sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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(re)começar o dia

(...as repetições)
uso outro poema que resgato para a minha antologia

saúdo o sol
algures
encho-me de fluxos, deste bafo (não desabafo), procuro o nó, releio escritos de outrora pois, a estes dias, não escrevo


~

[ evidência ]

Jamais soube o que é estar de pé
em equilíbrio inventei estes modos

Não aguento
um esgar, não aguento encarnações
de dor sou uma fraca que engendrou
a religião da outra face cedo ouvi a lenda

ficou impregnada


Que hei-de fazer a este jeito que choro
até ao afinco do ardor

Que hei-de fazer a este jeito

Eu escrevo
Largo o temor das mãos
continuo sem saber
Este jeito há-de ser
o meu fim

Como podereis constatar gaguejo.

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dedicado...
a mim e aos colos insuflados
à Marta, por escrever:

antes desata os nervos,
a inspiração
no arremesso das palavras.

(o dito)

FAZ FALTA SER CEGO

Faz falta ser cego,
ter como metidas nos olhos raspaduras de vidros,
cal viva,
areia a ferver,
para não ver a luz que salta em nossos actos,
que ilumina por dentro a nossa língua,
a nossa palavra quotidiana.

Faz falta querer morrer sem lápide de glória e alegria,
sem participação nos hinos futuros,
sem lembrança nos homens que julguem o passado sombrio da Terra.

Faz falta querer já na vida ser passado,
obstáculo sangrento,
coisa morta, esquecimento seco.


Rafael Alberti, in " Antologia da Poesia Espanhola Contemporânea" assírio & alvim, 1985
trad. José Bento

poema surripiado ao Miguel n'O café dos Loucos


...com este poema fica o dito do que hoje rebola cá dentro, o resto da energia fica no direito inalienável a desprezar a ira e frustração alheias, por mim, para mim, pela minha sanidade; um suspiro, um desabafo neste belíssimo poema que fica marcado como "de Antologia".