sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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groundlevel and below [ moods, talks & walks ]

fotografia de Salamandrine aka Sandra Ferrás aka Dolphin.s

Here come greetings from the fires of dusk
From all the places you never dare to walk
You never saw the silent battle zones
Beneath your towers and beyond your gardens

Was born a walker
Into this world I walk

And what's to miss about the old ball-and-chain
Imaginary top-of-the-foodchain-ways
I've found more truth in a cheap bottle of wine
I've found more life by a burning barrel

Was born a walker
Into this world I stalk

Run now, my friend
If you think you are free
Duck my friend, and cover
If you think you are safe


Here come greetings from the fires of dusk
From all the thoughts you never dared to think
From all the choices you'll never dare to make
Just a postcard from groundlevel and below

Postcard de Anywhen

pleased to meet you

Mr. Watson

fotografia de Salamandrine aka Sandra Ferrás aka dolphin.s (many tanx!)

dilúvio de sentimento genuíno

(…) e Sabbath deitou-se sobre a campa e soluçou como não tinha podido fazer no funeral.
Agora que ela desaparecera para sempre parecia-lhe incrível que, nem mesmo quando tinha sido o amante muito louco e enrabichado, antes de Drenka se ter tornado um absorvente passatempo para se divertir com ela, foder com ela, conspirar e tramar com ela, parecia-lhe incrível que nem mesmo então tivesse pensado em trocar a torturante chatice de uma Roseanna alcoólica e assexuada para casar com alguém cuja afinidade com ele não tinha paralelo com a de qualquer outra que conhecera fora de um bordel. Uma mulher convencional capaz de fazer tudo. Uma mulher respeitável suficientemente guerreira para contrapor à dele a sua audácia. (...) E ele nunca fizera a mínima ideia disso. Nunca, em treze anos, se cansara de olhar pela sua blusa abaixo ou pela sua saia acima, e mesmo assim nunca fizera a mínima ideia!
Agora esse pensamento arrasou-o. Ninguém acreditaria que o escandaloso conspurcador da cidade, o porcalhão do Sabbath, fosse capaz de um tal dilúvio de sentimento genuíno.

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

A imagem "http://galerias.escritacomluz.com/sandraf/albums/Prazeres/aba.jpg" não pode ser mostrada, porque contém erros.
fotografia de Salamandrine aka Sandra Ferrás



[ D'esta arte dos dias ]

Deve haver um lugar onde um braço
e outro braço sejam mais que dois braços,
um ardor de folhas mordidas pela chuva,
a manhã perto nem que seja de rastos.

Eugénio de Andrade



obrigada, sempre, por esta foto Sandra Ferrás :)

- não vás (súplica à desordem natural)


Lavado o teu corpo todo com pus a sobressair
à pressa saltaria de trás para a frente a agarrar
a vida toda que era o resto afinal certeiro final
a razão a falar dizer coisas sobre a terra e nós
bichos amorfos compostos a virar como húmus
lavados. À lentidão dos olhos a engolir soluços
lavado o resto da tua língua órfã lambida do
útero que me não foste e plantaste. Lavados no
pesadelo de cabelos molhados da almofada a
amortecer a queda do sono sujo. E eu a cair.

Um dia odeio isto tudo viva. O meu pesadelo é
quero morrer antes de tudo. Desencontros e são
fugas, já me ultrapassaram. Odeio a minha dor.









isto agora

Sobrei.
Fiz tudo o que podia
saber fazer

(a infância não morreu)

Agora
Faço
isto.

(deixo as grades abertas)

Agora há objectividade
a relativizar antes
de irromperem escárnios d’ir.

Não é duro,
ir
a dizer ira

dizer a ritmo irrazoável,
agora.
Redobrar agora
agora agora.

Estou aqui
ainda sentada - em cima - dos ideais______ a saber______ a chacota
ainda a fazer a infância
relativamente abjecta a valer
a pena da cobardia ali
cravei-a à tona das aparências
ilusórias.


[ a fraglidade da arte de tecelagem do orvalho ]












No interior desta cadência escura
onde fico ando a espumar
das vistas a pena das luzes
sem a vergonha excito as

extremidades são sim
inertes os olhos escumados
do fundo chegam
rugidos dos infantes

por nascer o sol-e-dó
entranhas a virar o
só-e-dói.










bodies




Religion was a lie he had recognized early in life, and he found all religions offensive, considered their superstitious folderol meaningless, childish, couldn’t stand the complete unadultness – the baby talk and the righteousness and the sheep, the avid believers. No hocus-pocus about death and God or obsolete fantasies of heaven for him. There was only our bodies, born to live and die on terms decided by the bodies that had lived and died before us. If he could be said to have located a philosophical niche for himself, that was it – he’d come upon it early and intuitively, and however elemental, that was the whole of it. Should he ever write an autobiography, he’d call it The Life and Death of a Male Body.

in Everyman, Philip Roth


photo de Sandra Ferrás

[ despertar ]

desce as escadas a correr
acordou na urgência
de inventar
brinquedos





photo de Sandra Ferrás

bom-dia [ ao domingo outros dias e qualquer coisa aninhada cá dentro ]

domingo. vamos, por entre as gentes. fiquemos com o contágio d'um pouco do que é de bom. um dia. e o prazer do movimento. entre lucidez e atordoamento, o espanto. bom-dia.

no clear escape...

photo de Sandra Ferrás

[ o silêncio antes de regressarmos ]

sim
foi agora
passou-se
há algumas unidades de tempo
antes deste instante

morri
da saudade







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[ abalos, renúncia e construção ]

Sonhos
Quando a noite se apresentar
cercamo-nos

não indagaremos que mais valia
assinalar ao final da data.
“À nossa beira iremos
doer menos”
afirmação interrogativa
assento-a; o meu corpo inclinado
na tua direcção.

O disfarce não será remédio
para o desgosto; às realidades arrasadas,
uma tarefa
escoar com a gravidade e


espairecer a construir;

por exemplo,
casas nas árvores.


Ou, apenas românticos, plantar essas árvores.