sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com

uma falha

tenho falhado em deixar-vos aqui o link do blog-revelação-dos-últimos-tempos:

tem livros, obviamente
é fútil, comme il faut


tem conselhos à medida do freguês

tem fregueses decididos:

Freguesa coloca Kama Sutra sobre o balcão.
Livreira Anarquista: Quer que faça embrulho?
Freguesa: Não, é para usar já.

How To Help

clicar para ajudar

"We will punish the guilty. 
The punishment will be more generosity, more tolerance, more democracy."

Mayor of Oslo, Fabian Stang

extraordinário!

me too :)

via http://www.postsecret.com/

Na senda da genuinidade

Pensei noutros lugares, e pensei no que esquecia. E depois acerca da liberdade e ainda assim não trouxe uma pasta com conclusões nem adendas. Senti sufoco. Trouxe a diversidade para dentro de casa, sentei-a e fiquei a olhar. Não me consegui decidir se o mais importante era fazer perguntas ou tentar responder a elas, é sempre uma decisão muito difícil. Olhei para trás e percebi que não conseguia ver tudo (tudo é como-quem-diz) fiquei um bocado decepcionada, confesso, contava com isto para fazer um balanço. Encontro-me estável agora, já não sufoco e devolvi a bandeja que me ofereciam com a oração: tomai estas regras e uni as mãos.

Tive de me obrigar a quietude. Senti-me acordar quando ouvi o hino sobre a família. Voltei à quietude quando me lembrei que alguém poderia solicitar-me a definição de família. Senti-me acordar de novo ao som desse tema, agora em repetição, que é assim que sinto, repetição-após-repetição, para conseguir atingir uma nota mediana na aprendizagem. Ao acordar, algo ainda sufocava cá dentro, evoquei coisas que pensei serem citações com direito a autor. Eis quando percebo que, ao sentir o alívio do sufoco, não se trata de citações com dono nem estas têm de estar de acordo com a sintaxe original, desde que rimem com o hino: Ser-se amado por alguém, é existir em segurança na sua liberdade.


música ao Sábado [em actualização até às 24h]

5 e picos


6 e picos


7h e picos


10h e picos


12h e picos



13h e picos


15h30


16h50


17h30


17h45


19h e picos


quase 20h


20h e picos


20h59


21h30


hora cinderela


Jamais a ordem como quem ordena [sábado, dia 18, 22:00]

Ouve o não dela

post surripiado ao Luís



Em França, compreensivelmente, a questão do assédio ocupa as páginas dos principais jornais. Os franceses e as francesas acordaram para o tema. Os jornalistas organizam dossiers onde, em regra, se pede legislação mais penalizante para o assédio sexual, sobretudo nas empresas.
O tom é inflamado, auto-punitivo e ingénuo. No Libération uma rapariga contava que se tinha queixado ao patrão porque “há 4 meses que não paravam de lhe olhar para as nádegas”. O patrão tinha-lhe dito que ela se devia sentir orgulhosa pelo facto. O destaque dado pelo jornal mostra que o comentário do patrão devia ser criminalizado, ou os olhares dos colegas da queixosa, ou ambos, ou todos. O facto mais interessante, o que é que aconteceu há 4 meses, não era explicado.
O tom do correspondente do Expresso em Paris, era semelhante. Com tanta unaminidade virtuosa custa a crer que o assédio sexual seja um problema, entre os gauleses.
Felizmente há quem, em Portugal, ponha o dedo certeiro no coração do assédio (ou lá no centro que o comanda). Assédio é quando um não ouve o não do outro, dizem as galdérias.
E felizmente, embora isto geralmente não tenha piada, elas sabem dizê-lo.

SLUTwalk Lisboa - 25 de Junho, 17h30
Caminhando desde o Largo de Camões (17.30h) até ao Rossio

MANIFESTO
Slutwalk* Lisboa - pela auto-determinação sexual em todas as circunstâncias

*SLUT, galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil

Em Janeiro de 2011 um polícia afirmou em Toronto que as mulheres devem evitar vestir-se de forma provocante se não quiserem ser violadas. A SLUTwalk Lisboa junta-se à vaga de indignação que esta afirmação causou um pouco por todo o mundo.

