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sim, sou muito ladrona
surripiado a irmão karamazov
Robert Walser, "O Salteador", Relógio d'Água, 2003
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| fotografia de Paola de Grenet |
«Às pessoas saudáveis faço o seguinte apelo: não teimem em ler apenas esses livros saudáveis, travem um conhecimento mais estreito, também, com a literatura dita doentia, que vos transmitirá, decerto, uma cultura edificante. As pessoas saudáveis deveriam sempre expor-se um pouco ao perigo. Senão, com mil raios, para que serve ser saudável? Simplesmente para, num determinado dia, morrer de boa saúde?»
Robert Walser, "O Salteador", Relógio d'Água, 2003
depois cheguei [ esbracejei sem etiqueta ao longo dos atalhos ]
Sentença
Por Isabela Figueiredo
Por Isabela Figueiredo
Nunca tomei uma estrada principal, e esbracejei sem etiqueta ao longo dos atalhos e desvios pelos quais transportei aqueles que amei, mas eles não sabem.
Depois cheguei a esta clareira e há sol e sombra sobre a terra, e eu saio, e sei - e mais ninguém - que não há estradas principais. Se isso não estava escrito, escrevi-o eu.
[para ti, para nós]
"Não sinto que tenha de pedir desculpa aos portugueses"
«A propósito da primeira página do Expresso de hoje, não posso deixar de explicar ao sr. primeiro-ministro:
Eu trabalho. Trabalho muito. Nem sempre com vontade, mas trabalho. Muito.
Eu não tenho outro remédio senão pagar os meus impostos, porque tenho o privilégio de trabalhar por conta de outrem. Sou paga com dinheiro do orçamento geral do estado. Mas não me sinto em dívida.
Eu pago as taxas e as contribuições. As que, mais uma vez, não tenho outro remédio senão pagar. Mas as outras também. A tempo. E não estrebucho.
Eu consumo. Faço mexer a economia.
Eu, sem contar com o corte no próximo subsídio de natal e sem pensar no que mais gasto quando consumo, ganho menos 150€ que no ano passado. Desde Janeiro. É só fazer as contas.
Eu gerei um nadinha menos que o 1,3 filhos da média portuguesa, portanto estou apenas ligeiramente abaixo da média.
Eu voto. Sempre. Mesmo quando dói.
Eu não votei, nem nunca votaria em si ou em pessoas que pensam a sociedade como o senhor pensa.
Eu já vai para uns 30 anos que não acredito que, se nos sentarmos sempre na cadeira em frente ao professor, apagarmos sempre o quadro e levarmos o livro dos sumários para a sala dos professores, passamos de ano de certezinha.
Portanto, não que me tivesse ocorrido a necessidade, mas, já que fala nisso, a mim sim, tem de pedir desculpa.»
por menina alice
A VIDA QUE NÃO VIVI
Quando, à minha volta, as pessoas se envolvem em discussões mais ou menos inflamadas sobre quem é quem, quem foi o quê, lembro-me sempre de Jesus Cristo na cruz e de Lenine na tumba. Mortos, nada mais que mortos, vamos todos tentando justificar a vida com altercações inconsequentes. Daqui a nada estamos enterrados. E depois ninguém poderá queixar-se da vida que não viveu.
por Henrique n'Antologia do Esquecimento
por Henrique n'Antologia do Esquecimento
quando ler nos deixa "bem ca puta da vida"
isto tudo surripiado ao fallorca
Nem sempre a lápis (195)
Terminava assim:
[até Jajouka, Monte Alto / Mortágua, Maio / Setembro de 2006]
«Gostava que este livro, se vier a ser um livro, soubesse a pão e a sal, a peixe frito e a harira, a água fresca e a chá, que as páginas ofuscassem como a prata do mar de Asilah e os dias luminosos do Rif, cegassem como os campos do baixo, em Agosto, e acendessem trilhos no mar como a Lua Cheia na Fortaleza; fossem impressas a buril nas encostas xistosas das Laceiras e apagadas pelos cascos do gado afugentado por um velho Land-Rover; falassem várias línguas comuns, sem idade nem sotaques, apátridas e abrangentes, que nelas se ouvissem várias vozes numa só voz e ribombassem as trovoadas secas de Maio e de Setembro e os relâmpagos iluminassem as páginas de um rosto apresentado como figura tutelar e exemplar, sem exigências nem cedências recíprocas; fossem rasgadas pelo estertor primário da matança de um porco numa aldeia de Mortágua, pela sinfonia da água a correr de um bica de metal para uma pia de granito, em Salgueirais, pelo silêncio frio da serra do Caramulo e pelo silêncio calcinado dos cerros algarvios; fossem interrompidas pelo canto das popas e abelharucos, riscadas pelo voo rápido das andorinhas, mas sustentando bem alto um predador atento ao mínimo movimento da presa que se protege da canícula; gostava que nelas fumegassem fogareiros de barro e lareiras de sobro e de giesta, cheirassem a forragem cegada e a tagine, a chuva e a cães molhados regressados da caça, a pomares devassados pelas abelhas e a vinhas vindimadas, como cheira o teu cabelo quando sais do mar.
Gostava que este livro, se tiver de ser um livro, ao folheá-lo sentisse o toque da tua pele e ouvisse a tua respiração enquanto dormes; permanecesse secreto e inacabado, escrito e reescrito como o livro que me recuso a escrever, onde não houvesse lugar para lugares-comuns e, à falta de melhor, o silêncio se impusesse à previsível conclusão de cada período; fosse um palimpsesto onde latejam outras páginas, em branco e decifráveis, sobrepostas como sucessivas camadas de cal dos montes do Sul, como escamas de ardósia dos derradeiros telhados da Beira, comunicativas e arejadas como açoteias de Tânger e de Asilah; memória amnésica, fronteira de fronteiras derrubadas.»
30
(de Setembro)
Já arrumei a mochila e atestei o Land-Rover. Esta madrugada arranco até Jajouka. [até Jajouka, Monte Alto / Mortágua, Maio / Setembro de 2006]
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