sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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[ escarpa ]

Explicaria como é a ausência e a dolorosa vida na ausência. Os seus pés seguiam-se naquela inclinação doentia que se traz do pensamento mais profundo ao reviver a sensação dos actos. Enquanto os seus pés se seguiam, compôs imagens acompanhadas de sons distantes da ausência. Era a presença a seguir os seus pés. De repente... o corpo.

Sentiu uma exclamação afónica que se libertou num tremor ininterrupto enquanto os pés, os seus pés, se seguiam.

Por prudência, não intentou uma correria. Era íngreme o caminho, e viu. Havia lixa a forrar o chão, abraçou os seus braços nus para o calor e assim se libertou novo tremor.
Sentiu a pele a ser removida em pedaços de serrim e os pés aplainados até não sobrar qualquer resíduo de carne nas solas.
Nem assim se foi a ausência.

Quando os seus pés pararam o seguimento, atirou-se à cama de pregos.
O som esponjoso do ferro a entranhar as mamas suavizou a afonia. Sobrou uma cabeça que não rolou. Olhou a cabeça de soslaio, o pescoço movimentava-se, tocou-lhe e sentiu a vibração.
Percebeu enfim que estava surda, o corpo gritava há muito tempo. Desde a ausência, mas não se auto-deferia o limiar de dor na audição.

[ sensualidade afecto silêncio ]

Sede. É fome. Esquivo-me de ser acusada de profanação. Sim, o fim só existe quando a aflição são os olhos, trespassa-se a zona das olheiras com desvios esguios para evitar o olhar. O olhar é quase além do corpo, assim como disse David «(…) de cada vez que o rosto aproximas já é outra sede que nos queima (…)». O cortejo compõe-se e é involuntária a consciência de que estes corpos não são restos de corpo. Germina a procissão fisiológica. O presente é indicativo para que haja tempo. Grito uma pergunta afirmada, firme nos anos que se manifestam - o início da flacidez. O início da flacidez é belo, não se deixem a enganos por burlões da juventude. A mulher aprecia a firmeza das mãos desse homem nas suas carnes da idade. É ternura essa sede dumas mãos por um pedaço fisiologicamente a envelhecer. Estão lado-a-lado os sexos mastigados, a única prova da procissão é a sujidade casta que se vê nos pés do corpo. Silêncio. Sim, descansa em paz o corpo regado a fluídos segregados.


















foto de ff, tomografia das emoções! - música trazida à lembrança por Carlos Veríssimo (na minguante) e apelidada de BSO por Dolphin.s - tema à laia de resposta a escrito tão bonito do Henrique
tema livre como o é o afecto
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versão com links:
Sede. É fome. Esquivo-me de ser acusada de profanação. Sim, o fim só existe quando a aflição são os olhos, trespassa-se a zona das olheiras com desvios esguios para evitar o olhar. O olhar é quase além do corpo, assim como disse David «(…) de cada vez que o rosto aproximas já é outra sede que nos queima (…)». O cortejo compõe-se e é involuntária a consciência de que estes corpos não são restos de corpo. Germina a procissão fisiológica. O presente é indicativo para que haja tempo. Grito uma pergunta afirmada, firme nos anos que se manifestam - o início da flacidez. O início da flacidez é belo, não se deixem a enganos por burlões da juventude. A mulher aprecia a firmeza das mãos desse homem nas suas carnes da idade. É ternura essa sede dumas mãos por um pedaço fisiologicamente a envelhecer. Estão lado-a-lado os sexos mastigados, a única prova da procissão é a sujidade casta que se vê nos pés do corpo. Silêncio. Sim, descansa em paz o corpo regado a fluídos segregados.



silence is sexy, Einsturzende Neubaten