sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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de 2011 para 2012 [checklist] [ah e tal as listas são um absurdo... e tal ]

Porque isto não é só fazer as listas, olhando para trás:

Miranda July
1. Olhar o céu mais vezes e dizer que the stars look very different today!
2. Estudar
3. Rir
4. Experimentar a minha bicicleta!
5. Ressuscitar a minha escrita erm... adiantar item para 2012 :P
6. Fazer mais poesia
7. Ler mais poesia
8. Dizer mais poesia
9. Fotografar mais poesia
10. Agarrar os bois pelos cornos
11. Fazer voluntariado, isso, sim, no meu bairro, junto dos velhotes o 1º passo está dado...
12. Rir!
13. E sorrir.
14. Ter as minhas burocracias em dia (será?) (ambiciosa!!!) (estas listas descambam sempre nisto!)
15. Não ter medo do frio
16. Não ter medo do vento, voltar portanto a Sagres meio
17. Não ter medo das alturas erm, resumindo-me à minha insignificância, que tal "aprender a viver com o medo das alturas" :D
18. Escrever cartas de amor
19. Tocar o chão, com os pés descalços
20. Enviar as cartas de amor por correio de verdade erm :D
21. Continuar
22. Continuar a ser verdadeira comigo
23. Continuar assim
 24. E descontinuar
25. Sentir-me digna disto e daquilo :)
26. E dizer em voz alta “Eu não merecia iss(t)o!” ou, batendo os pés, repetir que não, que não merecíamos isto e não, não merecíamos, mas estamos aqui para o que der e vier :)
27. Gerar.
28. Gerar tempo do meu tempo
29. Ouvir mais música
30. Ir atrás de 1 concerto weeee, este ano já há mais!
31. Não poupar dinheiro num bilhete de teatro
32. Poupar dinheiro
33. Gastar o dinheiro
34. Fazer aquela viagem! Sim! :'(
35. Respeitar mais os meus objectos
36. Ser honesta com o meu jardim LOL!
37. Continuar assim – grata, com o peito cheio, sabendo que não é disto que ele vai rebentar
38. Ser mais curiosa (mais, pois claro) :)
39. Deixar ir. De coração ao alto, deixar ir quem precisa de ir. Deixar ir, quiçá esboçando um sorriso farewell! :)
40. Cozinhar mais e mais e mais
41. Rir!
42. Cantar mais e saber que os amigos (ainda assim) estão dispostos a ouvir-me porque faz parte da minha alegria
43. Convidar mais, festejar mais e mais e mais
44. Assinalar devidamente o 25 de Abril sim, sim, foi no hospital! :D hehehe
45. Voltar aos trapos – abrir a máquina de costura - a relíquia, e atrever-me… voltar... eu voltei, só não foi com a relíquia, foi com a fita-cola de tecidos do ikea! :D
46. Ver mais cinema juro que tentei, juro!... mas as pipocas, e as pessoas a enviar sms's e... argh, as pessoas! :S
47. Rever uma série de filmes, nomeadamente o UP! alguns, sim, menos o UP, esqueci-me! :D
48. Retomar (pelo menos) uma amizade que tenha ficado pelo caminho dos dias úteis, da geografia e do tempo que porventura deixámos fugir ;)***
49. Hmm… nadar? Nadar, pois claro! a modos que... não! :D
50. Ser cinto de segurança aos meus amores <3
51. Fazer uma lista de resoluções de ano novo para o trabalho
52. Fazer uma lista de resoluções de ano novo para a escola
53. Aprender a desenhar árvores e pássaros com lápis [blushing]
54. Aprender a pintar árvores e pássaros com aguarela [blushing]
55. Respirar fundo
56. Ir mais vezes à Nazaré nem sei bem... :)
57. Dar mais e mais abraços
58. Rir
59. Tricotar uma manta ou, pelo menos, fazer uma manta com camisolas velhas :P
60. Fazer presentes
61. Visitar a avó Palmira mais vezes, mais vezes, mais vezes
62. Ser mais compreensiva, parar e ser mais compreensiva (digo eu... :P)
63. Acudir, estar com os amores nas aflições
64. Dizer aos amigos, para que saibam, para que tenham certeza, assim mesmo, dizer aos amigos que são da minha família
65. Fazer bem as contas para o inevitável neste ano: comprar um carro(?) (snif-snif) love you, little jazz!
66. Preparar-me para o Verão, para que não surja de rompante como sem avisar
67. E dançar mais
68. Ter certeza de que ele saiba sempre que é muito amado
69. Sim. :)
70. Continuar a manutenção da casa, sempre assim a espaços e com tempo our lady of eternal maintenance :P
71. Arranjar um/a irmã/o para o manjerico… falemos doutro assunto...
72. Encaminhar e seguir encaminhamentos
73. Dormir nas férias digamos que, em 2011, as férias não tiveram tanto sono como em 2010, e ainda bem \o/
74. Não me esquecer recorrentemente de marcar as minhas consultas…
75. Preparar e deixar ficar todos os memoriais de que preciso para sobreviver :)
76. Respeitar os meus rituais :)
77. Ser menos totó quanto as intenções alheias (pois que das minhas intenções sei eu) :D
78. Ser espirituosa, aprender mais com o meu pai, a minha mana e o meu amor, e também com o pequeno amor 
79. Saber mais, conhecer mais coisas sobre o mundo, a natureza, os bichos
80. Seguir os meus instintos
81. Continuar a casar-me todos os dias
82. Rir hoje, não deixar para amanhã
83. Criar
84. Aprender a escrever dentro do novo acordo ortográfico oops!
85. Aprender a distinguir melhor do que devo e/ou não devo desistir erm, num sei dizer...
86. Ser mais persistente, contra o medo ser mais persistente
87. Retomar o mealheiro interrompido LOL!
88. Mais e mais, aprender e ensinar com os sobrinhos e ademais petizes da minha vida
89. Pedir desculpas
90. Aprender e/ou aperfeiçoar outra(s) línguas oui oui!
91. Rir
92. Ser ambiciosa, independentemente do alvo da ambição, ser ambiciosa por acaso... :)
93. Construir a minha árvore, com raízes
94. Comprar umas running-shoes!
95. Passar mais dias na Zambujeira
96. Banhar-me mais no mar e no sol foi tão bom! :D
97. Rezar. Usar as minhas orações.
98. Não dar esta lista por encerrada
99. Não stressar por não cumprir esta lista
100. Amar acreditando.

