sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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"vou mostrar-vos um pedaço da minha vida"

Hoje, Sábado, com uma lista enorme de afazeres domésticos e profissionais, vou para a rua usar as horas da minha tarde para me manifestar. Não estou crente de ser a solução para os nossos problemas, mas sei que tenho de o fazer, porque é precisamente *parte* do-que-posso-fazer. Faz parte da nossa voz. E isso não podemos deixar esvair-se.
Todos os dias, faço o-que-tenho-de-fazer.
O-que-tenho-de-fazer consiste numa série de coisas. Dessas coisas que todos  vós também têm-de-fazer. E faz-se. Porque, embora as semanas seguintes ao regresso de férias sejam habitadas de sonhos de “amor e uma cabana”, uma pessoa acaba sempre a saber divertir-se no meio destas invenções das responsabilidades e da vida em sociedade e das liberdades mútuas. Umas vezes melhor, outras vezes pior, mas consegue-se fazer. De resto, é muito complicado para mim, leiga, discutir essas coisas de forma sistematizada. Sei o-que-tenho-de-fazer e, embora não deixe de ser pensante e ter espírito crítico, cumpro com os compromissos que eu aceitei (mesmo que muitos me tenham sido inevitavelmente impostos).
E ando a lidar com tudo o que me têm vindo a tirar – subsídios, reduções de ordenado, aumento de impostos, aumento dos bens de consumo, etc. E sei que sou privilegiada porque, embora vivamos nesta “instabilidade filha da puta”, ainda assim, vamos conseguindo gerir os meses. E vivemos com o fantasma do desemprego pois a parte maior do orçamento familiar trabalha na área mais instável do momento - a construção, e não gosto quando imagino o que será ficarmos assim, de um dia para o outro sem esse rendimento, com um empréstimo de habitação e sem mercado de emprego na área. Mas o pudor impede-me de me queixar. Porque todos os dias vejo necessidades criadas por esta actualidade que me fazem revoltar as vísceras.
E eu já disse que sim, vou sabendo viver com isto. Pior é não ter saúde. Esta frase não é um lugar comum: pior é não ter saúde. O resto faz-se.
MAS, há uma coisa com a qual nunca me vou conformar ou procurar forma de contornar: o fim da democracia.
Desde o célebre desabafo da Manuela Ferreira Leite sobre o desejo da suspensão da democracia por 6 meses “para pôr isto no sítio” que os fascistas sentiram um espaço para se começarem a revelar. E não têm dado tréguas. Ainda a semana passada, ouvimos o Alexandre Soares dos Santos e o Fernando Ulrich fazer declarações que, no cerne da mensagem, nada mais são do que propostas de suspensão da democracia. E, o pior de todos, o presidente da república.
Sei que sou uma pessoa idealista e, por muitos, considerada ingénua, mas não chego ao ponto de acreditar no bem-querer destas pessoas a Portugal. E já nem sequer fico admirada quando oiço este tipo de declarações. Estou convicta das intenções criminosas destas pessoas. Destas e das do resto da Europa. Isto  - o fascismo, está a acontecer, gente!
Já não se trata de custo de vida, mas do custo da vida.
Sou portuguesa, mas também sou canadiana. Amo ambos países. Agora vivo em Portugal, é a minha opção, é o meu desejo. Actualmente, acontecem coisas na minha vida que fazem com que faça sentido que assim seja. Mas não hesitarei em partir.
Para já, vou para a rua dizer que, no que depende de mim, este país continuará a ser uma democracia porque questões económicas e filosóficas que exponham as fragilidades do sistema democrático não servem nem justificam a sua suspensão.
Não, não dou autorização à troika e aos patifes que nos governam para a suspensão da democracia. E vou dizê-lo hoje para a rua, porque faz parte da nossa voz. E deixar esvair-se esse  direito é o derradeiro passo para o fim da vida como a conhecemos hoje.

25 de Abril, sempre
Sempre!

