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Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny
in Pena Capital
Assírio & Alvim, 1957
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
Mário Cesariny
in Pena Capital
Assírio & Alvim, 1957
2.
tombo as carnes – sinto-as escorrer dos ossos
e o mar ressoa na minha cabeça como uma imensidão
de noites: Ah, as noites pétreas e pesadas
que impossíveis nuvens não sustentam
e dunas que dormem à noite ao luar
quando gostaria de anunciar a vaga toda
que rompe dentro de mim violenta
como todas as vagas, mesmo as mansas
e brandas que trazem a persistência da erosão.
Carlos Veríssimo
A fuga do peixe melancólico
edição de autor, 2012
e o mar ressoa na minha cabeça como uma imensidão
de noites: Ah, as noites pétreas e pesadas
que impossíveis nuvens não sustentam
e dunas que dormem à noite ao luar
quando gostaria de anunciar a vaga toda
que rompe dentro de mim violenta
como todas as vagas, mesmo as mansas
e brandas que trazem a persistência da erosão.
Carlos Veríssimo
A fuga do peixe melancólico
edição de autor, 2012
A matéria das palavras [às portas de (mais) um novo dia]
Estamos aqui. Interrogamos símbolos persistentes.
É a hora do infinito desacerto-acerto.
O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.
Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguês de luto em nossos actos-chaves.
Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.
Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.
Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma
perfeição
especialista em fracassos.
Estrangeiros sempre
agudamente colhemos os frutos discordantes.
Ana Hatherly
Pavão Negro
Assírio & Alvim, 2003
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