Recusamos totalmente a culpabilização das mulheres face a situações de violência sexual. Mude-se as leis, mude-se quem agride. Mude-se a cultura patriarcal que diz às mulheres para não serem violadas, em vez de dizer aos homens para não violarem.

Mude-se a moral dominante, onde SLUTs são todas as mulheres que não se limitam à sexualidade heterossexual, monogâmica e reprodutora.

Se SLUT - galdéria, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil - é uma mulher que decide sobre o seu corpo, sobre a sua sexualidade, e que procura prazer, então, somos SLUTs, sim!

Não queremos piropos sexistas, não queremos paternalismo, não queremos violência sexual. Dizemos não, por mais cidadania. Dizemos não, por mais democracia. Dizemos não, por mais liberdade.

Se ponho um decote... Não é Não!
Se pus aquelas calças de que tanto gostas... Não é Não!
Se uso burqa... Não é Não!
Se durmo com quem me apetece... Não é Não!
Se passo naquela rua... Não é Não!
Se vamos para os copos... Não é Não!
Se me sinto vulnerável... Não é Não!
Se sou deficiente... Não é Não!
Se saio com xs maiores galdérixs...Não é Não!
Se ontem dormi contigo... Não é Não!
Se sou trabalhadora sexual... Não é Não!
Se és meu chefe... Não é Não!
Se somos casadxs, companheirxs, namoradxs... Não é Não!
Se sou tua paciente... Não é Não!
Se sou tua parente... Não é Não!
Se tenho relações poliamorosas... Não é Não!
Se sou empregada de hotel... Não é Não!
Se tens dúvidas se aquilo foi um sim, então... Não é Não!
Se não entendes a língua que eu falo... Não é Não!
Se beijo outra mulher no meio da rua... Não é Não!
Se tenho mamas e pila... Não é Não!
Se disse sim e já não me apetece... Não é Não!
Se adoro ver pornografia... Não é Não!
Se ando à boleia... Não é Não!
Se estamos numa festa swing, numa sex party ou numa cena BDSM... Não é Não!
Se já abrimos o preservativo... Não é Não!

NÃO é sempre NÃO. Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas porque sabemos o que queremos e sabemos ser claras.

[ dias assim ]




estaremos cá, para o que der e vier
dar uma mãozinha
(e quem diz uma mãozinha, diz um ombro... ou até os braços em abraço)

tecto Primavera

via Marie Claire Maison

chocolate cupcakes & blueberries


via flickr

only love can do that

I mourn the loss of thousands of precious lives, but I will not rejoice in the death of one, not even an enemy. Returning hate for hate multiplies hate, adding deeper darkness to a night already devoid of stars. Darkness cannot drive out darkness: only light can do that. Hate cannot drive out hate: only love can do that.





Martin Luther King, Jr.

primavera, poesia, árvore




Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.

(Vontade de ser barco ou de cantar.)


Eugénio de Andrade

convite

mais uma colectiva, desta vez para inaugurar o espaço INTERZONA, onde decorrerão periodicamente exposições de fotografia e afins dos pescada nº5 e seus convidados. Venham daí!

things about little tears

-----Tweet-----
My Grandfather's sick (but cute) voice is still on my Grandmother's voicemail. He was a proud marine. I call if she's gone, smile/cry.

 

O Henrique n'Alice

Sinto que com a maior das facilidades se promove muita porcaria e que dificilmente alguém fora dos meios convencionais de produção, seja daquilo que for, consegue ver o seu mérito reconhecido ou a sua falta de mérito convenientemente criticada.

texto integral aqui

Não creio que a coisa melhor do Homem seja ser normal


"Não creio que a coisa melhor do Homem seja ser normal. Como também não me parece que a melhor fruta do mundo seja normalizada, como aquela que Portugal está aí agora a importar e que a CEE vai continuar a obrigar a importar"


‎"Se é sua ideia que eu posso ajudar a resolver alguma coisa está inteiramente enganado. Eu posso ajudá-lo em o meu amigo tomar cuidado em não resolver coisa nenhuma. (...) Por dois lados, para não fechar a porta ao Futuro: Toda a pessoa qu...e tomou uma resolução não quer saber de mais nada daquilo que venha depois, pode não se emendar de coisas que seriam mázinhas para a sua vida. Em segundo lugar, porque a pessoa resolveu qualquer coisa é quase meio passo para estabelecer uma Inquisição qualquer, com a qual quer obrigar todos os outros a serem como ele e a chegarem à mesma verdade."




