sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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But you don't really care for music, do you?

I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah

Leonard Cohen

silêncio esforçado

Tudo isto poderia ser escrito a azul sobre branco, daquele azul do meu vestido, o vestido que toda a gente que me conhece sabe qual é, portanto sabe de que azul falo. É aquele que acompanha a minha degradação. Um dia, um de vós dirá de mim aos outros, após reencontrar-me na rua: “her famous blue dress was torn at the shoulder”; seguir-se-á um silêncio curto.
Não escrevo a azul sobre branco porque não me apetece ser fácil, se é que me apeteça ter a ingenuidade de que controlo seja o que for. O tom com que escrevo, esse impus-mo quando me lembrei de levar o CD do L.Cohen para o carro, essa taciturnidade.
E tudo num profundo silêncio.
Não falo vai fazer cerca de 2 semanas, se quisera ser exacta (se-lo-ei, então) direi que não falo há (pausa para fazer contas) (um post-it): 10 dias e cerca de 18 horas. Sou afortunada pois, neste tempo, ninguém me pediu que fale. Enfim, se mo exigissem não sei que se seguiria, um tranquilo momento de afonia ou, pior, de tanto puxar pela goela talvez se rasgasse o meu vestido. Confesso que me custaria ver rasgado o vestido.
fotografia de Forced Labor (blue sand), Liliana Porter

Todos temos pessoas que mexem com os nossos nervos, certo?


De que falo:
Estou rodeada duma corja específica que se farta de ir a concertos. Eu não vou (muito) a concertos. Logo, sofro do mal de inveja. Em grande escala.
E penso, podiam ser discretos, mas não. Que é isso da compaixão? Já ninguém se compadece! O mundo está podre. Podre!
Senão, reparem: fazem posts sobre os concertos planeados e depois ainda vêm fazer o relato; outros, troçam indecentemente com frases do tipo “chego a ter inveja de mim próprio” e quando insultados ainda respondem a meter mais nojo; até gentalha que não conheço, expõe o nojo todo. (tenho ou não tenho razão em estar pelos cabelos com esta gente?)

Este ano, já risquei dias a negro no calendário. O pior foi o do concerto de Nick Cave. Acho até que uma lagrimita quis despontar nesse dia.

Portanto, ontem decretei que:
ah e tal, essa coisa de não poder ir aos concertos (todos) não me afecta assim tanto. Até porque nunca fui habituada a esses luxos. Principalmente por questões de condicionantes geográficas que acabam sempre por impor custos acrescidos aos dos bilhetes

Pois é.

Ainda acrescentei que, pronto, como não fui habituada, uso da deixa aquilo que não conhecemos, não nos faz falta. Uma das margaretes dentro de mim repetia irritantemente sim, sim, engana-me que eu gosto. Mandei um berro e ela lá se calou.

Pois é.

A semana passada pus-me de posse de bilhetes para ir ao concerto Sassetti & Laginha. Um bocadinho de mim anda sorridente desde então.
Há bocado, propus a "loucura" de zarpar para Gaia, após a safra, para assistir ao concerto de Peter Murphy (ainda não se se há bilhetes, aguardo infs)

Ao fazer as ponderações nojentas sobre se seria prudente ir a Gaia, eis que: fui presenteada com bilhetes para o concerto do Senhor Leonard Cohen no próximo Sábado. Leram bem? Eu vou ouvi(e)r o Leonard Cohen!!! Euzinha!!!



Pronto, era só para ser nojenta.

r u m o [ azul em tons de cinza ]

Os dias podem ficar vazios e então morrem os motes. Qualquer coisa pode parecer mortal e então corre-se para casa. Um som pode ultrapassar o limiar do conforto e então solicita-se silêncio. As aparências são o resultado do que germina cá dentro, aí dentro. Ontem a cidade parecia viva. A cidade estava bonita. As pessoas foram-me atraentes, ontem. Hoje, não dei pela cidade, atravessei-a mas não posso assegurar que ainda exista, talvez até seja despovoada. Oiço, ao longe, automóveis que poderiam ser reflexos da televisão ligada, se estivesse ligada. Parece que circulam, detenho-me num ápice (o mínimo possível de mim) e divago sobre onde irão. Depois, lembro-me que às vezes também eu vou. Às vezes, também eu penso que vou a algum lado.
.............R u m o. São curtas, e espero que inofensivas, confusões.





bird on the wire, Leonard Cohen