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Vício

por Ana Cássia Rebelo

« O Flaubert aconselhava a ter cuidado com a tristeza. Cuidado com a tristeza, dizia ele, pode tornar-se num vício. Eu percebo bem o que ele queria dizer. Sou depressiva há muitos anos e não sei como me livrar da tristeza que toma conta de mim. Já tentei psicoterapeutas e psiquiatras. Já tentei o suicídio. Já tive filhos para que a responsabilidade da maternidade soterrasse a tristeza. Já tentei preencher o tempo com merdas e merdinhas para experimentar a felicidade dos gestos rotineiros. Até já tentei tomar decisões ridiculamente fracturantes que espantassem dos meus dias a solidão que neles se instalou. Nada resulta. É preciso força de vontade para nos livrarmos de um vício e eu não a tenho. A tristeza serve para desculpar a inércia e, sobretudo, a mediocridade.

Outubro/2008

(livrei-me do vício, mas ainda estranho.) »

A dor dos outros

Disse-lhe bonjour tristesse, depois compus-me de intelecto actuante e orientei a comoção. Não me derramei em sorrisos sem cessar, nunca foi disso que se tratou no assunto.
Olhei à minha volta e continuei a reconhecer que o caminho é este, sempre este. A nossa memória entra no meio desta jigajoga, esconde-se, e nós ao redol andamos, até encontrar as variações que nos acordam. Eu já havia escrito isto: a vida já valeu a pena, há muito tempo. Quero mais. A emoção tem razão, não se pode tolher a vida. A minha escolha é  sadia. Quero mais.
O saber: despite the music, you & I, we're gonna be alright. Hallelujah.