"A Saudade supõe ausência, se eu nunca estou ausente de mim, como vou ter Saudades?"




«provavelmente toda a nossa vida é poesia (...) quando acabássemos, as pessoas dizerem "Morreu um poema."»




Mestre de filosofia
com mais saber e engenho
meu gato mia.

---------------------------------

Jorra a fonte suas águas
indiferente ao da sede
como o da sede das águas
é à fonte indiferente
não à sede
mas como custa ser fonte
pronta a dar sua água à sede
de indiferente
quando se é fonte e tem sede.


Agostinho da Silva in Uns poemas de Agostinho da Silva

a menina dança... com o seu papi!

E com a sua mami e com a sua mana, e com o seu C, e com o seu B, e com a sua S, e com a sua A...
basicamente, hoje, a m’nina dança com todas as suas letras do alfabeto!

hip hip hurra!



e diz "obrigada" à boa gente do IPO de CoimbraO B R I G A D A!


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.


A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.


Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem


Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes

(: :)

via Post Secret

allo allo marciano, aqui quem fala é da Terra! *

mais um roubo ao oblogouavida
* Elis Regina

2ª versão da ignomínia [ daddy cool ]

com mais um post roubado e reproduzido na íntegra

«Esta é a minha senhora. Trabalhou praticamente a vida toda. Sabe qual é a reforma dela? Não chega a 800€/mês. Foi professora em Moçambique e em Portugal, nunca descobriram a reforma dela. Portanto depende de mim, tenho de trabalhar para ela. Mas como ela está sempre ao meu lado e não atrás, merece a minha ajuda»
Cavaco Silva, candidato a presidente de uma república em que o salário mínimo ainda não chega aos 500€.


pronto, com a notícia abaixo inicio os meus 50 cêntimos de campanha :S [ militância anti-Cavaco ]

com um post roubado :D




«Esta é a minha senhora. Esta senhora trabalhou praticamente a vida toda. Sabe qual é a reforma dela? Não chega a 800 euros por mês. Foi professora em Moçambique, em Portugal, nunca descobriram a reforma dela. Portanto depende de mim, tenho de trabalhar para ela.
Mas como ela está sempre ao meu lado e não atrás, merece a minha ajuda.»



Cavaco em Ponte de Lima

post de Monsieur Bonirre n'A Natureza do Mal

nova sondagem dá vitória larga a Cavaco à primeira volta

O Barómetro TSF/”Diário Económico”/Marktest 
dá hoje uma vitória de Cavaco Silva à primeira volta 
nas eleições presidenciais, 
com 61,5 por cento dos votos, 
contra 15 por cento dos votos recolhidos por Manuel Alegre.
Segundo esta recolha de opinião, Cavaco tem uma vantagem de mais de 46 pontos sobre Manuel Alegre, que surge com uma curta vantagem sobre Fernando Nobre.
O candidato apoiado pelo PS e Bloco de Esquerda fica com uma escassa vantagem sobre Fernando Nobre, que junta 12,7 de pontos percentuais.
Francisco Lopes soma 3,3 por cento das preferências, enquanto que José Manuel Coelho garante 2,1 por cento, o que o coloca à frente de Defensor Moura, que não vai além dos 1,2 por cento.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWCClrTA21CtrUxKc5EGvZGg_QH-M2p8PFI4-Dy_1Ymawi6MVcGeVuo0gYy-24GOfvafQQSlXqK63XOul-AqK3fC_0NtvZxIFMa_MQlAiPZUg1ze7UCJ6SEhQmYNyvjrYCRrJ_IZVMJFim/s1600/now+panic+and+freak+out+02.jpg