Vamos lá.


ontem brincámos à alternância, hoje f*d*m-n*s

Depois de amanhã acordamos 
mais perto do inferno
 
"(...) Se os portugueses soubessem como são os Conselhos de Ministros, como todo o trabalho orçamental está bloqueado pelas resistências de ministros e pela espera das decisões da troika, percebiam muito do que é o estado do país. A coisa está tão negra e tão confusa, tão desesperançada, que nem o ministro da propaganda Maduro está com força anímica para inventar mentiras eficazes.(...) 

Por tudo isto, depois de amanhã vamos acordar na antecâmara do Inferno. Pensam que estou a exagerar? Na verdade, nestes dois anos, a realidade tem sido sempre pior do que a minha mais perversa imaginação, porque as coisas são como são, tão simples como isto. E são más. A partir de amanhã, haja convulsão mansa no PSD, ou forte no PS, acabarão por milagre as pontes, túneis e medicamentos gratuitos, que ninguém fará, nem pode fazer, e vai começar o discurso puro e duro da violência social contra quem tem salários minimamente decentes, quem tem emprego no Estado, quem recebe prestações sociais, quem precisa de serviços de saúde, quem quer educar os seus filhos na universidade, quem quer viver uma vida minimamente decente, quem quer suportar uma pequena empresa, quem paga, com todas as dificuldades, a sua renda, o seu empréstimo. 

O que nos vai ser dito, com toda a brutalidade, é que os nossos credores entendem que ainda não estamos suficientemente pobres para o seu critério do que deve ser Portugal. Apenas isto: vocês ganham muito mais do que deviam, não podem ser despedidos à vontade, têm mais saúde e educação do que deveriam ter, trabalham muito menos do que deviam, vivem num paraíso à custa do dinheiro que vos emprestamos e, por isso, se não mudam a bem mudam a mal. Isto será dito pelos mandantes. E isto vai ser repetido pelos mandados da troika, sob a forma de não há 'alternativa' senão fazer o que eles querem. Haver há, mas nunca ninguém as quer discutir, quer quanto à saída do euro, quer quanto à distribuição desigual dos sacrifícios, de modo a deixar em paz os mecânicos de automóveis e as cabeleireiras e olhar para os que se 'esquecem' de declarar milhões de euros, mas isso não se discute". (José Pacheco Pereira no "Público" via João Lisboa via C&L)

será que quero *mesmo* continuar a viver neste país?

Multado em 1300 euros por insultar e mandar Cavaco trabalhar
Ana Henriques público.pt 
Homem condenado por difamação.

O homem de 25 anos que foi detido no domingo passado em Elvas por difamar o Presidente da República, Cavaco Silva, foi condenado em tribunal a uma multa de 1300 euros.
“Não queria ofender ninguém, agi por impulso”, explica Carlos Costal, que foi levado para a esquadra em frente da mulher e dos filhos.(...) Os impropérios motivados pela indignação com o estado a que chegou o país saíram-lhe ligeiros: “Vai trabalhar mas é! Sinto-me roubado todos os dias”, recorda ter disparado em direcção ao Presidente. Mas os dois agentes à paisana que o ouviram a vituperar Cavaco Silva garantiram em tribunal que o habitante de Rio Maior se esticou mais do que isso nos insultos, (...) Segundo Carlos Costal, foi só depois de contactarem a Presidência da República que os agentes da esquadra de Elvas o informaram de que seria levado a julgamento. (...)
___________________________________________


Acredito no bom trato entre as pessoas. 
Não acredito (nem aceitaria jamais) que haja pessoas com mais direito ao bom trato do que outras.
Ora, Cavaco também não foi detido e multado quando fez as declarações em que desabafava o temor de  que a sua reforma provavelmente não lhe chegaria para as despesas.
O que pensar de um presidente da república que tem marmanjos à paisana não para garantir a sua integridade física mas para deter (e multar!) um cidadão que, enfim, apenas desabafou?
O que pensar deste homem? Que confiança se pode depositar nele?
Escrevo aqui o que lhe diria na cara (com ou sem multa): O senhor mete-me nojo.

