sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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vês o que acontece se tento aproximar-me da poesia?



Nudez

A pressa
com que te despes

Nem na alma te apetece
qualquer veste

A pressa
com que te despes

Até da carne e da pele
se pudesses


David Mourão-Ferreira

modelito para o fim de semana

via Clube Literário do Porto
a banda sonora poderia ser con toda palabra da Lhasa e o filme The Pillow Book*

* que nunca vi mas enfim

[ o abismo que me dói nos cardos deste sol de morte viva ]

Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
(O soneto que só errado ficou certo)




Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.


Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guia
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.


Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.


Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva




José Gomes Ferreira


via quem?... lebre, obviamente

E Se Eu Não Te Amar Mais



Se eu não te amar mais me
Caia o mar nos ombros
Me caia
Este silêncio pelos ossos dentro
Me cegue os olhos esta sombra
Me cerre
Esta noite num escuro mais profundo
Do que a chuva de ti de mãos tão leves
A figueira do meu sangue se emudeça
De pássaros à espera dos teus passos
De outra voz por sobre a minha
Morta
E as ruas do teu corpo eu desaprenda
Como desaprendi os dedos que me tocam
E se eu não te amar mais me caia a casa
De costa no teu peito como o vento.



Vitorino
Composição: António Lobo Antunes