sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com

não, obrigada

fui ver o que dizem, li muita coisa, fiz até a tontice deste exercício, responder às questões do movimento nao-obrigada
o movimento apresenta o seu manifesto a roxo e cor-de-rosa, respondo a preto neste branco

1. O aborto encontra-se despenalizado em Portugal desde 1984. A lei actual permite o aborto nos casos de perigo de vida da mãe, razões de saúde física e psíquica da mãe, malformação e inviabilidade do feto e violação. Neste referendo o que está em causa não é a despenalização do aborto. Alterar a lei para quê?

Para impedir que mulheres não sejam humilhadas e presas por exercerem o direito de opção ao encontrar-se numa situação não desejada por si. Eu não serei a praticante de demagogia perante uma mulher adulta que terá reflectido sobre os seus motivos ao decidir não ter um filho não-planeado. Circunstâncias indesejadas acontecem e devem ser resolvidas, havendo meios para isso.

2. O progresso e a evolução da ciência permitem hoje um conhecimento e acompanhamento do desenvolvimento do feto no seio materno acessível a todos. O feto não é um ente oculto, mas um ser humano conhecido e directamente observável. Como justificar a liberalização do aborto?

A lei vigente permite o aborto em determinadas situações, então… vai contra a vida também, então… a actual lei já permite o aborto, assim pode dizer-se que a lei não defende um ser humano conhecido e directamente observável. Talvez o passo seguinte dos movimentos do NÃO seja a alteração da actual lei para a total penalização(?!)

3. A lei submetida a referendo estabelece a liberalização total do aborto até às 10 semanas, deixando o Estado de reconhecer qualquer protecção legal ao ser humano até esse momento. Neste referendo o que está em causa é a liberalização total do aborto. Esta é uma opção de uma sociedade solidária?

Pela definição que estou a entender neste contexto, não, de facto, há que fazer um movimento pela penalização total do aborto… já agora, e as crianças cujos pais abortaram por saber que seriam portadoras (a nascer, claro) de trissomia 21? E as crianças inocentes só porque o pai violou a mãe? São menos vida, senhores do NÃO à despenalização?

4. A lei que vai ser referendada consagra o aborto livre, por opção da mulher, feito gratuitamente em hospital público do Serviço Nacional de Saúde ou em clínica privada financiada com os impostos pagos pelos contribuintes. O aborto deve ser financiado pelos contribuintes?

O aborto já é financiado pelos contribuintes, assim como tratamento de mulheres com complicações após abortos realizados na clandestinidade.

Os custos de julgamento e prisão de mulheres que realizaram abortos financiados pelos contribuintes?

5. O aborto tem efeitos destrutivos na vida das mulheres, deixando muitas vezes danos físicos e psíquicos irreversíveis. O aborto é uma falsa solução. O aborto é uma solução para a mulher?

Bem, segundo este pressuposto… Proíba-se então TOTALMENTE o aborto… seja quais for as condições.

Danos físicos e psíquicos irreversíveis? Cuidado com as generalizações e manipulação da informação.

E a obrigação a uma situação de vida irreversível?

6. A protecção e promoção da mulher, o apoio à maternidade e à família e uma aposta no planeamento familiar responsável são as respostas adequadas ao drama do aborto e às suas causas profundas. São estas as prioridades para o estado?

Não deveriam ser?

7. A experiência dos países onde o aborto a pedido é legal mostra que a liberalização determinou um aumento generalizado do número total de abortos e não eliminou os problemas económicos e sociais que estão na sua origem. A liberalização do aborto resolve algum problema económico ou social?

Resolve SIM, a exposição pública e humilhação de mulheres que decidiram e agiram segundo sua própria consciência com a agravante de serem punidas (isto se os juízes aplicarem a lei, que é o que eu espero que um juiz faça, seja qual for a sua – e a minha - opinião enquanto cidadão: aplicar a lei vigente)

A penalização do aborto resolve algum problema económico ou social?

nota: acho curiosos esses números que revelam a quantidade de aborto clandestinos realizados…

8. A rede de solidariedade e de apoio social criada desde 1998 pelos apoiantes do NÃO estende todos os dias uma mão amiga às mulheres grávidas que se sentem sós e precisam de ajuda. O que tem feito o Estado?

Essa rede de solidariedade e apoio social financia a vida das crianças das mães pobres?

Essa rede de solidariedade e apoio social, lamento mas não serve para mim, pois parte do pressuposto de que a mulher tem de manter a gravidez indesejada, a única solução que considera é a manutenção da gravidez em causa, não respeita a capacidade de decisão da mulher sobre a sua vida e pode ser muito danosa na manipulação das mulheres.