Comunicado: Empresa ataca liberdade de expressão em Blogue dos Precários Inflexíveis

O movimento Precários Inflexíveis foi alvo de uma Providência Cautelar pela empresa Ambição International Marketing. Esta empresa, dizendo-se injuriada por vários comentários (escritos por centenas de pessoas) num post de denúncia, avançou com um processo em tribunal para forçar o movimento a apagar todos os comentários do blogue. Independentemente de serem ou não contra esta empresa, independentemente do que está escrito, a empresa quer que seja apagado cada um dos mais de 350 comentários.

Infelizmente o Tribunal colocou-se do lado da empresa de forma mais do que inesperada: na sentença proferida, condena o PI a retirar não todos, mas muitos dos comentários escritos pelos cidadãos que por vezes nem sequer referem a empresa. Como sempre dissemos, nunca faremos qualquer censura nem julgaremos ninguém pelas suas opiniões. Por isso, discordamos frontalmente da sentença executada.

Apresentamos alguns factos:

- A empresa em causa, Ambição Internacional Marketing, exige que se retirem os comentários sobre um texto que é sobre outra empresa, Axes Market, e não sobre qualquer texto em que fosse citada.
- A Ambição International Marketing, que avançou com o processo, nunca pediu direito de resposta ao PI e nunca dirigiu qualquer carta ou contacto ao movimento.
- Nenhuma das empresas (ou talvez a mesma com nome diferente) avançou com qualquer processo ou queixa contra quem escreveu os comentários. Portanto, o que preocupa a administração da empresa é a liberdade de expressão na internet. O mesmo preocupa o Tribunal.


O resto do comunicado está disponível em "Ler mais".

Sentença disponível aqui.


O movimento Precários Inflexíveis defende e defenderá sempre a liberdade de expressão e a igualdade na exposição de textos e ideias, críticas, ou outras, na internet, salvo excepções sobre textos violentos sob qualquer ponto de vista: físico ou social. A internet deve continuar a ser um espaço de liberdade e igualdade.

O PI vai reagir judicialmente, porque não aceita que o Tribunal e a Justiça sejam instrumentos para afirmar que as empresas podem exigir que os comentários negativos sejam apagados ou que os seus textos e marcas valem mais do que as opiniões e denúncias dos cidadãos. Particularmente quando centenas de pessoas denunciam actividades suspeitas de empresas como esta. A liberdade é a base da democracia, porque, antes de mais, significa igualdade. Lutaremos por elas até ao fim.

Pedimos a divulgação ampla desta luta que diz respeito a todos e a todas – é a luta de quem defende a liberdade e a democracia no espaço público, virtual ou não.

+ link para o PDF dos comentários que os tipos também querem acautelar : http://aventadores.files.wordpress.com/2012/05/precc3a1rios-inflexc3adveis_-testemunhos-sobre-a-axes-market.pdf 

Não. Assim, não.

juramento de Hipócrates
De facto, o modelo “ofender a dignidade dos cidadãos a qualquer custo“ está a ser largamente praticado pelos vossos* presidente da república e primeiro-ministro. Não seria de esperar atitude mais digna de um chico-esperto do marketing contratado por um palerma da propaganda médica.


#1 Pelo que li, há questões de rigor científico que não estão asseguradas na campanha e isso é grave

#2 Por favor, não ofendam a nossa inteligência, as empresas farmacêuticas/de dispositivos médicos não têm em primeira linha a causa mas antes a €causa$

#3 Ao Sr. Rui Reis (investigador e presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular), tenho a dizer que é importante não dizermos patetices como «Não “vê nada de mal no anúncio”» e sugiro que volte à escola de ética ou deixe de ser dissimulado pois, apenas por ignorância ou fingir cegueira é que não se identifica a maldade inerente

#4 À personagem André Gomes (administrador da Crioestaminal) pergunto: se a intenção é «precisamente provocar este debate, na medida em que “85% das células do cordão umbilical não vão para bancos privados ou para o público, mas para o lixo”» porque é que a campanha se dirige especificamente aos pais mostrando uma criança num cenário de hospital e não mostra antes uma mesa de ministros e administradores hospitalares a serem questionados?

