sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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"vou mostrar-vos um pedaço da minha vida"

Hoje, Sábado, com uma lista enorme de afazeres domésticos e profissionais, vou para a rua usar as horas da minha tarde para me manifestar. Não estou crente de ser a solução para os nossos problemas, mas sei que tenho de o fazer, porque é precisamente *parte* do-que-posso-fazer. Faz parte da nossa voz. E isso não podemos deixar esvair-se.
Todos os dias, faço o-que-tenho-de-fazer.
O-que-tenho-de-fazer consiste numa série de coisas. Dessas coisas que todos  vós também têm-de-fazer. E faz-se. Porque, embora as semanas seguintes ao regresso de férias sejam habitadas de sonhos de “amor e uma cabana”, uma pessoa acaba sempre a saber divertir-se no meio destas invenções das responsabilidades e da vida em sociedade e das liberdades mútuas. Umas vezes melhor, outras vezes pior, mas consegue-se fazer. De resto, é muito complicado para mim, leiga, discutir essas coisas de forma sistematizada. Sei o-que-tenho-de-fazer e, embora não deixe de ser pensante e ter espírito crítico, cumpro com os compromissos que eu aceitei (mesmo que muitos me tenham sido inevitavelmente impostos).
E ando a lidar com tudo o que me têm vindo a tirar – subsídios, reduções de ordenado, aumento de impostos, aumento dos bens de consumo, etc. E sei que sou privilegiada porque, embora vivamos nesta “instabilidade filha da puta”, ainda assim, vamos conseguindo gerir os meses. E vivemos com o fantasma do desemprego pois a parte maior do orçamento familiar trabalha na área mais instável do momento - a construção, e não gosto quando imagino o que será ficarmos assim, de um dia para o outro sem esse rendimento, com um empréstimo de habitação e sem mercado de emprego na área. Mas o pudor impede-me de me queixar. Porque todos os dias vejo necessidades criadas por esta actualidade que me fazem revoltar as vísceras.
E eu já disse que sim, vou sabendo viver com isto. Pior é não ter saúde. Esta frase não é um lugar comum: pior é não ter saúde. O resto faz-se.
MAS, há uma coisa com a qual nunca me vou conformar ou procurar forma de contornar: o fim da democracia.
Desde o célebre desabafo da Manuela Ferreira Leite sobre o desejo da suspensão da democracia por 6 meses “para pôr isto no sítio” que os fascistas sentiram um espaço para se começarem a revelar. E não têm dado tréguas. Ainda a semana passada, ouvimos o Alexandre Soares dos Santos e o Fernando Ulrich fazer declarações que, no cerne da mensagem, nada mais são do que propostas de suspensão da democracia. E, o pior de todos, o presidente da república.
Sei que sou uma pessoa idealista e, por muitos, considerada ingénua, mas não chego ao ponto de acreditar no bem-querer destas pessoas a Portugal. E já nem sequer fico admirada quando oiço este tipo de declarações. Estou convicta das intenções criminosas destas pessoas. Destas e das do resto da Europa. Isto  - o fascismo, está a acontecer, gente!
Já não se trata de custo de vida, mas do custo da vida.
Sou portuguesa, mas também sou canadiana. Amo ambos países. Agora vivo em Portugal, é a minha opção, é o meu desejo. Actualmente, acontecem coisas na minha vida que fazem com que faça sentido que assim seja. Mas não hesitarei em partir.
Para já, vou para a rua dizer que, no que depende de mim, este país continuará a ser uma democracia porque questões económicas e filosóficas que exponham as fragilidades do sistema democrático não servem nem justificam a sua suspensão.
Não, não dou autorização à troika e aos patifes que nos governam para a suspensão da democracia. E vou dizê-lo hoje para a rua, porque faz parte da nossa voz. E deixar esvair-se esse  direito é o derradeiro passo para o fim da vida como a conhecemos hoje.

25 de Abril, sempre
Sempre!

Vamos lá.


ontem brincámos à alternância, hoje f*d*m-n*s

Depois de amanhã acordamos 
mais perto do inferno
 
"(...) Se os portugueses soubessem como são os Conselhos de Ministros, como todo o trabalho orçamental está bloqueado pelas resistências de ministros e pela espera das decisões da troika, percebiam muito do que é o estado do país. A coisa está tão negra e tão confusa, tão desesperançada, que nem o ministro da propaganda Maduro está com força anímica para inventar mentiras eficazes.(...) 