"but I like surprises" :) [da série mais uma cabeça que vai fazer (muita) falta]


“[All religions] make the same mistake. They all take the only real faculty we have that distinguishes us from other primates, and from other animals—the faculty of reason, and the willingness to take any risk that reason demands of us—and they replace that with the idea that faith is a virtue. If I could change just one thing, it would be to dissociate the idea of faith from virtue—now and for good—and to expose it for what it is: a servile weakness, a refuge in cowardice, and a willingness to follow, with credulity, people who are in the highest degree unscrupulous.”


"I am not even an atheist so much as I am an antitheist; I not only maintain that all religions are versions of the same untruth, but I hold that the influence of churches and the effect of religious belief is positively harmful. Reviewing the false claims of religion, I do not wish, as some sentimental materialists affect to wish, that they were true. I do not envy believers their faith. I am relieved to think that the whole story is a sinister fairy tale; life would be miserable if what the faithful affirmed was actually the case."

Christopher Eric Hitchens

discurso sobejamente conhecido, copiado da caixa de comentários do arrastão
+
um "comentário" que me fez sorrir:

«Se existe e se é um arquitecto, ou estava com uma alcolémia do caralho naquela semana (a única) em que trabalhou, ou é uma criatura depravada, provavelmente tocador de harpa e pirómano, que quis construir um Coliseum. Turek é o estereótipo do republicano americano, um bocadinho mais inteligente e menos ridículo que Sara Pahlin, mas igualmente agressivo. Faz-me lembrar o pessoal da seita que costumava bater-me à porta e que me queria vender uma Bíbia...a deles, aquela que salvava mais branco, incitando-me a entrar na arca...deles, porque isto vai tudo pó gallheiro em 2012 e só se vão salvar os eleitos, os puros, ou seja...eles. Estes servos de um senhor que fez um filho à mulher de um carpinteiro, através de uma estranhíssima delegação do direito de pernada, são escravos (como muito bem lhes chamou Hitchens) obcecados pela ideia da pureza, ideia que como sabemos é politicamente perigosa, e muito chata em patologia clínica porque leva as pessoas a lavar as mãos de 5 em 5 minutos, e a fazer rectoscopias uma vez por mês. Durante todo o debate, Turek usou o argumento da pureza de deus versus a impureza dos seres humanos, esses criados que nunca estiveram  nem nunca virão a estar à altura do criador (…”the problem is not cristhianism; the problem are the cristhians").  Nada tenho contra o  sentimento religioso. Acho que cada um fuma aquilo que quiser, e fala com os deuses ou deusas que entender e que o atenderem. Mas não vejo onde possa estar a contradição - que a pergunta que veio da plateia insinua - em ser ateu e estar interessado no estudo destas matérias.»

