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hoje não estou cá
Há dias deixei o meu lenço – aquele pareo que faço de lenço, aquele que parece uma pintura aborígene, esse, deixei-o na poltrona que era d'a minha avó. Hoje quis usá-lo porque sim. Saí de casa e estranhei o dia. Fiquei desconfiada quando cheguei ao local de combate, qualquer coisa batia certo demais. Eis que, num rompante de perspicácia invulgar, cheirei o lenço, inalei profundamente e fui embora para casa da minha avó. Está lá sol, cheira-se no cimento da eira (assim). Cheguei ao portão «’Vó? ‘Vóó?!» – fui entrando, lá estava ela. E eu a sentir. Ainda a apanhei a fazer a cama e ajudei, uma de cada lado, «Puxa aí essa ponta». Vasculhei as caixas de loiça que tem em cima da cómoda e fiz perguntas sobre a origem de algumas bijutarias. Depois fomos à D.ª Julieta lembrá-la dos ovos para a minha avó fazer um pão-de-ló para o leilão de Domingo que vem. Passámos à costureira para provar uma saia nova. Fico muito contente que tenha mandado fazer uma saia nova, hei-de comprar-lhe um lenço a condizer com o tecido da saia. O peixeiro passou há bocado, buzinou e lá fomos, as duas – eu e a minha avó, comprámos solha. Olhámos uma para a outra e rimos sorrateiras, estamos a marimbar para o colesterol, a solha vai ser frita e comida num naco de pão a pedaços que cada uma tira com a sua navalha e, vá, um copo de pinga. Vamos beber do branco, que é para comemorar o facto de nos termos juntado hoje, já não nos vemos desde que morreu em 2001. São muitos anos ‘vó, tinha tantas saudades do teu cheiro. Ah, se eu tivesse percebido mais cedo que tinha este tesouro lá em casa. A partir de agora, vou deixar a minha roupa todos os dias em cima da poltrona. E daí, é melhor não, ainda me habituo e depois não dou por ele. Vai ser uma coisa para dias de festa, ‘vó, em dias de festa: eu e o teu cheiro. Ou em dias de mágoa, isso, para me agarrares. Logo, depois de comermos o peixe frito com pão e bebermos vinho e rematarmos com queijo seco e uma maçã que vais descascar para nós, dormiremos a sesta na cama de ferro da casa da costura. Sei que irás buscar aquele cobertor macio, verde daquele verde rico, e terá o cheiro do teu guarda-fatos e eu vou ser tão feliz.
Vou ser tão feliz, ‘vó.
Vou ser tão feliz, ‘vó.
[ como se carregasses o fogo nos olhos ]
fotografia e texto surripiados ao Carlos Veríssimo
e tudo o resto fossem restos de outros olhos que em tempos foram
tuas Primaveras. gritas para te soltarem.
theoria poiesis praxis
adeus, Rui
Não estou a fazer esforços para espantar o frio, nem tão pouco o considero um castigo. É o que é. Os sentimentos eram nobres e não sobraram. Como nunca sobram, e agora está na hora de me recolher. Se der um trago no álcool certamente não será vinho, é preciso um bafo mais amarelo. Provavelmente ponderarei a cerveja, acabarei por recorrer ao uísque. Fico. Talvez me distraia a fingir medo das bruxas, do que é o incerto. Acabas de te tornar em mais um acto sólido da minha vida. Mais um jogo para inventar na minha memória, hei-de acrescentar-lhe os dias que não vivi contigo.
(em actualização)
Fernando Dinis #1 #2, Fernando Esteves Pinto, Henrique Manuel Bento Fialho #1 #2, Manuel A. Domingos, Maria João Lopes Fernandes
mensagem dos seus co-bloggers: Mantemos o blog Implantes de Ciclone activo, apenas com os textos do Rui.
