sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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You are welcome to Elsinore

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.

Mário Cesariny
in Pena Capital
Assírio & Alvim, 1957

coração via esófago

Estas são as três actividades que se seguem (por ordem) escrever, fumar, almoçar, fumar (quatro). Acabo de encomendar "entre o vivo, o não-vivo e o morto" (por falar nisso, não me posso esquecer de ir aos correios - HOJE, sem falta). Estou siderada com a capa do nº2. Repito até acertar “entre o vivo, o não-vivo e o morto”, tenho insistido no erro: “entre o vivo, o vivo e o não-morto”. O erro comum, cansativo. Tudo é cansativo. Hei-de acertar mas não sei como, falta-me perseverança. Nada é mais importante. Nada é mais importante que nada. Trivialidades e ignorâncias atropelam-me o pensamento cheio de esgana. Construo frases paralelas à minha agenda e fico impávida. Nada disto, digo.
Digo e procuro não repetir. Escoo todas as coisas que não vi e amontoo-as. (rimei, sem querer; não sei porque me justifico) (sei) Penso nas palavras e nas aulas de Linguística mas num instante vêm outras recordações desses dias. Distraio-me das aulas de Linguística e da localização do lugar* que eu ocupava naquela sala com vista para as árvores. Nos dias de sol eu pensava na improficuidade. Palavra estranha que faz jus ao seu significado. A fluência. E o ritmo?
Im pro fi cu i da de. Cansativo. Prefiro buscar outras situações: plataforma, limbo, fio. Apenas exemplos, é claro.
Certamente ando distraída. Contemplei a palavra MORTO excessivamente. Agora não me desembaraço de nada e sei que chega o fim. Preciso de fazer declarações. Lembro coisas pequenas: cortar o cabelo, mudar de casa, desempregar-me, despachar-me para alto mar, criar outro blog.
Nome disponível: coração via esófago.

* "localização do lugar" não soa bem mas algo me impele a criar esta regra, não posso "visualizar (visualização) o lugar" ou "recordar(recordação) o lugar" urge localizá-lo, ao lugar