúpida mesmo enquanto está a levá-la. Qualquer pessoa com alguma inteligência compreende que está destinada a levar uma vida estúpida porque não há outra espécie de vida. Não existe nada de pessoal nisso. No entanto, lágrimas infantis marejam os seus olhos quando Mickey Sabbath – sim o Mickey Sabbath, daquele bando selecto de setenta e sete mil milhões de idiotas de primeira apanha que constituem a história humana – diz adeus à sua unicidade com um meio entaramelado e profundamente dolorido «Quem liga a mínima?».
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
(curtas de Mickey Sabbath)
Imaginem então a história do mundo. Somos desmesurados porque a dor é desmesurada, tantas centenas e milhares de géneros de dor.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
dilúvio de sentimento genuíno
(…) e Sabbath deitou-se sobre a campa e soluçou como não tinha podido fazer no funeral.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
Agora que ela desaparecera para sempre parecia-lhe incrível que, nem mesmo quando tinha sido o amante muito louco e enrabichado, antes de Drenka se ter tornado um absorvente passatempo para se divertir com ela, foder com ela, conspirar e tramar com ela, parecia-lhe incrível que nem mesmo então tivesse pensado em trocar a torturante chatice de uma Roseanna alcoólica e assexuada para casar com alguém cuja afinidade com ele não tinha paralelo com a de qualquer outra que conhecera fora de um bordel. Uma mulher convencional capaz de fazer tudo. Uma mulher respeitável suficientemente guerreira para contrapor à dele a sua audácia. (...) E ele nunca fizera a mínima ideia disso. Nunca, em treze anos, se cansara de olhar pela sua blusa abaixo ou pela sua saia acima, e mesmo assim nunca fizera a mínima ideia!
Agora esse pensamento arrasou-o. Ninguém acreditaria que o escandaloso conspurcador da cidade, o porcalhão do Sabbath, fosse capaz de um tal dilúvio de sentimento genuíno.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
2000
(curtas de Mickey Sabbath)
Porra, acontecia sempre alguma coisa para levar as pessoas a continuarem a viver!
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
A fronteira
«Mais», rogara, «mais», mas por fim ele caiu para trás com uma colossal dor de cabeça e disse-lhe que não podia continuar a arriscar a vida. Tinha-se sentado pesadamente, pálido, a transpirar e ofegante, enquanto ela prosseguia sozinha a sua demanda. Nunca tinha visto nada assim. É como se estivesse a lutar contra o Destino, ou com Deus, ou com a Morte, pensara; como se, se conseguir ultrapassar mais uma, nada nem ninguém a possa deter de novo. Parecia encontrar-se numa espécie de estado de transição entre mulher e deusa e ele teve a estranha sensação de ver alguém a deixar este mundo. Ela estava prestes a elevar-se, a elevar-se mais e mais, tremendo eternamente no supremo frémito delirante, mas em vez disso alguma coisa a deteve e um ano depois estava morta.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

Dead Girl de Egon Schiele
1910
(curtas de Mickey Sabbath)
Não, a vida humana não pode ser extinta. Ninguém seria capaz de inventar nada parecido, outra vez.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
entretenimento

Eram inumeráveis todos os grandes pensamentos que não entendera; o que ele não tinha para dizer acerca do significado da sua vida era um poço sem fundo. E uma coisa divertida é supérflua – o suicídio é divertido. Não são muitos os que têm consciência disso. Não é instigado pelo desespero ou pela vingança, não nasce da loucura, ou da amargura, ou da humilhação, não é um homicídio camuflado ou uma demonstração grandiosa de auto-abominação: é o retoque final da anedota em voga. Ele considerar-se-ia um falhado ainda maior se se apagasse de qualquer outro modo. Para alguém que adora uma piada, o suicídio é indispensável. Para um fantocheiro, especialmente, não há nada mais natural; desaparecer atrás do biombo, enfiar a mão e, em vez de actuar como ele próprio, acabar como o fantoche. Pensem nisso. Não há nenhuma outra maneira mais absolutamente divertida de partir. Um homem que quer morrer. Um ser vivo que escolhe a morte. Isso é entretenimento.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
Attempted suicide machine de Makato Aida
2001
(curtas de Mickey Sabbath)
A incapacidade de morrer. Ir ficando, em vez disso. Este pensamento excitou intensamente Sabbath: a perversa insensatez de permanecer, de não ir.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
Mickey Sabbath, esse schmuck colossal

