sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com

trabalho de parto

Claro que podes!, disseste alegre. Prefiro vinho, respondi. Um privilégio. Já é Domingo, são zero horas e cinco minutos do dia 25 de Outubro. Comprei um livro, chama-se "A mãe"*. Ler-me-ás um texto depois de te servires de mais vinho, eu oiço os goles de vinho a descer no teu copo e desejo que te saiba bem.

Quando quiseres, começa a ler quando quiseres, eu oiço. Posso ir escrevendo, se necessitar. Trata-se da maternidade, o tema é a maternidade ela própria. E sabemos que é uma evidência. Geometria, afinal. E eu interrompo para dizer que tenho para mim que o ser sobrevive sem os seus objectos. Mas não sem dispneia. E exemplifico com um episódio real:

No emaranhado de cabelos que retiro diariamente da escova, hoje havia um cabelo branco, enorme. Fiquei sem saber se haveria de iniciar alguma arritmia respiratória ou apenas, com a naturalidade que se exige, receber o acontecimento. Um cabelo branco, longo, caiu. Agora, sobrevivo.



…E eu que pensava possuir apenas cabelos brancos na zona temporal esquerda, curtos. No máximo com 6 cm. Mas não, havia por aqui um cabelo branco longo. Agora a suspeita: quantos mais destes clandestinos haverá pelo meu couro cabeludo?
rego_crivellis_garden.jpg
Paula Rego
* Gorki

escrito na cozinha,
Marta
Blimunda (aqui e ali)






quina, sempre
(sempre é uma palavra forte dentro da mulher )

2 comentários:

c disse...

:)

Menina Limão disse...

Eu aos 21 anos já tinha 4 compridotes, não te queixes.