Por tudo isto, depois de amanhã vamos acordar na antecâmara do Inferno. Pensam que estou a exagerar? Na verdade, nestes dois anos, a realidade tem sido sempre pior do que a minha mais perversa imaginação, porque as coisas são como são, tão simples como isto. E são más. A partir de amanhã, haja convulsão mansa no PSD, ou forte no PS, acabarão por milagre as pontes, túneis e medicamentos gratuitos, que ninguém fará, nem pode fazer, e vai começar o discurso puro e duro da violência social contra quem tem salários minimamente decentes, quem tem emprego no Estado, quem recebe prestações sociais, quem precisa de serviços de saúde, quem quer educar os seus filhos na universidade, quem quer viver uma vida minimamente decente, quem quer suportar uma pequena empresa, quem paga, com todas as dificuldades, a sua renda, o seu empréstimo. 

O que nos vai ser dito, com toda a brutalidade, é que os nossos credores entendem que ainda não estamos suficientemente pobres para o seu critério do que deve ser Portugal. Apenas isto: vocês ganham muito mais do que deviam, não podem ser despedidos à vontade, têm mais saúde e educação do que deveriam ter, trabalham muito menos do que deviam, vivem num paraíso à custa do dinheiro que vos emprestamos e, por isso, se não mudam a bem mudam a mal. Isto será dito pelos mandantes. E isto vai ser repetido pelos mandados da troika, sob a forma de não há 'alternativa' senão fazer o que eles querem. Haver há, mas nunca ninguém as quer discutir, quer quanto à saída do euro, quer quanto à distribuição desigual dos sacrifícios, de modo a deixar em paz os mecânicos de automóveis e as cabeleireiras e olhar para os que se 'esquecem' de declarar milhões de euros, mas isso não se discute". (José Pacheco Pereira no "Público" via João Lisboa via C&L)

Depois agora

E depois?
Morram as vacas e morram os bois?

Na idade parva de não saber
apalavrar a limitação - do nosso entendimento,
respondíamos
que morriam
as vacas se ficavam os bois.

Hoje, continuamos a fazer
o mesmo, com o toque
da sobranceria incauta.

E depois? Depois?                Agora.

Sou cientista e filmei
pela primeira vez
a orca
branca
adulta.

Um feito inédito.

Nenhum homem,
nenhuma mulher,
até hoje

(agora)

tinha captado a orca
branca
adulta
 em filme.

E depois? Depois?

Agora, estou sempre

de regresso a casa, à vida,
na vida. Esta poesia           nova
– filmar        pela primeira vez a orca branca adulta,

não se basta.

É preciso dizer:    Mário, eu sei!
o nosso dever.                Entre nós          e as palavras.
E depois? Depois?        Fazemos uma festa

com poesia e comida
para os pobrezinhos
          e dormimos com um sorriso
estampado na tromba.
          E até podemos ir a África
          e ficar mais felizes
ainda.          Mais felizes,
cada vez mais       felizes.
Oh, como é bom
haver quem precise de nós.

Nós:  pessoas com bom fundo,
sem erros de cálculo ou precisão
     apenas,    um pouco distraídos
de Abril, em Abril.

Portugalito

sobre ir muito contentinho para a cama porque já se fez a caridadezinha do dia mas nem por isso se lutar pelo cumprimento das leis que evitariam essa indignidade


«a senhora, coitada»

quem me ajudar a ver-nos de outra forma ganha um presente
ora,
acho que nos resumimos mesmo a isto:
gostamos que nos passem a mãozinha pelo pêlo
deixamos que, desde sempre, a caridadezinha substitua o Estado Social e depois a própria caridadezinha enviesa tudo, é formada de profissionais que ganham para recrutar voluntários que tentam (e conseguem) subsituir as respostas que cabem ao Estado provocando consequentemente o vício das administrações de entidades públicas em IPSS's/ONG's ou voluntários impedindo a criação de empregos e o bom funcionamento de serviços criados e mantidos pelo Estado, afinal... só para a fachada?

somos todos tão bonzinhos e, se falhamos, é sempre sem intenção porque sim, não é por mal, pedimos desculpa e seguimos adiante como se nada fora

quem critica, ou é calado porque faz barulho, incomoda, ou, sei lá, deixa-se desabafar mas não é ouvido e muito menos respondido como quem deseja discutir as coisas de facto

pôssas, ele há dias com porrada dentro


agora, este hino oferecido pelos nossos "artistas" 


who cares, 'né?
sigh

as horas passam e eu pergunto:

vamos fazer alguma coisa em relação a isto
ou vamos ser os mesmos enconados do costume?



imaginava que, de manhã, na esquadra, havia uma cena tipo hill street blues em que o Capt Furrilo dizia: vá, pessoal, vamos para a rua combater bandidos, tenham cuidado

# mania desta gente sempre a dar cabo do meu imaginário

# devem ser dos tais cabrões de vindouros de que falava o José Mário Branco quando escreveu o FMI

# em Coimbra, parece que saíram tantos à rua quantos os que (não portugueses) saíram em Paris, isto 'tá bonito de tanto manso