(em actualização)
Fernando Dinis #1 #2, Fernando Esteves Pinto, Henrique Manuel Bento Fialho #1 #2, Manuel A. Domingos, Maria João Lopes Fernandes
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[ dias assim ]
estaremos cá, para o que der e vier
dar uma mãozinha
(e quem diz uma mãozinha, diz um ombro... ou até os braços em abraço)
Falar estrangeiro
Quem nunca viveu um momento de alívio, o instante do suspiro desembaraçado do desassossego? uff! Maravilha. O âmago a sentir-se de novo emergido.
Ontem publiquei um poema que passa a ser de antologia. Da minha antologia. Deparei-me com a angústia e quase com a deseperança. Todos temos dias maus, mesmo maus, pois claro. Porém, posso considerar-me muito privilegiada. Dos inúmeros confrontos e discordâncias com que me deparo no dia a dia, estou entre pessoas que sabem estar neste mundo que acima de tudo é feito de diferenças, que sabem chegar a consenso, à zona de funcionalidade dentro da discórdia. Como nada é perfeito, de vez em quando aparecem uns ranhosos que são a excepção à regra. Lá fica a menina margarete desprotegida dos espíritos conflituosos. Zás. Toca a exercitar outras zonas do cérebro.
Em determinadas alturas, pode tornar-se incomportável ser-se eficaz num sentido literal. Acontecem, então, pendências que me deixam num estado de urgência para avançar. Sabendo um pouco sobre o meu funcionamento e da eventualidade de efeitos perversos resultantes das situações, torna-se imperioso arranjar exercícios para conseguir lidar com as consequências do facto.
Falo de quê?
Facto: o indivíduo não conseguir ser reflectido o suficiente para assumir que se discorda em determinado assunto.
Consequência: 1) perder rumo do assunto propriamente dito; 2) perder o respeito pelo interlocutor.
Memória do desrespeito: não incide na frustração por identificar que não se consegue ultrapassar o "facto discordância" mas nos actos consequentes da mesma. O indivíduo não-reflectido deixa-se levar pela frustração e recorre ao dano do outro.
(nota - o dano pode ser infligido através de actos completamente alheios à discordância em si, é a regra do "tudo vale para libertar a minha fúria". Assim, o outro ser, que não sabe viver de fel, procura proteger-se.)
Necessidade: protecção da sanidade mental.
Inventei para mim um exercício mental de comunicação selectiva para emergências. Chamo-lhe "Falar Estrangeiro" ou Afasia de Wernicke. É simples. Não anula o facto, mas ajuda a lidar no imediato com a memória do desrespeito. Na afasia de Wernicke, o indivíduo, não obstante as suas dificuldades de compreensão de linguagem e ininteligibilidade de discurso, é fluente. Ou seja, não se percebe o que diz, mas até parece estar a dizer coisas que lhe fazem sentido, como se falasse uma língua estrangeira desconhecida ao seu interlocutor. Um discurso que se pode dizer ser uma algarviada pegada, cheio de neologismos curiosos.
Portanto, é simples. Pensa-se no interlocutor como se fora um incapacitado da Linguagem e não da Cognição. É um exercício feio, é certo, mas é o que há. Não temos tempo para digerir tudo. Há muito para fazer. Há muita coisa a acontecer. Num instantinho, esqueço a pretensão de conseguir mostrar a um adulto que a sua atitude foi merdosa. A verdade é que não acredito que haja vitória numa troca de piropos bota-abaixo que possa superar a minha tranquilidade.
Se se deram ao trabalho de ler este longo post, se houve engano nas minhas palavras iniciais que possam ter levado a que esperassem que eu descrevesse uma estratégia magnífica... azarinho :) imagino que tenham as vossas e até reconheço que esta seja um bocado tonta e rebuscada, usei palavrões (p.ex. "respeito") e recorri a clichés, é assim mesmo. Este é um blog pessoal. É apenas um pouco de mim. Sejam bem vindos.
Tudo vai correr bem e cá estamos para o que der e vier. Bom dia, minha gente.