+ uma expo Pescada nº5!

infelizmente, não estarei presente para vos receber, mas poderão contemplar o meu Homem na Cidade - "Contemporâneos" baseado no poema de Ruy Belo :)

a inauguração é no Sábado, às 21:30, na Associação Cultural "A Cadeira de Van Gogh" - nº 41 na Rua do Morgado de Mateus (junto ao Jardim de S. Lázaro) - Porto

2011

Oh Eloísa, quanta contenção! :D ...eu parto do 100! :P
O ano passado não fiz resoluções de ano novo, fiz apenas uma de aniversário (que é quase de ano novo, aliás, é de ano novo na vida), assim como à Eloísa, 2010 ultrapassou-me a mil à hora enquanto eu ia ali, atrás, ainda na linha de partida... ou antes, 2010 não me ultrapassou, 2010 atropelou-me, abalroou-me mesmo!
Mas eu cá me levantei, com ajudas pois claro! E cá estou com o sentido duma lista de 100 itens...
Tenho as mãos nas rédeas pelo que, independentemente dos acasos cujas forças nos escapam, este ano toca a acreditar e a orar! Este ano, toca a saber que orar é aquilo que uma pessoa quer que seja e que os rituais são (também) um caminho.
Como diz o postal, sim Eloísa, 'bora lá ceder! :)*


Sendo assim, aqui fica a minha lista de resoluções para 2011:

1. Olhar o céu mais vezes e dizer que the stars look very different today!
2. Estudar
3. Rir
4. Experimentar a minha bicicleta!
5. Ressuscitar a minha escrita
6. Fazer mais poesia
7. Ler mais poesia
8. Dizer mais poesia
9. Fotografar mais poesia
10. Agarrar os bois pelos cornos
11. Fazer voluntariado, isso, sim, no meu bairro, junto dos velhotes
12. Rir!
13. E sorrir.
14. Ter as minhas burocracias em dia (será?) (ambiciosa!!!) (estas listas descambam sempre nisto!)
15. Não ter medo do frio
16. Não ter medo do vento, voltar portanto a Sagres
17. Não ter medo das alturas
18. Escrever cartas de amor
19. Tocar o chão, com os pés descalços
20. Enviar as cartas de amor por correio de verdade
21. Continuar
22. Continuar a ser verdadeira comigo
23. Continuar assim
24. E descontinuar
25. Sentir-me digna disto e daquilo
26. E dizer em voz alta “Eu não merecia iss(t)o!” ou, batendo os pés, repetir que não, que não merecíamos isto
27. Gerar.
28. Gerar tempo do meu tempo
29. Ouvir mais música
30. Ir atrás de 1 concerto
31. Não poupar dinheiro num bilhete de teatro
32. Poupar dinheiro
33. Gastar o dinheiro
34. Fazer aquela viagem! Sim!
35. Respeitar mais os meus objectos
36. Ser honesta com o meu jardim
37. Continuar assim – grata, com o peito cheio, sabendo que não é disto que ele vai rebentar
38. Ser mais curiosa (mais, pois claro)
39. Deixar ir. De coração ao alto, deixar ir quem precisa de ir. Deixar ir, quiçá esboçando um sorriso
40. Cozinhar mais e mais e mais
41. Rir!
42. Cantar mais e saber que os amigos (ainda assim) estão dispostos a ouvir-me porque faz parte da minha alegria
43. Convidar mais, festejar mais e mais e mais