#5 Também ao ser vivo referido no ponto anterior, peço novamente que não tente ofender a nossa inteligência com isto: “Se reparar, nunca se diz para os pais escolherem a Crioestaminal”

#6 Ainda ao mesmo respirante, um conselho: se pensa que “têm sido mais as críticas positivas que as negativas” tente rodear-se de pessoas diferentes das do habitual pois pode estar a limitar o seu leque de opinião, mas isto é um conselho apenas tendo em conta que esteja a falar verdade e tenha vontade sincera de fazer um trabalho melhor pela tal causa. De nada, o conselho é totalmente grátis.

#7 Isto não encaixará num qualquer tipo de "Bullying a futuros pais" (chamemos-lhe assim)?

#8 A futuros pais: a minha solidariedade, não deve ser fácil lidar com propagandistas agressivos numa fase tão bonita e ainda assim tão frágil e periclitante.

nota: acabaram de assistir a mais um momento [margarete não poupa no latim, podia ter simplesmente dirigido a seguinte pergunta aos seres vivos da Crioestaminal: sois apenas uns energúmenos ou umas bestas?]

* condescendam, por favor, ando em negação de tipo “não são meus”

adenda em 21/Maio: "O deputado bloquista João Semedo exigiu esta segunda-feira junto do Instituto do Sangue e da ERC a suspensão imediata da campanha da Crioestaminal e a abertura de um inquérito por violação da lei da publicidade." e... "Crioestaminal suspendeu anúncio polémico"

O Dia da Espiga

imagem dali
Não vou mentir, nem pôr com meias-medidas: ser filho de emigrante é difícil. Na melhor das hipóteses, o que nos pode acontecer é ter este maldito sentimento ambivalente de se querer fazer a vida em ambos países. E isso sou eu e mais alguns. Há pessoas a quem a coisa fica mais difícil, mas não me apetece falar do contrário de fácil. Apetece-me falar de rir e do sentimento de se ser a sorrir.
Ontem foi dia da espiga o que, apenas pelo nome, me remete a 1981, ano em que vim com os meus pais e irmã viver para Portugal. Lembro-me dos ramos de espiga nas minhas primeiras observações das casas. E lembro com tanta ternura os nossos passeios do dia da espiga. Ah, benditas professoras que apanhei naquela escola primária. Era tudo a preceito, até os puxões de orelha, isso é conversa para outro dia mas quero já deixar bem claro que só levei um e foi merecido, vá.
Cheguei de Toronto, duma grande escola de cidade com as condições físicas que as nossas escolas começam a ter agora, essas tão mal-amadas do “projecto escolar” e fui para uma escola de aldeia com duas salas. E era linda, eram ambas lindas, as minhas escolas da primária (estão agora a ver o drama de ambivalência desta moça?). O chão espinhado de madeira, as janelas enormes, a salamandra ao canto, as carteiras ainda com tinteiro, os cheiros, oh, as madeiras, o cheiro de lápis de cera cisne e lápis viarco e papel e borrachas pelikan, e o pinhal que entrava pela frente da escola e os eucaliptos por detrás, e nós de bata lavada, como gostei daquilo, vivi tudo ao pormenor. E as brincadeiras. O ringue, o lobo na serra, o macaquinho de chinês, o limão, e a triste viuvinha.
A vida portuguesa cedo nos mostrou o choque e eu não estava distraída, vi bem a minha mãe e a minha mana, cheguei a rezar à noite para que voltássemos para o Canadá, precisava de as ver felizes de novo, mas o ar que recebeu as minhas orações não me ouviu e nós fomos ficando. E eu sem dificuldades de adaptação. Ia dar de comer aos porcos com o meu avô e brincava horas sozinha porque os outros meninos não eram autorizados, tinham de ir para as fazendas, ou tratar de irmãos mais novos ou, simplesmente, aproveitar o resto da luz do dia para fazer os trabalhos de casa e evitar o petromax. Mas era feliz, tinha muito para fazer lá pela aldeia. Até um cão eu passei a ter, e depois outro e outro e, pronto, nunca mais deixei de ter bichos na minha vida.
E adorava a escola e os seus rituais: pedir a bata à minha mãe quando a outra ia para lavar, o saquinho de pano onde levava o papo-seco com manteiga ou marmelada, a minha mala da escola, o leite que nos davam na escola numa caneca de plástico, havia de várias cores. E, depois, a envolvência dos dias festivos. Adorei aprender os costumes de cada data. E as palavras, lembro perfeitamente de aprender a palavra “consoada”, por exemplo. O dia do bolinho e a saca do pão mais bonita, imaculadamente lavada e impecavelmente engomada. E os dia da espiga. A sensação era sempre de que vinha mesmo a calhar. A Primavera iniciada, a vontade de estar mais tempo no recreio do que na sala de aula, a eternidade de tempo que ainda faltava para o início das férias grandes (em Junho, oh santa noção do tempo que as crianças têm), todos estes factores juntos faziam do dia da espiga um acontecimento maravilhoso. Lá íamos nós para a escola nessa manhã, com outro acordar. E eu sabia que era uma coisa que vivia porque vim para Portugal. O resto, o passeio pelo campo com as professoras, podem imaginar, basta aceder ao vosso imaginário bucólico. Naturalmente, ao voltar para a sala de aula, fazíamos um desenho e escrevíamos uma redacção: O Dia da Espiga.