As parvoíces em que temos de nos meter para chegarmos onde temos de chegar, a extensão dos erros que precisamos de fazer! Se nos informassem antecipadamente de todos os erros, diríamos não, não posso fazer isso, têm de arranjar outro qualquer, eu sou demasiado esperto para fazer essas asneiras. E responder-nos-iam, nós temos confiança, não te preocupes, e nós responderíamos não, nada feito, precisam de um schmuck muito maior do que eu, mas eles repetiriam que têm confiança que somos a pessoa indicada, de que evoluiremos para um schmuck colossal mais conscienciosamente do que podemos começar sequer a imaginar, de que cometeremos os erros numa escala que nem podemos sonhar agora: porque não existe nenhuma outra maneira de atingir o fim.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
imagem: still dessa maravilha da natureza que é o Johnny Deep no filme Dead Man de Jim Jarmusch... memória reavivada n'A Natureza do Mal
(curtas de Mickey Sabbath)
E não era capaz de o fazer. Não podia morrer, porra. Como podia partir? Como podia ir-se embora? Tudo quanto odiava estava ali.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
o sentido da vida

Estranho. A única coisa em que pensas é que ela morreu. Isso até se aplica aos mortos. Eu aqui em cima, na claridade e no quente e, quilhado como estou, com cinco sentidos, um cérebro e oito tipos de compotas – e os mortos mortos. A realidade imediata está do lado de fora daquela janela; é tão grande, é tanta, tudo enredado em tudo o mais… que grande pensamento se esforça Sabbath por exprimir? Está a perguntar: «Que aconteceu à minha própria vida genuína?» Estaria a ser vivida noutro lugar? Mas nesse caso como é possível olhar para fora desta janela seja tão colossalmente real? Bem, essa é a diferença entre o verdadeiro e o real. Nós não chegamos a viver na verdade. Foi por isso que Nikki fugiu. Era uma idealista, uma comovedora, inocente e talentosa ilusionista que queria viver na verdade. Bem, se a encontraste, miúda, foste a primeira. De acordo com a minha experiência, o sentido da vida vai na direcção da incoerência – precisamente o que nunca quiseste enfrentar. Talvez essa tenha sido a única coisa coerente que te ocorreu fazer: morrer para recusares a incoerência.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
fotografia de Carlos Veríssimo
(boas noites) (curtas de Mickey Sabbath)
O excesso desenfreado não conhece limites em si, mas eu padeço de uma grave predilecção por não arruinar a minha vida.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000
mamas [ e aniversário ]
- Qual é a sua altura quando se endireita?
- Quase um metro e setenta e cinco. Mas é difícil uma pessoa erguer-se, direita, quando está no ponto mais baixo da sua vida.
- Também foi difícil quando fez o liceu não apenas com um metro e setenta e cinco, não apenas com um intelecto manifestamente activo, mas ainda por cima com um peito de tábua de engomar.
- Aleluia, um homem compreende-me.
- Não a si. A mamas. Entendo de mamas. Estudo mamas desde os treze anos. Não creio que haja qualquer órgão ou parte do corpo que evidencie tanta variação em tamanho como as mamas das mulheres.
- Eu sei – respondeu Madeleine, que se mostrou de súbito francamente divertida e começou a rir. E a que se deve isso? Porque permitiu Deus essa enorme variação no tamanho dos seios? Não é espantoso? Há mulheres cujos seios têm dez vezes o tamanho dos meus. Ou até mais. Não é verdade?
- É, é verdade.
- Há pessoas com o nariz grande. O meu é pequeno. Mas há alguém com o nariz dez vezes maior do que o meu? Quatro ou cinco vezes, no máximo. Não sei porque fez Deus isto às mulheres.
- Talvez a variação concilie uma vasta variedade de desejos. No entanto – acrescentou, pensando melhor-, os seios, como você lhes chama, não existem fundamentalmente para atrair os homens: existem para alimentar crianças.
- Mas eu não creio que o tamanho tenha que ver com a produção de leite. Não, isso não resolve o problema da serventia dessa enorme variação.
- Talvez Deus não se tenha simplesmente decidido. Isso acontece com frequência.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