A VIDA QUE NÃO VIVI

Quando, à minha volta, as pessoas se envolvem em discussões mais ou menos inflamadas sobre quem é quem, quem foi o quê, lembro-me sempre de Jesus Cristo na cruz e de Lenine na tumba. Mortos, nada mais que mortos, vamos todos tentando justificar a vida com altercações inconsequentes. Daqui a nada estamos enterrados. E depois ninguém poderá queixar-se da vida que não viveu.

por Henrique n'Antologia do Esquecimento

(hei-de ser o teu cinto de segurança até ao fim das minhas forças)

deixando o “sentido literal” do vídeo de lado...
por vezes é assim mesmo, 
passamos pela vida a fazer de cinto uns aos outros... 
vamos conduzindo, olhamos a paisagem 
e subitamente quando voltamos a olhar a estrada
a vida está em modo de "despiste"

(do que fica colado na face de dentro de se ser)



















Ouvi
a palavra desGosto
tornar-se no sentimento
desgosto pronunciado
entre dois silêncios.















groundlevel and below [ moods, talks & walks ]

fotografia de Salamandrine aka Sandra Ferrás aka Dolphin.s

Here come greetings from the fires of dusk
From all the places you never dare to walk
You never saw the silent battle zones
Beneath your towers and beyond your gardens

Was born a walker
Into this world I walk

And what's to miss about the old ball-and-chain
Imaginary top-of-the-foodchain-ways
I've found more truth in a cheap bottle of wine
I've found more life by a burning barrel

Was born a walker
Into this world I stalk

Run now, my friend
If you think you are free
Duck my friend, and cover
If you think you are safe


Here come greetings from the fires of dusk
From all the thoughts you never dared to think
From all the choices you'll never dare to make
Just a postcard from groundlevel and below

Postcard de Anywhen

(the last but not the least)

este bando selecto de 77 000 000 000 de idiotas de primeira apanha

Sorvendo a borra da sua própria chávena, Sabbath levantou finalmente o olhar do submerso erro crasso que era o seu passado. Por acaso o presente também estava em curso, construído dia e noite como os navio-transporte de tropas em Perth Amboy durante a guerra, o venerável presente que recua até à Antiguidade e prossegue a direito da Renascença até hoje – era a esse presente sempre-a-começar e interminável que Sabbath renunciava. Acha repugnante a sua inexauribilidade. Só por isso devia morrer. E depois, que importa que tenha levado uma vida estúpida? Qualquer pessoa com alguma inteligência sabe que está a levar uma vida estúpida mesmo enquanto está a levá-la. Qualquer pessoa com alguma inteligência compreende que está destinada a levar uma vida estúpida porque não há outra espécie de vida. Não existe nada de pessoal nisso. No entanto, lágrimas infantis marejam os seus olhos quando Mickey Sabbath – sim o Mickey Sabbath, daquele bando selecto de setenta e sete mil milhões de idiotas de primeira apanha que constituem a história humana – diz adeus à sua unicidade com um meio entaramelado e profundamente dolorido «Quem liga a mínima?».

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000


fotografia de cj aka Monsieur Bonirre in pescada nº5

(curtas de Mickey Sabbath)

Porra, acontecia sempre alguma coisa para levar as pessoas a continuarem a viver!

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

(curtas de Mickey Sabbath)

Não, a vida humana não pode ser extinta. Ninguém seria capaz de inventar nada parecido, outra vez.

