sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com

Ouve o não dela

post surripiado ao Luís



Em França, compreensivelmente, a questão do assédio ocupa as páginas dos principais jornais. Os franceses e as francesas acordaram para o tema. Os jornalistas organizam dossiers onde, em regra, se pede legislação mais penalizante para o assédio sexual, sobretudo nas empresas.
O tom é inflamado, auto-punitivo e ingénuo. No Libération uma rapariga contava que se tinha queixado ao patrão porque “há 4 meses que não paravam de lhe olhar para as nádegas”. O patrão tinha-lhe dito que ela se devia sentir orgulhosa pelo facto. O destaque dado pelo jornal mostra que o comentário do patrão devia ser criminalizado, ou os olhares dos colegas da queixosa, ou ambos, ou todos. O facto mais interessante, o que é que aconteceu há 4 meses, não era explicado.
O tom do correspondente do Expresso em Paris, era semelhante. Com tanta unaminidade virtuosa custa a crer que o assédio sexual seja um problema, entre os gauleses.
Felizmente há quem, em Portugal, ponha o dedo certeiro no coração do assédio (ou lá no centro que o comanda). Assédio é quando um não ouve o não do outro, dizem as galdérias.
E felizmente, embora isto geralmente não tenha piada, elas sabem dizê-lo.

SLUTwalk Lisboa - 25 de Junho, 17h30
Caminhando desde o Largo de Camões (17.30h) até ao Rossio

MANIFESTO
Slutwalk* Lisboa - pela auto-determinação sexual em todas as circunstâncias

*SLUT, galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil

Em Janeiro de 2011 um polícia afirmou em Toronto que as mulheres devem evitar vestir-se de forma provocante se não quiserem ser violadas. A SLUTwalk Lisboa junta-se à vaga de indignação que esta afirmação causou um pouco por todo o mundo.

Recusamos totalmente a culpabilização das mulheres face a situações de violência sexual. Mude-se as leis, mude-se quem agride. Mude-se a cultura patriarcal que diz às mulheres para não serem violadas, em vez de dizer aos homens para não violarem.

Mude-se a moral dominante, onde SLUTs são todas as mulheres que não se limitam à sexualidade heterossexual, monogâmica e reprodutora.

Se SLUT - galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil - é uma mulher que decide sobre o seu corpo, sobre a sua sexualidade, e que procura prazer, então, somos SLUTs, sim!

Não queremos piropos sexistas, não queremos paternalismo, não queremos violência sexual. Dizemos não, por mais cidadania. Dizemos não, por mais democracia. Dizemos não, por mais liberdade.

Se ponho um decote... Não é Não!
Se pus aquelas calças de que tanto gostas... Não é Não!
Se uso burqa... Não é Não!
Se durmo com quem me apetece... Não é Não!
Se passo naquela rua... Não é Não!
Se vamos para os copos... Não é Não!
Se me sinto vulnerável... Não é Não!
Se sou deficiente... Não é Não!
Se saio com xs maiores galdérixs...Não é Não!
Se ontem dormi contigo... Não é Não!
Se sou trabalhadora sexual... Não é Não!
Se és meu chefe... Não é Não!
Se somos casadxs, companheirxs, namoradxs... Não é Não!
Se sou tua paciente... Não é Não!
Se sou tua parente... Não é Não!
Se tenho relações poliamorosas... Não é Não!
Se sou empregada de hotel... Não é Não!
Se tens dúvidas se aquilo foi um sim, então... Não é Não!
Se não entendes a língua que eu falo... Não é Não!
Se beijo outra mulher no meio da rua... Não é Não!
Se tenho mamas e pila... Não é Não!
Se disse sim e já não me apetece... Não é Não!
Se adoro ver pornografia... Não é Não!
Se ando à boleia... Não é Não!
Se estamos numa festa swing, numa sex party ou numa cena BDSM... Não é Não!
Se já abrimos o preservativo... Não é Não!

NÃO é sempre NÃO. Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas porque sabemos o que queremos e sabemos ser claras.

1 comentário:

Acordem disse...

Muito bem, o não deve ser sempre não!