- Quase um metro e setenta e cinco. Mas é difícil uma pessoa erguer-se, direita, quando está no ponto mais baixo da sua vida.
- Também foi difícil quando fez o liceu não apenas com um metro e setenta e cinco, não apenas com um intelecto manifestamente activo, mas ainda por cima com um peito de tábua de engomar.
- Aleluia, um homem compreende-me.
- Não a si. A mamas. Entendo de mamas. Estudo mamas desde os treze anos. Não creio que haja qualquer órgão ou parte do corpo que evidencie tanta variação em tamanho como as mamas das mulheres.
- Eu sei – respondeu Madeleine, que se mostrou de súbito francamente divertida e começou a rir. E a que se deve isso? Porque permitiu Deus essa enorme variação no tamanho dos seios? Não é espantoso? Há mulheres cujos seios têm dez vezes o tamanho dos meus. Ou até mais. Não é verdade?
- É, é verdade.
- Há pessoas com o nariz grande. O meu é pequeno. Mas há alguém com o nariz dez vezes maior do que o meu? Quatro ou cinco vezes, no máximo. Não sei porque fez Deus isto às mulheres.
- Talvez a variação concilie uma vasta variedade de desejos. No entanto – acrescentou, pensando melhor-, os seios, como você lhes chama, não existem fundamentalmente para atrair os homens: existem para alimentar crianças.
- Mas eu não creio que o tamanho tenha que ver com a produção de leite. Não, isso não resolve o problema da serventia dessa enorme variação.
- Talvez Deus não se tenha simplesmente decidido. Isso acontece com frequência.
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

aproveito para dar os parabéns ao Manel, a quem surripiei a imagem :P
PARABÉNS, MANEL!!!
FOR HE'S A JOLLY GOODFELLA, FOR HE'S A JOLLY GOOD FELLA!
FOR HE'S A JOLLY GOODFELLA... THAT NOBODY CAN DENY!
WHICH NOBODY CAN DENY, THAT NOBODY CAN DENY!
FOR HE'S A JOLLY GOODFELLA... WHICH NOBODY CAN DENY!!!
FOR HE'S A JOLLY GOODFELLA, FOR HE'S A JOLLY GOOD FELLA!
FOR HE'S A JOLLY GOODFELLA... THAT NOBODY CAN DENY!
WHICH NOBODY CAN DENY, THAT NOBODY CAN DENY!
FOR HE'S A JOLLY GOODFELLA... WHICH NOBODY CAN DENY!!!
fantoche!
A lei da vida: instabilidade. Para cada pensamento um contrapensamento, para cada anseio um contra-anseio. Não admira que um tipo dê em maluco e morra ou decida desaparecer. Anseios a mais, e isso não é sequer um décimo da história. (…) o cérebro de mais ninguém trabalha assim? Não acredito. Isto é um envelhecimento puro e simples, a hilaridade autodestruidora da última montanha-russa. Sabbath encontra o seu igual: a vida. O fantoche és tu. O truão grotesco és tu. Tu és Punch, artolas, o fantoche que brinca com tabus!
in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