Essa rede de solidariedade e apoio social não respeita a mulher enquanto ser consciente e responsável.

O Estado? Desejo que eduque os jovens, não desejo, de todo, que o Estado tenha uma acção demagógica sobre decisões da minha vida como tem essa… rede.

9. A lei que vai ser referendada cria um quadro legal que ignora por completo o papel do homem, excluindo-o de qualquer intervenção na decisão sobre a continuação da gravidez. Paridade e igualdade de direitos entre homem e mulher?

Só faltava isso na minha liberdade. Sou solidária com o desgosto que possa ser para um homem não poder interferir na decisão, mas, já agora… paridade e igualdade de direitos é uma mulher ter um filho indesejado porque o homem não concorda com o referido aborto? Era mesmo só que faltava nos meus deveres de cidadã.

10. A liberalização do aborto promove o facilitismo e a desresponsabilização numa sociedade que se pretende mais solidária e comprometida com o bem comum. O aborto livre promove uma sociedade mais justa?

A despenalização do aborto não promove o facilitismo e a desresponsabilização, mas promove a possibilidade de legalizar a realidade já existente dignificando as mulheres obrigadas a agir em clandestinidade, façam o favor de não chamar irresponsáveis às mulheres activas e contribuintes deste país. Uma sociedade que se pretende mais “solidária e comprometida com o bem comum” não é demagógica e assume que existem situações indesejáveis que ocorrem às pessoas, essa sociedade não deverá obrigar as pessoas a prosseguir com essas situações indesejadas se existe a possibilidade de solucionar as mesmas.

Por estas razões, a Plataforma defende que neste referendo os portugueses devem:

Dizer não à alteração da lei do aborto - Eu digo SIM

Dizer não à liberalização total do aborto até às 10 semanas - Eu digo SIM

Contribuir para uma sociedade que proteja a vida do nascituro - E a protecção da vida da mulher que já existe?

Impedir que o Estado aplique impostos a financiar o aborto - Com que dinheiro são pagos os cuidados a mulheres que realizaram abortos clandestinos e que sofreram complicações? Já agora, retire-se esse financiamento, não?

Impedir que as mulheres sofram danos físicos e psíquicos - E os danos por se ser obrigado a seguir um rumo de vida que poderia ser alterado, não se considera?

Promover a protecção da mulher e o apoio à maternidade - Concordo plenamente. Mas isso o que tem a ver com o facto de existir mulheres que desejam abortar… em legalidade?

Promover o planeamento familiar responsável - Concordo plenamente. Mas isso o que tem a ver com o facto de existir mulheres que desejam abortar… em legalidade?

Contribuir para que o número de abortos não aumente - Concordo plenamente. Mas isso o que tem a ver com o facto de existir mulheres que desejam abortar… em legalidade?

Apoiar a intervenção de instituições de ajuda às mulheres grávidas - Concordo, embora ache que é obrigação do Estado essa função directa. Mas isso o que tem a ver com o facto de existir mulheres que desejam abortar… em legalidade?

Promover a igualdade do pai e da mãe na decisão sobre a gravidez - Tirar o direito da mulher à decisão soberana sobre o seu corpo e deixá-la subjugada à vontade do homem, portanto.

Resistir ao facilitismo e à desresponsabilização da sociedade perante a maternidade -

Demagogia e hipocrisia? Agora digo eu: NÃO, obrigada.

Lendo as razões do NÃO à despenalização do aborto chego a duas conclusões:
#1 embora seja muito complexa a questão do aborto, sou, definitivamente, a favor da sua despenalização
#2 afinal, a principal tarefa dos movimentos do NÃO deveria ser a proposta da total penalização do aborto.

3 comentários:

rui disse...

aborto intelectual é o que as campanhas do sim e do não andam a fazer. Verborreia mental chamo ao lixo palavrático que se gera à volta do assunto e que não adianta nada.
Só me resta brincar e rir, sempre retiro alguma utilidade do tema

marta disse...

Espero que não te importes mas linkei este teu exercício, porque subscrevo na íntegra a tua posição, e acho que isto deve ser lido. Obrigada.

margarete disse...

use os pesos e medidas que a sua consciência lhe permita para apelidar as coisas, é como desejar, Rui
divirta-se, faz bem

claro que não, Marta :)
bem que abri a mente às argumentações do 'não', na verdade, desde que este "festival" começou, ou antes, desde que a Assembleia da República passou a batata quente para o povo que nunca visitei um único site de movimentos do 'sim', mas não há volta a dar ou voto sim ou me assumo hipócrita