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

entretenimento

Eram inumeráveis todos os grandes pensamentos que não entendera; o que ele não tinha para dizer acerca do significado da sua vida era um poço sem fundo. E uma coisa divertida é supérflua – o suicídio é divertido. Não são muitos os que têm consciência disso. Não é instigado pelo desespero ou pela vingança, não nasce da loucura, ou da amargura, ou da humilhação, não é um homicídio camuflado ou uma demonstração grandiosa de auto-abominação: é o retoque final da anedota em voga. Ele considerar-se-ia um falhado ainda maior se se apagasse de qualquer outro modo. Para alguém que adora uma piada, o suicídio é indispensável. Para um fantocheiro, especialmente, não há nada mais natural; desaparecer atrás do biombo, enfiar a mão e, em vez de actuar como ele próprio, acabar como o fantoche. Pensem nisso. Não há nenhuma outra maneira mais absolutamente divertida de partir. Um homem que quer morrer. Um ser vivo que escolhe a morte. Isso é entretenimento.

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000


Attempted suicide machine de Makato Aida
2001

(curtas de Mickey Sabbath)

A incapacidade de morrer. Ir ficando, em vez disso. Este pensamento excitou intensamente Sabbath: a perversa insensatez de permanecer, de não ir.

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

Mickey Sabbath, esse schmuck colossal

As parvoíces em que temos de nos meter para chegarmos onde temos de chegar, a extensão dos erros que precisamos de fazer! Se nos informassem antecipadamente de todos os erros, diríamos não, não posso fazer isso, têm de arranjar outro qualquer, eu sou demasiado esperto para fazer essas asneiras. E responder-nos-iam, nós temos confiança, não te preocupes, e nós responderíamos não, nada feito, precisam de um schmuck muito maior do que eu, mas eles repetiriam que têm confiança que somos a pessoa indicada, de que evoluiremos para um schmuck colossal mais conscienciosamente do que podemos começar sequer a imaginar, de que cometeremos os erros numa escala que nem podemos sonhar agora: porque não existe nenhuma outra maneira de atingir o fim.

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000


imagem: still dessa maravilha da natureza que é o Johnny Deep no filme Dead Man de Jim Jarmusch... memória reavivada n'A Natureza do Mal

o sentido da vida

Estranho. A única coisa em que pensas é que ela morreu. Isso até se aplica aos mortos. Eu aqui em cima, na claridade e no quente e, quilhado como estou, com cinco sentidos, um cérebro e oito tipos de compotas – e os mortos mortos. A realidade imediata está do lado de fora daquela janela; é tão grande, é tanta, tudo enredado em tudo o mais… que grande pensamento se esforça Sabbath por exprimir? Está a perguntar: «Que aconteceu à minha própria vida genuína?» Estaria a ser vivida noutro lugar? Mas nesse caso como é possível olhar para fora desta janela seja tão colossalmente real? Bem, essa é a diferença entre o verdadeiro e o real. Nós não chegamos a viver na verdade. Foi por isso que Nikki fugiu. Era uma idealista, uma comovedora, inocente e talentosa ilusionista que queria viver na verdade. Bem, se a encontraste, miúda, foste a primeira. De acordo com a minha experiência, o sentido da vida vai na direcção da incoerência – precisamente o que nunca quiseste enfrentar. Talvez essa tenha sido a única coisa coerente que te ocorreu fazer: morrer para recusares a incoerência.

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000



fotografia de Carlos Veríssimo

(boas noites) (curtas de Mickey Sabbath)

O excesso desenfreado não conhece limites em si, mas eu padeço de uma grave predilecção por não arruinar a minha vida.

in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000

fantoche!

A lei da vida: instabilidade. Para cada pensamento um contrapensamento, para cada anseio um contra-anseio. Não admira que um tipo dê em maluco e morra ou decida desaparecer. Anseios a mais, e isso não é sequer um décimo da história. (…) o cérebro de mais ninguém trabalha assim? Não acredito. Isto é um envelhecimento puro e simples, a hilaridade autodestruidora da última montanha-russa. Sabbath encontra o seu igual: a vida. O fantoche és tu. O truão grotesco és tu. Tu és Punch, artolas, o fantoche que brinca com tabus!


in Teatro de Sabbath de Philip Roth
Publicações dom Quixote, Colecção Ficção universal
2000


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imagem do novo look da yorn