imagem do novo look da yorn
mini é sagres
Cá dentro o vento é apenas som. Estou quente, não estou quentinha, estou quente. Não estou aconchegada, pois estou sentada numa das cadeiras da mobília de sala de jantar que os meus pais compraram por altura do seu casamento com o dinheiro que lhes deu um padrinho, ou uma madrinha, não me lembro. A mobília que agora é minha, aquela que nunca mais me ponho a restaurar, qualquer dia as cadeiras partem-se e já não as consigo arranjar sem ter de pagar a quem. Se é que ainda tenham arranjo… O vento é som, afinal não é apenas. Trago as toadas ainda a escaldar, por isso escrevo. Penso muitas vezes: pudesse escrever a trabalhar...; ou trabalhar a escrever... Penso: seria mais feliz. E penso questões: se descobrisse que escrevo pior do que trabalho; se descobrisse que escrevo banalidades entediantes sem escapatória e que o meu desempenho no trabalho se assemelha a essa escrita; penso questões destas. Continuando o ambiente doméstico, informo que de seguida me levanto e dirijo à cozinha para buscar uma mini. Repare-se que, por sorte, acabo de escrever uma escrita sincera como mais não poderia ser. Pois que fica bem dizer “uma mini” ao invés de pura e simplesmente “uma cerveja”, parece-me. E se eu disse que ia buscar uma mini, não foi para dar um ar mais neo-realista à coisa poética, é porque tenho mesmo minis no meu frigorífico! E está mesmo vento lá fora. Cá dentro só se ouve o som, não se sente. Não trouxe amendoins porque não me apetece, pois também tenho amendoins. A bem dizer da verdade, talvez comesse uns quantos, mas não me apetece descascá-los. A mini está geladinha no ponto! Daqui a pouco estrago tudo porque inventei esta estupidez de não fumar dentro de casa. Portanto, daqui a pouco vou rapar frio e finalmente sentir o vento que me vai ajudar a fumar um cigarro. Já volto. Voltei. Ainda trago o diabo das toadas a tremer-me. Há 4 anos que tenho este hábito de escrever coisas que não servem para minha escritura exclusivamente. Há 4 anos que meia dúzia de gatos-pingados se engana e dá por si a ler o que escrevi. Há cerca de 4 anos ouvi pela primeira vez, a sério, o Zé Mário Branco. É verdade. Que é que querem? Que eu diga que andei a dormir? Pois bem, faço melhor, digo: ando a dormir. Não gosto de contrariar as pessoas, depois tenho de discutir os assuntos e isso dá muita maçada, prefiro dar-lhes logo razão, vão embora mais felizes e eu fico sossegada. Graças a mim. Os dias não têm sido amenos, urge continuar a dormir. Hoje, Miro Casabella, JP Simões, José Mário Branco e O Leo i Arremecaghona ajudaram à festa. O gato está outra vez irrequieto, suspeito saber os seus motivos. Há 4 anos que tenho este hábito de escrever coisas que não servem para minha escritura exclusivamente. São experiências, diria. Hoje passei nova revista ao "Teatro de Sabbath" do Philip Roth. Poder-se-á dizer que sou algo repetitiva. Mastigo devagar. E regurgito obstinada e em repetição. Hoje fiz algumas coisas. Um dia destes, não bebo uma mini apenas, bebo duas, de penalti. Talvez me faltem outras vivências. Penso questões: deverei saber o que é a embriaguez. Vou fumar outro cigarro, daqui a 6 horas estou a pegar ao trabalho. Penso nas mulheres que conseguem manter activo o cheiro dos perfumes. E penso numa das minhas maiores convicções, que vem apegada a outra grande convicção: eu gaguejo (convicção nº1); as pessoas que me amam dizem que estou enganada, que não gaguejo "coisa nenhuma" e rematam com "estás tola?" ou "sua pateta" (porque me amam; imagino ser esse o motivo da mentira que julgo encaixar-se na categoria das mentiras piedosas) (convicção nº2); as outras pessoas todas não me dizem nada porque pouco lhes interessa gastar o seu tempo a informar-me (convicção nº3, tinha esquecido que eram 3). Vou fumar o tal cigarro.
This derangement.
![]()
Reclining Nude, Amadeo Modigliani
1919
1919
Attachment creeps in. The eternal problem of attachment. No, not even fucking can stay totally pure and protected. And this is where I fail. The great propagandist for fucking and I can’t do any better than Kenny. Of course there is no purity the kind Kenny dreams of, but there is also no purity of the kind I dream of. When two dogs fuck there appears to be purity. There, we think, is pure fucking, among the beasts. But should we discuss it with them, we would probably find that even among dogs there are, in canine form, these crazy distortions of longing, doting, possessiveness, even of love.
This need. This derangement. Will it never stop? I don’t even know after a while what I’m desperate for. Her tits? Her soul? Her youth? Her simple mind? Maybe it’s worse than that – maybe now that I’m nearing death, I also long secretly not to be free.
in The Dying Animal de Philip Roth
Vintage Books, 2001
This need. This derangement. Will it never stop? I don’t even know after a while what I’m desperate for. Her tits? Her soul? Her youth? Her simple mind? Maybe it’s worse than that – maybe now that I’m nearing death, I also long secretly not to be free.
in The Dying Animal de Philip Roth
Vintage Books, 2001
bodies

Religion was a lie he had recognized early in life, and he found all religions offensive, considered their superstitious folderol meaningless, childish, couldn’t stand the complete unadultness – the baby talk and the righteousness and the sheep, the avid believers. No hocus-pocus about death and God or obsolete fantasies of heaven for him. There was only our bodies, born to live and die on terms decided by the bodies that had lived and died before us. If he could be said to have located a philosophical niche for himself, that was it – he’d come upon it early and intuitively, and however elemental, that was the whole of it. Should he ever write an autobiography, he’d call it The Life and Death of a Male Body.
in Everyman, Philip Roth
photo de Sandra Ferrás
Subscrever:
Mensagens (Atom)