44. Assinalar devidamente o 25 de Abril
45. Voltar aos trapos – abrir a máquina de costura - a relíquia, e atrever-me…
46. Ver mais cinema
47. Rever uma série de filmes, nomeadamente o UP!
48. Retomar (pelo menos) uma amizade que tenha ficado pelo caminho dos dias úteis, da geografia e do tempo que porventura deixámos fugir
49. Hmm… nadar? Nadar, pois claro!
50. Ser cinto de segurança aos meus amores
51. Fazer uma lista de resoluções de ano novo para o trabalho
52. Fazer uma lista de resoluções de ano novo para a escola
53. Aprender a desenhar árvores e pássaros com lápis
54. Aprender a pintar árvores e pássaros com aguarela
55. Respirar fundo
56. Ir mais vezes à Nazaré
57. Dar mais e mais abraços
58. Rir
59. Tricotar uma manta ou, pelo menos, fazer uma manta com camisolas velhas
60. Fazer presentes
61. Visitar a avó Palmira mais vezes, mais vezes, mais vezes
62. Ser mais compreensiva, parar e ser mais compreensiva
63. Acudir, estar com os amores nas aflições
64. Dizer aos amigos, para que saibam, para que tenham certeza, assim mesmo, dizer aos amigos que são da minha família
65. Fazer bem as contas para o inevitável neste ano: comprar um carro(?) (snif-snif)
66. Preparar-me para o Verão, para que não surja de rompante como sem avisar
67. E dançar mais
68. Ter certeza de que ele saiba sempre que é muito amado
69. Sim.
70. Continuar a manutenção da casa, sempre assim a espaços e com tempo
71. Arranjar um/a irmã/o para o manjerico…
72. Encaminhar e seguir encaminhamentos
73. Dormir nas férias
74. Não me esquecer recorrentemente de marcar as minhas consultas…
75. Preparar e deixar ficar todos os memoriais de que preciso para sobreviver
76. Respeitar os meus rituais
77. Ser menos totó quanto as intenções alheias (pois que das minhas intenções sei eu)
78. Ser espirituosa, aprender mais com o meu pai, a minha mana e o meu amor, e também com o pequeno amor
79. Saber mais, conhecer mais coisas sobre o mundo, a natureza, os bichos
80. Seguir os meus instintos
81. Continuar a casar-me todos os dias
82. Rir hoje, não deixar para amanhã
83. Criar
84. Aprender a escrever dentro do novo acordo ortográfico
85. Aprender a distinguir melhor do que devo e/ou não devo desistir
86. Ser mais persistente, contra o medo ser mais persistente
87. Retomar o mealheiro interrompido
88. Mais e mais, aprender e ensinar com os sobrinhos e ademais petizes da minha vida
89. Pedir desculpas
90. Aprender e/ou aperfeiçoar outra(s) línguas
91. Rir
92. Ser ambiciosa, independentemente do alvo da ambição, ser ambiciosa
93. Construir a minha árvore, com raízes
94. Comprar umas running-shoes!
95. Passar mais dias na Zambujeira
96. Banhar-me mais no mar e no sol
97. Rezar. Usar as minhas orações.
98. Não dar esta lista por encerrada
99. Não stressar por não cumprir esta lista
100. Amar acreditando.