é divulgar isto/ denunciar

via Mr Lisbon

A RESPOSTA A ESTAS PERGUNTAS NÃO PODE SER "É O RESPEITO PELO DIREITO À DIFERENÇA" 

1 - Durante quase dez anos, o que andou a ser discutido e julgado no processo-Casa Pia? 
2 - O que justifica que o que é considerado comportamento criminoso para todos os cidadãos de um país possa ser objecto de excepção para uma particular comunidade? 

my middle finger might salute you

 t-shirt

“Não queremos perder vendas (...). A prioridade é a venda, não é o lucro”, justificou, em entrevista à SIC Notícias, Alexandre Soares dos Santos



Eu não minto, não engano, nem ludibrio os portugueses”, respondeu Vítor Gaspar



dois homens cheios de virtude(s)
isto comove, pá

SEM PROMOÇÕES, NEM COMPLICAÇÕES

daqui e dali:

«Preocupa-me a dignidade das pessoas e o bem-estar das pessoas. E o que eu vi hoje aqui, mais do que o 1º de Maio ser maior ou menor, os discursos serem mais ou menos radicais, o que eu vi hoje aqui noticiado do Pingo Doce é que é um atentado à dignidade humana. E é esse atentado à dignidade humana que está a acontecer na sociedade portuguesa»
São José Almeida 

«As imagens televisivas da abertura das portas da rede do Pingo Doce remetem-nos para o regresso ao terceiro mundo como ele já não deve existir nos países emergentes. Um vento de desvario colectivo apoderou-se de uma multidão sufocada pela austeridade e cuja propensão ao consumo nas grandes superfícies fez parte do modelo de despesa dos últimos vinte anos. O facto de os seus promotores terem escolhido o feriado do Primeiro de Maio deve merecer uma reflexão profunda por parte de um governo impotente e aventureiro. O escárnio não foi lançado só sobre «os mais desfavorecidos». Toda a sociedade portuguesa devia fazer três dias de luto pela dignidade ameaçada.»
José Medeiros Ferreira

«Mas a pobreza tem mais força que a repressão. Enquanto as pessoas lutam para comer não lutam por direitos.»
Daniel Oliveira 

«Talvez isto não preocupe muito a administração do Pingo Doce, que, consabidamente, mantém uma relação muito descomplexada com a ética empresarial.»
João Pinto e Castro

 «Lá longe, na Holanda, Alexandre Soares dos Santos deve estar a rir-se. Ele sabe bem que, como diz um anúncio do seu Pingo Doce, nas "'promoções', baixa-se o preço de um lado e aumenta-se do outro e (...), quando se fazem as contas, gastou-se mais do que se poupou"»
 Manuel António Pina

«O comportamento que o Pingo Doce teve hoje corresponde à definição de riot. Os seus proprietários agiram como desordeiros violentos – contra os seus próprios trabalhadores, certamente contra as regras da concorrência, de certo modo «contra» todas as dezenas de milhares de pessoas que, compreensivelmente, se precipitaram para aproveitar os descontos, porque foram objectivamente humilhadas. Ostensivamente contra o Dia do Trabalhador.»
Joana Lopes

