no sábado vi o documentário na televisão
o rosto dos soldados que interrogaram homens
no Iraque no Afeganistão
o ar crispado de quem não era suposto ser julgado e passar uns tempos na prisão
olhei o Mal o cinismo a ignorância a ignomínia as botas cardadas
a pele exposta sem outro camuflado que não o do medo
as discussões abstractas infames dos generais dos secretários de estado
o gozo primário dos raciocínios do presidente os esgares
aprendi sobre a humanidade de dormir quatro horas ou apenas duas
preso pelos pulsos ser espancado até ao homicídio à exaustão
perguntei-me se dessa morte lenta já terão padecido em número suficiente
olho por olho dente por dente mortos para saciar os profetas do medo
as vozes do apocalise os senhores de todas as guerras
os que hesitaram na resposta à pergunta se seria legítimo
pontapear os testículos do filho de um homem
a quem se quer extorquir uma qualquer informação
será que já são tantos quantos os que arderam nas torres gémeas
tantos quantos os que morrem pelas ruas de Bagdad
tantos quantos os rockets sobre as praias de Israel e de Gaza
será que já chegam será que não
será que serei capaz de me levantar da náusea que me asfixia
lavar-me do nojo
será que serei capaz de descobrir a cara
de remover este véu de vergonha
será que não.
Blue aka Cláudia Santos Silva
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[ na entrada do quarto encontro troncos de árvores ]
magnólia, Porto 2007na entrada do quarto encontro troncos de árvores que
como vasos sanguíneos atravessam o chão que me ampara
e o tecto que me cobre enquanto afasto do meu olhar folhagens imaginárias.
quando chegar o último sono de inverno
por entre as sombras da mata e o voo dos corvos
quero sentir os teus joelhos dobrarem as minhas pernas
enquanto me abraças os ombros a partir dos cotovelos desarmados
inclinar o rosto sobre o teu peito e sentir as tuas mãos recolherem
da minha face a caligrafia dos terrores diurnos
e sentir na pele a luz a terra húmida e perfumada.
Cláudia Santos Silva aka blue
como vasos sanguíneos atravessam o chão que me ampara
e o tecto que me cobre enquanto afasto do meu olhar folhagens imaginárias.
quando chegar o último sono de inverno
por entre as sombras da mata e o voo dos corvos
quero sentir os teus joelhos dobrarem as minhas pernas
enquanto me abraças os ombros a partir dos cotovelos desarmados
inclinar o rosto sobre o teu peito e sentir as tuas mãos recolherem
da minha face a caligrafia dos terrores diurnos
e sentir na pele a luz a terra húmida e perfumada.
Cláudia Santos Silva aka blue
[ apraxia do discurso versus verborreia ] [ & espaço ]
O espaço cai do chão na medida desta inexactidão
espeto ocos nas unidades (formam dias atrás da linha).
Peso curvas no olhar da esguelha - muitas curvas –
o torpor é das palavras. Caio-me em cima dos borrões.
espeto ocos nas unidades (formam dias atrás da linha).
Peso curvas no olhar da esguelha - muitas curvas –
o torpor é das palavras. Caio-me em cima dos borrões.
som
presenças
(...)
fere-se na vidraça o reflexo decomposto do meu rosto
no regresso a casa
há horas em que estar feliz
é quase complacente ausência.
blue in blue moleskin
Os meus braços estão levantados. Abertos. Abriram-se no último dia azul, desde então ficaram assim. Se alguma coisa fica para trás é porque a sua realização exige que baixe os braços, não posso. Talvez conseguisse, mas não quero. Os meus braços estão levantados. Abertos. E eu faço uma roda-viva com o corpo a ver se levanto voo. Uso o vento corpóreo com os meus moinhos.
fere-se na vidraça o reflexo decomposto do meu rosto
no regresso a casa
há horas em que estar feliz
é quase complacente ausência.
blue in blue moleskin
Os meus braços estão levantados. Abertos. Abriram-se no último dia azul, desde então ficaram assim. Se alguma coisa fica para trás é porque a sua realização exige que baixe os braços, não posso. Talvez conseguisse, mas não quero. Os meus braços estão levantados. Abertos. E eu faço uma roda-viva com o corpo a ver se levanto voo. Uso o vento corpóreo com os meus moinhos.
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