Bom Ano Novo, gentes! *





































 só mais um negrito, itálico e sublinhado às minhas resoluções... rir!
Garfield via Henrique

quem faz aninhos hoje, quem é? MiM!


dos meus blogo-aniversários: ~ 2005 ~

a minha avó, a minha mãe e eu


É inevitável, não vale a pena pensar, não vale a pena não pensar.
A todos os 23 de Dezembro acontece a mesma coisa. Acordo, abro os olhos e umas poucas lágrimas tímidas caem.
Lembro-me dela.
Maria de Jesus Ferreira.
A minha avó velhinha.
Conheci-a quando tinha 4 anos, é uma história de amor à primeira vista.

Maria de Jesus Ferreira não foi à escola, costureirinha, casou, foi viver para uma aldeia longe da sua, teve seis filhos, 3 rapazes e 3 raparigas. Viveu traições, viveu a Poliomielite duradoura do seu filho A. (meu pai), viveu a esquizofrenia do seu filho J., viveu a morte da sua filha mais nova, aos 9 anos, viveu. Era uma mulher profundamente triste à qual era possível ouvir gargalhadas sonoras em momentos de fino humor.
Com a minha avó aprendi os silêncios. E o sorriso após o silêncio.
Brincávamos, organizava baptizados às minhas bonecas, fazia-lhes vestidos, aliás, fazia o enxoval todo, ainda tenho a colcha e os lençóis que me fez. Fazíamos romarias a fingir. Levava-me para o jardim de rosas que tinha no meio da vinha e ajudava-me a fazer ramos para a minha mãe. Apanhávamos figos, também para a minha mãe. Gostava particularmente quando ela fazia pão com sardinhas na casa do forno, ou quando fazia cevada na bilha de barro, ao lume, e lhe punha uma brasa dentro. Eram dias seguros e felizes.
Às vezes, pedia-lhe para me mostrar as coisas da tia. Uma espécie de memorial para a sua filha morta. Lá íamos, com o ar solene devido ao momento. Desfazia os laços brancos que encerravam cada um dos saquinhos e ia-me explicando… os livros da escola, as botas, o vestido da primeira comunhão, a ardósia. Sorria. E ficávamos em silêncio. As mãos dela voltavam a fazer laços, cuidadosamente. E ficávamos em silêncio.
A minha avó dava-nos a bênção.
A minha avó fazia-nos sentir, a cada um, filhos e netos, que somos especiais, mas nunca nos fez sentir que somos os mais especiais. Nunca tive ciúmes dos meus primos e estou certa que o mesmo aconteceu com eles. Não convivia na aldeia, nunca se lhe ouvia comentários sobre as vidas alheias.

À medida que fui crescendo, fui, naturalmente, percebendo a vida dela enquanto, eu própria, mulher. O meu amor por aquele ser cresceu sempre.
Quando a vida me contrariava, fugia para ela e agarrávamo-nos as mãos uma da outra, em forma de conchas.
Comecei a usar carrapito para poder parecer um pouco como ela. Nunca deixei de ter uma saia plissada no meu guarda-roupa. Quando ia lá a casa, pedia-lhe sempre para me mostrar o seu xaile. Um xaile enorme, azul-escuro, de pelúcia. Está aos pés da minha cama e, nas noites de desalento, é o que uso para combater o frio interior. Outra coisa que calhou em partilhas ao meu pai foi a sua cómoda do quarto, que agora habita o meu quarto. Nunca consegui raspar um pouco de cera que fosse da cómoda, porque no dia em que decidi fazê-lo ao retirar o papel duma das gavetas dei com escritos a lápis onde se lê, em caligrafia de criança - Maria do Céu - o nome da sua filha morta, saberia a minha avó que aquilo estava escrito ali? Arrumei as minhas ferramentas de restauradora de móveis.
Um dia, o telefone tocou e eu ouvi as palavras - a avó morreu. A avó morreu. No simbólico dia da mãe de 1999. A avó morreu.
Pus as minhas mãos sobre as dela, mas eram frias. Pus os meus lábios sobre a sua pele morta. Fria. A avó morreu.
A dor encravada.
Já não posso estar com a avó velhinha sempre que quiser.
Quisera que a minha avó vivesse para sempre.
Como todas as crianças que gostam de ouvir histórias sobre a sua existência, eu gostava quando me contava sobre o dia do seu 60º aniversário, o dia em que lhe nasceu esta neta.
É hoje, o dia do nosso aniversário, fiz um carrapito, vesti a minha saia plissada. Comecei o dia triste, pensando fatalmente que o máximo que posso fazer é contar um pouco sobre quem foi essa mulher e pôr flores brancas sobre um túmulo de mármore preto. Talvez seja. Voltei atrás, antes de sair de casa, soltei o cabelo e vesti as eternas calças de ganga.
Falei com a minha mãe - agradeci-lhe a vida.
Neste momento, sinto-me cheia por dentro, por ter o privilégio de ser neta de Maria de Jesus Ferreira e filha da Ilda Simões da Graça Ferreira da Cruz.

