sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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desenvolvimento de lista de coisas sobre este Verão
Dei por mim inundada. Estou submersa e sem alagar. No dia de hoje a minha cabeça... sinto-a amorfa. Não faz mal, escrevo então, sem lamúrias. “Hei-de continuar” seria a expressão mais obtusa que eu poderia proferir.
Desenvolvo uma lista:
§ Cozinhar com o tomate maduro que guardei cuidadosamente para não amachucar (e os ovos caseiros e a salsa); cozinhar na luz alva que escolhi; cozinhar em casa; “em casa” significa “cozinhar em casa, entre os meus queridos utensílios de cozinha – para os meus queridos”; os meus. (posse)
§ Fazer a cama, no quarto arejado; Era uma casa muito engraçada/ não tinha teto não tinha nada/ ninguém podia entrar nela não/ porque na casa não tinha chão*.
§ Desenhar a bicicleta; andar na bicicleta (o B. tem de estar presente no momento da estreia! §não esquecer!§)
§ Expor esta lista.
§ Ser voyeur.
§ Imaginar os livros empilhados; reler os títulos novos; tocar as lombadas e olhar as capas; abrir 2 ou 3 livros e ser voyeur.
§ Dispor objectos especiais e mirá-los.
§ Lista de objectos possíveis: caderno(s), lupa, penas coleccionadas, o copo azul, (a manta de retalhos a fazer de base), o meu disco, o isqueiro azul e a vela e o castiçal de vidro, o pote de barro, (tudo disposto em cima do móvel-telefonia), a garrafa de vinho (Rosé! fresco! É Verão!). (a presença das aves lá fora)
§ Pensar "A colecção" e saber que irei sorrir.
§ Sentar-me na tua companhia e ficar assim a sentir o pensar. (contigo)
§ Desenhar sem vergonha § Entrar na água sem temor à profundidade § Escrever nas paredes §
![[passarinhos+do+meu+alentejo.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIi51bnGz7pPEdyhqxmay4Smt1dUh5tBoRRlfLbMSrsVSpVrNWQfhjkoRaoyA9b_di3fGab1UaywmWrjqg6yEfHolVS42FjKmrLFrN7N26qjl9RlqozBwoyBDRmWnEFl8gZYnKAk_k81M/s1600/passarinhos+do+meu+alentejo.jpg)
ilustração surripiada a Tiago Alexandre
* A casa, Vinicius de Moraes
Desenvolvo uma lista:
§ Cozinhar com o tomate maduro que guardei cuidadosamente para não amachucar (e os ovos caseiros e a salsa); cozinhar na luz alva que escolhi; cozinhar em casa; “em casa” significa “cozinhar em casa, entre os meus queridos utensílios de cozinha – para os meus queridos”; os meus. (posse)
§ Fazer a cama, no quarto arejado; Era uma casa muito engraçada/ não tinha teto não tinha nada/ ninguém podia entrar nela não/ porque na casa não tinha chão*.
§ Desenhar a bicicleta; andar na bicicleta (o B. tem de estar presente no momento da estreia! §não esquecer!§)
§ Expor esta lista.
§ Ser voyeur.
§ Imaginar os livros empilhados; reler os títulos novos; tocar as lombadas e olhar as capas; abrir 2 ou 3 livros e ser voyeur.
§ Dispor objectos especiais e mirá-los.
§ Lista de objectos possíveis: caderno(s), lupa, penas coleccionadas, o copo azul, (a manta de retalhos a fazer de base), o meu disco, o isqueiro azul e a vela e o castiçal de vidro, o pote de barro, (tudo disposto em cima do móvel-telefonia), a garrafa de vinho (Rosé! fresco! É Verão!). (a presença das aves lá fora)
§ Pensar "A colecção" e saber que irei sorrir.
§ Sentar-me na tua companhia e ficar assim a sentir o pensar. (contigo)
§ Desenhar sem vergonha § Entrar na água sem temor à profundidade § Escrever nas paredes §
![[passarinhos+do+meu+alentejo.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIi51bnGz7pPEdyhqxmay4Smt1dUh5tBoRRlfLbMSrsVSpVrNWQfhjkoRaoyA9b_di3fGab1UaywmWrjqg6yEfHolVS42FjKmrLFrN7N26qjl9RlqozBwoyBDRmWnEFl8gZYnKAk_k81M/s1600/passarinhos+do+meu+alentejo.jpg)
ilustração surripiada a Tiago Alexandre
* A casa, Vinicius de Moraes
poetas, meus poetas [ saravá! ]
O sentimento não é exactamente inveja, digamos que é um misto de pena e de amuo, aperceber-me que estas coisas aconteceram e eu não estive lá.
Bem, às tantas, é isso mesmo a inveja. Adiante...
Bem, às tantas, é isso mesmo a inveja. Adiante...
[ cortejo de bocas, sermão da prática de beijos beijo e história ]
não são os amantes com mãos mínimas que falecem, são os amantes sem boca. o corpo de boca vazia é mutilação, é corpo restos de corpo. pelo alvorecer ouve-se choros nublados que lamentam os restos de corpos que não chegam a ter tempo de se saber beijar [ no escuro ]. o beijo no escuro é o da confiança nos dentes da boca com quem se troca. ]silêncio saliva bocas boca afecto[ das bocas múltiplos são os beijos de múltiplas funções. os beijos que desbaratam o mundo... os beijos das bocas arrepiadas de vida... múltiplos! história
era uma vez um beijo que foi no escuro e mordeu. beijo que se vestiu com máscara anti-judas. amordaçou a língua. o beijo soube o que fazia pois apossara-se da confiança no escuro antes de ser claro. o beijo apertou um adeus. a outra boca apertava olhos a sorrir muitos gostarzinhos. das bocas unidas fez-se a espuma *. o beijo, que soube ao que ia, levou consigo a satisfação de saber que era parco. a boca abriu fendas que amargaram. esse beijo foi um resto de corpo.
o beijo é tão efémera tatuagem **.
* in Soneto da separação, Vinicius de Moraes
** in A Cobrição das Filhas, Valter Hugo Mãe
saudações bowianas!
the man who sold the world, David Bowie
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