sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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do not touch, please (thank you)


Tentativa de justificação acerca da presença estranha do post abaixo: não gosto que me toquem pessoas estranhas. Inclui-se neste não-gostar: apertos de mão, palmadas nos ombros e costas, encostos de rosto com consequência de beijos e abraços. Pensava que, no limite, me tinha acontecido não conseguir escapar a beijos, mas não, meus senhores, a necessidade de espaço corporal alheio não fica por aqui: esta semana levei uma palmadinha na anca. Eu sabia que não era bom agoiro vestir uma saia de pregas, mas jamais poderia ter chegado a tanto. A dita senhora que me presenteou com um sorriso e uma palmadinha na anca (uma palmadinha na anca) tinha ar de quem me achou “jeitosinha com a saia de pregas”, vai disso… palmadinha na anca!
Sendo a minha memória algo tortuosa, e na aflição do momento, pensei “terei escrito na testa TOUCH ME”?

Tenho um problema com os costumes corteses convencionados… revoltam-me as vísceras. E perguntam-me vocemessês – Porquê? E eu respondo com perguntas: Porque têm os costumes de cortesia necessidade de corpo? Porque têm os costumes de cortesia necessidade de pele? Porque temos de dar e receber? Porquê esta razia entre corpos incógnitos nas emoções? Hm? Hein?! Enfim. Não percebo. Não gosto. Pronto. Don’t get me wrong, sou afável, até tenho um bocadinho de dó dos meus alvos de mimo, presumo sou um bocado dengosa ('tá dito)... só não gosto de ter de ser tocada por outras pessoas por motivos meramente sociais. Porque é que não serve fazer uma ligeira inclinação de cabeça? Uma ligeira inclinação de cabeça associada a um bonjour (gosto tanto de dizer bonjour!). Porque é que não é suficiente? Ou um apontar de dedos tipo E.T., também era catita, dedos esticados mas sem se tocarem. Porque não?! Porque é que temos de levar constantemente com corpos de pessoas estranhas à nossa intimidade?

Pronto, está explicada a presença da Samantha Fox neste blog. Adiante.



pormenor d'A Criação de Adão de Michelangelo Buonarroti
1511

[ mãos e pele, corpo, corpos, gentes.]

És de novo uma fonte
Em tuas veias ouve
Quem não foste.

in Música de Cama, antologia de poesia erótica, de David Mourão-Ferreira
Editorial Presença, 1994


# Lisboa, 2007Nov Z




. . .



Vou lá de vez em quando, através dos links da amig’Alice.

Fica-se por lá, presa nas mãos e na pele, no corpo, nos corpos, nas gentes.

Vá-se lá saber porque é que ainda não me tinha dado ao trabalho de o linkar na coluna aqui ao lado… nem é tarde, nem é cedo, aproveito esta espécie de comemoração de hoje… zás, já está.



{ abraço }


Espera
estes não são os beijos todos.



Silencio
tenho para mim esses beijos.

Oh. Dos braços calo-me
a bambolear saudade.


photo de My Blueberry Nights - Wong Kar-Wai, descaradamente surripiada à menina-limão

My Big Fish

Desmaio?
Re: Não.
Ainda há heróis
amolecidos.

Estarei a estiolar?
Re: Não.
O meu corpo é coberto
amolecido de ti
uma flor.


Ajo?
Re: Broto coragem.

Traslado esta querença
num beijo
num poema
até completar a ode
ao teu amolecimento.

My Big Fish

Desmaio?
Re: Não.
Ainda há heróis
amolecidos.

Estarei a estiolar?
Re: Não.
O meu corpo é coberto
amolecido de ti
uma flor.


Ajo?
Re: Broto coragem.

Traslado esta querença
num beijo
num poema
até completar a ode
ao teu amolecimento.


34.

ontem houve noite acertei-me como clarão fechei a porta cobri o cadáver de pano na caverna consertei um lápis na mortalha a alcançar palavras


(_os_corpos_a_ferir_poesias_ fluidos_às_cores_os_corpos_nítidos_imundos_exsudados_os_corpos_confusos_desaparecidos_já_dos_corpos_sem_cogitar_os_corpos_poesias_em_cima_da_pele_e_das_peles_sem_pausa) _sem_pausa____ ) sem_pausa_________ )




Embrace, 1917
Egon Schiele

4.

O preconceito estala aqui em cima da minha pele ao longo da leitura de linhas e linhas e linhas *. Ao contrário da utilidade irrepreensível, apreensiva esta pele cai literalmente como se de escamas se tratasse. Às vezes. Parece que ando a catar pele para cerzir, pedaços esses que nunca tenho certeza de existirem sequer. Eis que às vezes se torna demasiado, vírgula, A Agonia é, quando me pesa o dedal nas asas.





* chamemos linhas àquilo que lemos **

** sabemos que lemos mais do que palavras ***

*** lemos, por exemplo, a nossa pele ****

**** ou coisas menos abstractas, tais como o que sentimos na pele *****

***** que é a tradução literal do que lemos na pele