POEMA CONSTITUINTE


(Escrito em 1979 para o 3º Aniversário da Constituição)
por E. M. de Melo e Castro
in Revista Vértice 59 / Março -Abril 1994
via Carlos Veríssimo, no Facebook

A Constituição constitui-se de homens e mulheres
cidadãos com a mesma
dignidade social
iguais perante a lei

A Constituição constitui-se de homens e mulheres
antes de se estruturar
em Títulos
Capítulos
Artigos
Alíneas

A Constituição constitui-se pela vontade popular
Empenhada livremente
na transformação da sociedade portuguesa
numa sociedade sem classes

A Constituição constitui-se por dentro dos braços
e das cabeças
dos homens e das mulheres livres
que constroem o socialismo
dia a dia
antes de ele ser o Artigo 2º da Constituição
pela via democrática

A Constituição constitui-se de avanços projectos e lutas
no coração
que não admite recuos
nem abdica
do futuro

A Constituição constitui-se da força organizativa
dos que acordam
todos os dias
com um novo intento de viver
porque possuem em si próprios
a soberania
una
indivisível

A Constituição constitui-se dos direitos dos trabalhadores
não distinguindo
idade raça religião
ideologia
com direito ao trabalho
e à retribuição
sem aviltamento
sem exploração
com direito
à existência condigna
à realização pessoal
à higiene e à saúde
à organização
à segurança
à educação e à cultura
ao repouso
às comissões suas
de trabalhadores
defendendo esses seus interesses
e outros

A Constituição constitui-se de consciências livres
antes de se cristalizar
nas palavras e nas frases
num documento lei

A Constituição constitui-se da liberdade de escrever
essas palavras
da obrigatoriedade de cumpri-las
porque longos anos circularam
interditas
no sangue livre
do povo soberano

A Constituição constitui-se das palavras
com que se escrevem os poemas
(como este)
que todos têm direito
de produzir
exprimir
divulgar
já que pela palavra
são a criação do pensamento
pela imagem
são a materialização da comunicação
por todos os meios
são a circulação da informação
a que todos os homens e mulheres
têm direito
sem impedimentos
nem descriminações

E porque
todos esses direitos
não podem ser impedidos
por qualquer tipo
de censura

a voz soberana do povo
digno e verdadeiro
far-se-á ouvir
defendendo
e
constituindo a Constituição!

rostos que não devemos esquecer, particularmente no primeiro de Maio


queremos "Os Donos de Portugal" a passar em horário nobre

Sobre a capacidade de mobilização de gentes da internet e, especificamente, do Facebook (FB), já não duvidamos. Peço, desde já, desculpa aos que não têm FB pelo afunilar do acesso ao que vou divulgar, mas este é o instrumento que considero mais eficaz e imediato ao qual acedo de forma gratuita, ainda assim não quis deixar de o divulgar. Outra nota: não precisam ser meus "amigos" no FB para "gostarem" da página que passo a apresentar:

Não faz sentido que um documentário destes - Os Donos de Portugal, que procura estabelecer relações de poder, seja remetida para a programação na madrugada (!).
Isto é, aliás, símbolo do velar as verdades sob a alçada de informação.
Mesmo que passe a estar disponível online, merece outra visibilidade.
Esperamos mais responsabilidade da televisão pública: queremos "Os Donos de Portugal" a passar em horário nobre!

Assim sendo, vamos arranjar quorum para mostrar que não dormimos e queremos acesso de informação igual e justa para todos? ;) sem tapar o sol com a peneira, que é como quem diz que não queremos que passem programas pertinentes a horas impertinentes


do publico.pt:

«Imagine que um leitor de crónicas de negócios do século XIX regressa a Lisboa e retoma as suas leituras: "Que espanto sentiria ele ao encontrar os mesmos nomes daquelas grandes famílias que povoavam a Baixa e a Lapa? Será que ainda vão lá estar em 2150?"
(...)
o documentário aponta uma elite económica que se afirma a partir de "uma relação de grande promiscuidade com o poder do Estado e sempre sob sua protecção, uma característica que atravessa os vários regimes"
(...)
desmonta uma forma concreta de promiscuidade entre o poder político e económico, ao expor o "tráfego entre cargos políticos e lugares de topo nos grandes grupos económicos", sobretudo em ministérios estratégicos: Economia, Emprego e Obras Públicas
(...)
O filme começa em finais do século XIX, revela uma burguesia que tem no Estado o seu mercado privilegiado e que sobrevive de relações estreitas com os universos da política e dos negócios, numa lógica de permanente favorecimento
(...)
Exibe-se o fracasso de uma burguesia incapaz de modernizar o país, absolutamente centrada no enriquecimento e na autopromoção social. Uma rede que é abalada com o 25 de Abril, mas que o Estado, através do processo de privatizações, coloca novamente no centro do poder económico e financeiro.
(...)
A árvore genealógica da burguesia portuguesa mostra como o casamento é passaporte para assegurar a continuidade da direcção dos negócios e como o país económico é refém de "uma grande família"
(...)
Analisados 115 currículos de governantes do último século, o documentário conclui, com especial relevância para o PSD, que "entre política e negócios o trânsito é permanente e muito intenso". E que "esta promiscuidade cria um sistema de enriquecimento rápido e uma ascensão social vertiginosamente rápida", nas palavras de Jorge Costa.
(...)
Duas afirmações no documentário explicam quase tudo. A primeira é que "o lugar num ministério é hoje trampolim para uma vertiginosa ascensão social através de remunerações com que muitos quadros partidários nunca sonharam, nem no partido nem nas suas profissões". E a segunda vai ao âmago da corrupção: "Quem dirigiu a privatização passa a dirigir o que privatizou, quem adjudicou a obra pública passa a liderar a construtora escolhida, quem negociou pelo Estado a parceria público-privada passa a gerir a renda que antes atribuiu ou vice-versa."»


portanto, se tem conta no FB, e se considera este um pedido pertinente à RTP,
agradecemos o "like" em https://www.facebook.com/donosportugal :) obrigada!

Portugalito

sobre ir muito contentinho para a cama porque já se fez a caridadezinha do dia mas nem por isso se lutar pelo cumprimento das leis que evitariam essa indignidade


e a prova dos nove, não se faz?

«A partir de Novembro, as indemnizações pagas aos trabalhadores em caso de despedimento deverão baixar para metade ou para menos de um terço. Um estudo do Ministério da Economia conclui que o valor médio das compensações na União Europeia é de 6 a 10 dias por cada ano de antiguidade, enquanto em Portugal oscila entre os 20, para os trabalhadores admitidos após 1 de Novembro de 2011, e os 30 dias, para os trabalhadores que já estavam no mercado de trabalho antes dessa data.»

seguindo a lógica desta pessoa que está à frente da nossa Economia, lembro que falta ajustar mais algumas coisas ao "valor médio" na União Europeia, por exemplo, os ordenados, começando pelo mínimo nacional, ora, noves fora... nada!

ou estou a fazer mal o raciocínio?


ah, é verdade: who cares, 'né?

«a senhora, coitada»

quem me ajudar a ver-nos de outra forma ganha um presente
ora,
acho que nos resumimos mesmo a isto:
gostamos que nos passem a mãozinha pelo pêlo
deixamos que, desde sempre, a caridadezinha substitua o Estado Social e depois a própria caridadezinha enviesa tudo, é formada de profissionais que ganham para recrutar voluntários que tentam (e conseguem) subsituir as respostas que cabem ao Estado provocando consequentemente o vício das administrações de entidades públicas em IPSS's/ONG's ou voluntários impedindo a criação de empregos e o bom funcionamento de serviços criados e mantidos pelo Estado, afinal... só para a fachada?

somos todos tão bonzinhos e, se falhamos, é sempre sem intenção porque sim, não é por mal, pedimos desculpa e seguimos adiante como se nada fora

quem critica, ou é calado porque faz barulho, incomoda, ou, sei lá, deixa-se desabafar mas não é ouvido e muito menos respondido como quem deseja discutir as coisas de facto

pôssas, ele há dias com porrada dentro


agora, este hino oferecido pelos nossos "artistas" 


who cares, 'né?
sigh