sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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(sobre o silêncio)

Entre o silêncio e o crepitar do lume, deixei o livro de lado. Acabo um capítulo. Silencio-me. Só dou conta disso cerca de uma hora depois. Entretanto, dedico-me a cozinhar, preparo arroz de polvo. Penso no mar que vi de manhã, relembro o que senti. Tento recordar a estranha cor do mar desta manhã. Luto uma vez mais com o vento. Acabo de colocar primorosamente cada cacaréu na mesa. O almoço está pronto.
A refeição celebra-se na quase total mudez. Com interrupção para o cumprimento à cozinheira – Está delicioso, como sempre.
Raramente tenho azar na cozinha. Talvez o motivo resida no amor - prazer – com que me sereno frente ao fogão. Aprecio cada momento. Tudo realizado com tonalidades de ritual. Foi sempre assim. Fui sempre assim. Cozinho com a boca e com os olhos. Sou calculista relativamente a cada componente da refeição. Aquisição dos ingredientes, confecção, cerimónia de serviço. Talvez a tarefa que execute com maior primor. Nunca estudei ou trabalhei com tanto preceito quanto o faço em tarefas relativas à cozinha.
Tomo café e fumo o cigarro para dentro da lareira.
Estes dias são… Estes dias são… Não consigo. Não o consigo pronunciar.

Há expressões cuja vida se completa no silêncio.

Uma árvore é uma obra de arte quando recriada em si mesma como conceito para ser metáfora *

banalidades, tardes de Sábado


Arrebatada fito celebrada
atmosfera uma estrela cadente
oh, mais linda dos meus dias
(a regalia de ver)

à mão afigura-se neste colo
porção suficiente de artifícios
espaço imenso daqui degluto
mímicas do romantismo faço
enlaço reinvento à vista
narro brinquedos de fortuna
noite vela gato porcelana
orquídea amor lã árvore
caramelo-baunilha poema raiz.


Photo de Carlos Veríssimo - [da fantasia] Abraça-me III

dedicado


* título de instalação de Alberto Carneiro
(lido no Jornal de Letras nº 972, única refª encontrada na Internet)

som -> Nina Simone, Everyone's gone to the moon

[ silêncio ]

Cometi justiça encarregados os escrúpulos
bens dos haveres reverti dias e ontem.
Expeditamente provei actos sem omissões.

Agora sono enamorada.



[ ar ]

Photobucket


Caso primaveras
ao Inverno

não sou ave
respiro.

.

hábitos e artefactos do resguardo das ideias

Hoje, de manhã e à tarde, muitos trazemos sapatos de verniz. Pretos. A madrugada foi para levantar da tarimba. Hoje colocaram-se muitos fatos do domingo e ajustaram-se nós de gravata que nunca se desfazem, são desaprendidos.
A cautela convencionada do aspecto.
Como as palavras também eleitas a dedo, da consciência.
O cuidado dos pescoços na escolha das palavras: tarefa admirável. É a percepção sublime da guarda à intimidade.

Artefactos do resguardo das ideias privadas.

Apologia dos pescoços.

Há 3 tipos de pescoços neste petiz canto do mundo: I. pescoços cerzidos; II. pescoços esburacados; III. pescoços lisos por fora. A última espécie divide-se ainda em 2 subespécies: a) pescoços lisos por fora e cerzidos por dentro e b) pescoços lisos por fora e esburacados por dentro. Todas as espécies são ruidosas e luminosas.
Verdade: não há silêncio em quaisquer pescoços.

Hoje, à noite, descalçamo-nos neste petiz canto do mundo.


imagem respigada à Alice

palavra tristesse no tempo

Agora não posso escrever isto. Não tenho tempo. (o tempo é a vontade de me levantar) As cartas restantes estão encerradas. Lambi as folhas até cortar a face em pedaços iguais às dores. (encolhi o sono até aos olhos arregalados) Fiquei quieta no corpo. Não tenho tempo para electrificar a voz, não desespero. Espero.

Estou a olhar a impotência a rodos.
(é a história toda sempre assim a circular em fórmulas que não soluciono)

Quisera abraçar a lágrima que está lançada.







Os olhos comeram-me viva
foi bom que acontecesse
desesperava já da náusea
era eu e era a razão dormida
longe de tudo.

O garrote guardou a fúria

aconteceu e eu não sei
como arranjei lidação
concebida a pele agarrou-se
não rebentou

é este calor, é aqui dentro
queima e não dói, mas queima
penso-me parda,
não-lúdica
estou mastigada viva ardo.




auto-retrato [ batalhas ]

limiar

(Estou) aqui
nas respeitosas repetições*.
A constrição recai
nos comprometimentos. Olham-se
de soslaio. Fico a penar
na condição do juízo. Caio
no torpor. Animo-me e __________________imponho as mãos à obra.
(são as vulgares formas das travessias)

Agora, um pouco acordada, tenho
o bloco e o lápis físicos,
inicia a nova passagem.

(tenho medo)
_______________________________________respeitosa repetição.