(deixo-vos com fotos da minha antologia)
Ontem publiquei um poema que passa a ser de antologia. Da minha antologia. Deparei-me com a angústia e quase com a deseperança. Todos temos dias maus, mesmo maus, pois claro. Porém, posso considerar-me muito privilegiada. Dos inúmeros confrontos e discordâncias com que me deparo no dia a dia, estou entre pessoas que sabem estar neste mundo que acima de tudo é feito de diferenças, que sabem chegar a consenso, à zona de funcionalidade dentro da discórdia. Como nada é perfeito, de vez em quando aparecem uns ranhosos que são a excepção à regra. Lá fica a menina margarete desprotegida dos espíritos conflituosos. Zás. Toca a exercitar outras zonas do cérebro.
Em determinadas alturas, pode tornar-se incomportável ser-se eficaz num sentido literal. Acontecem, então, pendências que me deixam num estado de urgência para avançar. Sabendo um pouco sobre o meu funcionamento e da eventualidade de efeitos perversos resultantes das situações, torna-se imperioso arranjar exercícios para conseguir lidar com as consequências do facto.
Falo de quê?
Facto: o indivíduo não conseguir ser reflectido o suficiente para assumir que se discorda em determinado assunto.
Consequência: 1) perder rumo do assunto propriamente dito; 2) perder o respeito pelo interlocutor.
Memória do desrespeito: não incide na frustração por identificar que não se consegue ultrapassar o "facto discordância" mas nos actos consequentes da mesma. O indivíduo não-reflectido deixa-se levar pela frustração e recorre ao dano do outro.
(nota - o dano pode ser infligido através de actos completamente alheios à discordância em si, é a regra do "tudo vale para libertar a minha fúria". Assim, o outro ser, que não sabe viver de fel, procura proteger-se.)
Necessidade: protecção da sanidade mental.
Inventei para mim um exercício mental de comunicação selectiva para emergências. Chamo-lhe "Falar Estrangeiro" ou Afasia de Wernicke. É simples. Não anula o facto, mas ajuda a lidar no imediato com a memória do desrespeito. Na afasia de Wernicke, o indivíduo, não obstante as suas dificuldades de compreensão de linguagem e ininteligibilidade de discurso, é fluente. Ou seja, não se percebe o que diz, mas até parece estar a dizer coisas que lhe fazem sentido, como se falasse uma língua estrangeira desconhecida ao seu interlocutor. Um discurso que se pode dizer ser uma algarviada pegada, cheio de neologismos curiosos.
Portanto, é simples. Pensa-se no interlocutor como se fora um incapacitado da Linguagem e não da Cognição. É um exercício feio, é certo, mas é o que há. Não temos tempo para digerir tudo. Há muito para fazer. Há muita coisa a acontecer. Num instantinho, esqueço a pretensão de conseguir mostrar a um adulto que a sua atitude foi merdosa. A verdade é que não acredito que haja vitória numa troca de piropos bota-abaixo que possa superar a minha tranquilidade.
Se se deram ao trabalho de ler este longo post, se houve engano nas minhas palavras iniciais que possam ter levado a que esperassem que eu descrevesse uma estratégia magnífica... azarinho :) imagino que tenham as vossas e até reconheço que esta seja um bocado tonta e rebuscada, usei palavrões (p.ex. "respeito") e recorri a clichés, é assim mesmo. Este é um blog pessoal. É apenas um pouco de mim. Sejam bem vindos.
Tudo vai correr bem e cá estamos para o que der e vier. Bom dia, minha gente.
(deixo-vos com fotos da minha antologia)
pronto
fiz uma ronda de ~~ min à net, visitei a imprensa, visitei os blogs do dia, mandei bitaites, emocionei-me, fiz posts... vou agora àquele ritmo estúpido a que me propus - mesmo sabendo que seria estúpido - (levo um poema comigo) b'dia, gentes
(inspiração) (contágio)






Artist at Work: Louise Bourgeois
"Art in the Twenty-First Century," production still
2001
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