Vontade de ser barco ou de cantar. [E. de Andrade]

para ti
para nós
Namoro em Viagem

Faço a barba para amanhecer contigo numa sociedade secreta
com os cheiros e a electricidade de uma madrugada de fronteira
em que o dia parece despertar apenas para marcar a mudança de país
no mapa viário do nosso amor incomum às estradas de turismo
e tomarmos o pequeno-almoço num parque de estacionamento
com velhas carrinhas de caixa-aberta carregadas de alfarroba
e outras vagens cheirosas como as tuas mãos
essas mãos que tangem novenas ao volante deste tempo
em que o presente apenas se adivinha para lá da humidade da manhã
desta cordilheira marítima
quando os céus se abrirem sobre uma baía
e houver tabacarias vendendo marcas de cigarros inusitadas
e sorrisos e serenidades e seriedades com águas-de-colónia baratas
que inspiraremos como se fossem as essências do mar e da liberdade
finalmente reveladas aos homens por motivo de estarmos em trânsito
e não sabermos quanto custará a próxima dormida
e o que fazer com as moedas dos países que vão ficando para trás
à medida que as tuas calças de ganga vão ficando impregnadas de ervas
e pedras das montanhas
à medida que eu vou ficando por toda a parte em postais sem sucesso
amarelecidos por doze solstícios e outras tantas impressões digitais
à beira do fim das férias pequenas de gente loura ou reformada da vida
daquela que guarda apenas uma cicatriz no polegar direito
de tudo quanto fez e não conta para a folha de serviços emprestados
aos prestidigitadores da velha economia
que nem imaginam como São Judas Tadeu nos veio varrer as costas
que haviam limpo cotão cinza e cabelos debaixo da esgotada cama de pensão
cujas molas riam do nosso riso do riso dos do quarto ao lado
ou como tudo começou num anúncio radiofónico
aos incríveis preços de antenas parabólicas do tamanho de pratos de sopa
quando àquelas horas fora impossível comer fosse o que fosse
embora eles como nós calcorreassem quarteirões e estátuas
e esquadras de polícia
e tudo isso antecipasse uma manhã tão desejada quanto esta
com as rodas da mala rangendo de novo sobre o passeio
e a lufada quente de uma pastelaria de subúrbios
incapaz de dizer que não às azias de outros pregoeiros
de auroras sem pêlo nem pele nem tacto nem tudo
o que faz o nosso primeiro olhar um para o outro
e para lá das gelosias de madeira e tinta verde tornada quebradiça
por todos os invernos desde que Picasso regressava a casa de calções
encharcados pela água das poças em que fizera rodar um aro ferrugento
como as noras que fazem correr os rios.



Namoro em Viagem II

Voavam então as pétalas lilases
das árvores sem nome
raízes de sangue
ocre de areia meio argila
como as barras das casas
do Alentejo atlântico.
Corria então o vinho
branco ouro tinto veludo
manchando círculos celestes
no pano hospitaleiro
fumegando dos chocos tresmalhados.
Iam-se então as roupas
à luz dos corpos
lençóis de pele
estendida sobre os arcos de um sorriso.
Ninguém diria então que o mar do vento
não era uma piscina em gestação.
Calavam-se então os esgares humanos
dos cães rastejando ao inusitado
dos cães humanos recusados.
Num passe de dança então improvisado
1080º apoiados no ar
levantámos ferros cortámos amarras
- nem sede nem fome nem amores nem ódios -
e partimos voando
entre pétalas lilases.
De caminho encontrámos formas nunca vistas
noções de sentir
sem pensar sem parar
veloz era o movimento de estarmos quedos
o reverso do luar
prostrando os olhos.
Havia então havia a salamandra
rindo a bandeiras despregadas
sobre a talha dourada da moldura
que abraçava tantos continentes.
E um cágado um anjo
de guarda-pó cinzento
distribuindo milagres
às mãos mais retalhadas
e o bezerro-capote
correndo as hortênsias.
Surgiu então surgiu o escuro
infinitamente negro
sem limites
ele próprio a fronteira das fronteiras.
Acordámos depois dois vultos de sangue
indistintos aos olhos
da madrugada lenta.
Ao abrirmos a porta a janela a escotilha
fomos recebidos saudação no chapéu
por cães imaculados em fardas de mar
comodoros do sonho de dobrar os cais.

por Miguel Martins

[ o abismo que me dói nos cardos deste sol de morte viva ]

Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
(O soneto que só errado ficou certo)




Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.


Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guia
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.


Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.


Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva




José Gomes Ferreira


via quem?... lebre, obviamente