-> La frontera, Lhasa de Sela

* expressão surripiada ao Paulo

aviso à navegação


Este blog estará inactivo temporariamente para obras, entretanto vou estando por ali e por ali

Olá :)

ah! Deixo-vos esta photo que me tem povoado

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photo de Hyeyoung Kim, que encontrei via Alex

a falta de um poema [ O menosprezo e o brinde à paz. ]

Veio às minhas narinas o cheiro do balcão de mármore limpo da aguardente.
Não gosto do cheiro do pano que o limpou. Enjoo.
Olho para o copo (ou será um cálice? Nunca sei a nomenclatura dos cacaréus de enxoval.). Olho para o copo, os gestos corriqueiros. Inalo o álcool.
Eriçam os pêlos do meu corpo, acabado de engolir mais um. Acendo o cigarro, outro trejeito fútil. Que se lixe, nada de novo.
O que me dana é o garbo destes sítios. Deve de ser genética esta atracção. Bem, daí…
Não sei.
Custa-me um bocado a despedida.
Anseio pela partida.
- Outro, se faz favor.
Olham-me de soslaio. (sou uma carta de fora deste baralho, é mais do que evidente que é excessiva modernice uma mulher a empinar bagaços, ainda por cima encostada ao balcão) Com jeitos de gingão, aceno um brinde.
Há uma prateleira zelosa atrás do balcão exclusivamente dedicada aos ícones religiosos dos donos da taberna. Bonecos de loiça, pequenos folhetos com rezas, orações, súplicas, e preces inscritas e um colar de contas com uma cruz pendurada e o correspondente Salvador espetado. Hoje apetecia-me extravasar.


Não extravaso.


Self-Portrait with Yellow Christ, Paul Gauguin


som->

para ti, bonito

[ a agarrar imagens sem complicações ]

Estou aqui, quieta, a ver se não foge a imagem. Escrevo esta imagem. Estou quieta.
Na casa da praia. Acordei sozinha, devagar. E ainda não articulei palavras. Vesti a camisola por cima da camisa de dormir. Calcei meias grossas. Senti a humidade que não me agrediu. Passei pelo túnel que liga as partes da casa, onde as janelas já haviam sido escancaradas. O cheiro do mar vindo das janelas do lado direito do túnel. O cheiro do pinho vindo das janelas do lado esquerdo do túnel. Chegada à cozinha, encheu-se-me o peito de mais contentamento: o cheiro do café. Fizeste café. Pude abraçar-me às tuas costas a ouvir-te enquanto barravas as torradas com manteiga. Não comi. Trouxe o café para o terraço, onde estou agora. O gato veio atrás de mim e dorme outro sono. Saíste sem me dizer onde vais, onde foste.
Comecei a escrever e parei, num ímpeto a necessidade: deter-me.
Estou quieta a ouvir a música que deixaste a tocar sem me dizeres onde ias. (a ver se não foge a imagem) Acordei sozinha, devagar, e não me pediste palavras. Gosto de ti.

[ longevidade ] [ memória ]

(2ª feira é habitualmente o dia mais longo, ontem confirmou-se, chave na porta às 23horas, prato de sopa à frente da t.v., adormeço sentada, acordo com a voz atordoada do guia. Silêncio.
São 01h30m quando acaba, o corpo não se move. Começa a cantar Zeca Afonso, no coliseu. Silêncio.
Encolhe-se, sem íntimo, o corpo rendido à estranheza de ser. Lapsos. Silêncio.)






Global Days for Darfur
Events from April 23rd-30th

Time is running out for the people of Darfur. Four years of genocidal violence has left over 400,000 dead, 2.5 million innocent civilians displaced, and 4 million men, women, and children completely reliant on international aid for survival. Not since the Rwandan genocide of 1994 has the world seen such a calculated campaign of displacement, starvation, rape, and mass slaughter.

To call attention to the escalating violence and the continued failure of the international community to adequately respond to this crisis, activists across the world have come together to plan Global Days for Darfur". This week of rallies, marches and vigils will run from April 23rd to April 30th and will highlight that "time is running out" for the people of Darfur.

Please support your fellow activists in speaking out for the people of Darfur by joining an event in your area. If there are currently no activities planned in your community, we hope you will consider starting your own event during this important week.


SaveDarfur.org has a post called "Generate Press Coverage" that's worth checking out...

– Segura-me aqui
nos olhos. Volto em instantes. - (Parto a despejar
tristezas emergentes.) – Vou - (vou) (e não indemnizo
do que recebi.)

(E esta azinhaga é bonita.)
(?).
(agora cala-te)

(Não mandes relatos, que daqui não ausculto.)
(Porventura, ainda me seguras os olhos?)

Debato
-me
(Acaso, explicaram-me a lábia do cobro?)

(O saber que adveio, não o sei descolar.
Apanho, cuidadosamente, todos os descartáveis.
Aqui estão.) (Tomem.)
(Renuncio a tudo. Agora.)


E este carreiro é bonito. (Sobram ervas do chão.) Ao regresso,
deitas o xilofone no meu colo(?). Paro e fico

não recuo. Recolho embriões de amarguras pingadas e
esfrego-os nas mãos. (agora cala-te)

(Não mandes relatos, que daqui não ausculto maresia.) Ouve. Agora! São as madeiras a vibrar em acidentes. Auscultas-me? São as mãos a harmonizar-se. Parece-me daqui que jazzam percussões ingénuas. É. É o meu anseio, em cima de teclas alivia-se da chuva na vista. Por acaso, auscultas-me?! É! Está-se aqui. Pedi um favor: não mandem ao ar sabedorias se depois as vêm receber. Não tenho troco. (Porventura, ainda me seguras os olhos?) A música que chegou, jaz(z) aqui. Que fazemos, nesta noite? (Estou a jazzar.) Se quiseres, podemos ver estas naturezas. (Já podes falar.) Sabes, andava cheia de afazeres por completar, chegavam torvelinhos de novidades e eu.
Eu…
… pendurei os braços (Neste momento, deves devolver-me os olhos.) e renuncio à compreensão da outra face da sabedoria. Traz-me uma rockalhada nova. Quero encaixar o direito inalienável ao nada. Que se feda tudo o resto.



Filename: Mules on Route 66 - Arizona [Holga].jpg - 38 Kb


jeff philips

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