hopojepe espestápá fripriopo, nãopão apachampam?
sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
(ecos)
« A VIDA ANTERIOR
Muito tempo morei sob os mais amplos pórticos
Tingidos de mil cores plo sol daquele mar
E à noite transformados em grutas basálticas
Pelos seus gigantescos pilares majestosos.
(...)
Foi lá que vivi, em voluptuosa calma,
No meio do azul, das ondas, de esplendores
E de escravos tão nus, impregnados de odores,
Que me iam refrescando a testa com as palmas,
Não tendo outro cuidado excepto descobrir
O amargo segredo que me enlanguescia. »
(...)
Esta dor muito simples, nada misteriosa,
Como a sua alegria, todos a conhecem.
Não tente saber mais, ó Bela curiosa!
E, embora a sua voz seja doce, eu lhe peço:
Cale-se, ó ignorante! alma sempre aturdida!
Boca infantil a rir! Mais ainda que a Vida,
É a Morte a prender-nos com subtis tramas.
(...) »
Memórias tenho mais que tivesse mil anos.
(...) »
Muito tempo morei sob os mais amplos pórticos
Tingidos de mil cores plo sol daquele mar
E à noite transformados em grutas basálticas
Pelos seus gigantescos pilares majestosos.
(...)
Foi lá que vivi, em voluptuosa calma,
No meio do azul, das ondas, de esplendores
E de escravos tão nus, impregnados de odores,
Que me iam refrescando a testa com as palmas,
Não tendo outro cuidado excepto descobrir
O amargo segredo que me enlanguescia. »
* * *
« A MÁSCARA
(...)
- Ela chora, insensata, porque tem vivido
E viva ainda está! Mas o que mais deplora
E o que a faz tremer na mágoa mais atroz
É saber que amanhã viverá como agora!
Amanhã e depois e sempre! - como nós! »
(...)
- Ela chora, insensata, porque tem vivido
E viva ainda está! Mas o que mais deplora
E o que a faz tremer na mágoa mais atroz
É saber que amanhã viverá como agora!
Amanhã e depois e sempre! - como nós! »
* * *
« SEMPER EADEM(...)
Esta dor muito simples, nada misteriosa,
Como a sua alegria, todos a conhecem.
Não tente saber mais, ó Bela curiosa!
E, embora a sua voz seja doce, eu lhe peço:
Cale-se, ó ignorante! alma sempre aturdida!
Boca infantil a rir! Mais ainda que a Vida,
É a Morte a prender-nos com subtis tramas.
(...) »
* * *
« TODA INTEIRA
(...)
Ó metamorfose mística
Dos meus sentidos todos num!
(...) »
(...)
Ó metamorfose mística
Dos meus sentidos todos num!
(...) »
* * *
« CONVERSA
(...)
- Sobre o meu peito, em vão, escorrega a tua mão;
(...) »
(...)
- Sobre o meu peito, em vão, escorrega a tua mão;
(...) »
* * *
«SPLEEN
Memórias tenho mais que tivesse mil anos.
(...) »
* * *
«SPLEEN
(...)
Quando a chuva, ao espalhar as suas cordas de água,
(...) »
(...)
Quando a chuva, ao espalhar as suas cordas de água,
(...) »
* * *
«PAISAGEM
(...)
é que eu vou estar imerso na doce volúpia
De evocar a meu bel-prazer a Primavera,
Extraindo um sol do peito e fazendo de tudo,
Até do que em mim arde, a mais morna atmosfera.»
(...)
é que eu vou estar imerso na doce volúpia
De evocar a meu bel-prazer a Primavera,
Extraindo um sol do peito e fazendo de tudo,
Até do que em mim arde, a mais morna atmosfera.»
* * *
«OS SETE ANCIÃOS
(...)
Minha razão bem queria pegar no leme
Esforços logo vencidos pela tempestade;
E a minha alma dançava, dançava, escaler
sem mastros, naquele mar monstruoso e sem margens!»
(...)
Minha razão bem queria pegar no leme
Esforços logo vencidos pela tempestade;
E a minha alma dançava, dançava, escaler
sem mastros, naquele mar monstruoso e sem margens!»
in As Flores do Mal, Charles Baudelaire
vista daqui outra vida (as personagens fictícias reservam-se o direito à privacidade)
escolheu o vestido verde lembrando-se do prazer que é o Verão, a isenção de peças acessórias contra o frio, olhou o espelho e percebeu que não valia a pena escovar o cabelo, ficaria com aspecto desorientado na mesma, lavou uma maçã camoês, pegou nas chaves e gritou até logo!; conduzia com uma vontade enorme de acelerar, ainda ponderou a hipótese de entrar na autoestrada, para fazer um troço que fosse, para sentir o carro a cortar o vento, não o fez; cantava o Tom Waits e ela vibrava nas fantasias daquela voz naquele talento; lutou, lutou com todas as forças contra a angústia que obstinadamente, diria estupidamente, acabava sempre por permitir; lutou, lutou sem querer fazer todas as forças contra; mas depois parou e não gostou porque nem sequer gostava da palavra lutar; fez um intervalo com café, olhou o Moleskine e escreveu, espantada por não haver lágrimas e, nem por isso um vazio: das glicínias também se tem saudade. é uma metáfora. embora da glicínia também se tenha saudade. ainda pensou um bocado, interrogou-se se seria um crime contar histórias de encantar aos meninos e às meninas.
(pequeno deus) pequenos tesouros
« (...)
Chegara como quem sabe apenas
partir. Castelos em ruína
tomavam-lhe conta dos bolsos,
numa tentativa de pacificar o trânsito
e o foco de infecções a que chamamos alma. »
Juxta Crucem Tecum Stare, Manuel de Freitas,
Alexandria, Junho de 2004
yadda yadda yadda
entretanto não conseguem, qualquer força lhes é superior, todos gostam de deixar bem claro as suas posições antagonistas à igreja católica mas ninguém resiste ao parêntesis sobre a velha menina.
yadda yadda yadda
não não não não não, quero lá saber. não é símbolo nenhum de paz. enquanto símbolo de mente distorcida, morrem muitas todos os dias. argh! idiotice o discurso da pobrecita que apenas o que queria era o bem. 'dasse!
14 de fevereiro de 2005
eu escrevia 15, pensando que amanhã seria 16, lógico então que 17 seria na 4ª Feira - o aniversário da Libélula!; mas não é, olharam-me quando repeti em voz alta, escrevendo ao mesmo tempo, 15 de fevereiro, 2005 ao que me corrigiram, seguindo-se a questão acompanhada de um ar muito curioso então?! não sabe que dia é hoje?! - sei, é Segunda-Feira.
« e sim eu disse sim eu quero sims » *
« Embora Molly seja uma ignorante, sabe que não é nada sem a Linguagem, sem as metáforas sublimes ou idiotas do desejo. »
Octavio Paz, in A Chama Dupla, sobre Molly - Ulisses de James Joyce
* passagem de Molly - Ulisses de James Joyce
tempo para Beardsley
haverá uma idade para tudo, sempre gostei de Klimt, mas só agora despertei verdadeiramente para Art Nouveau

The Climax, 1893
Aubrey Beardsley
The Climax, 1893
Aubrey Beardsley
CORRESPONDÊNCIAS
V
(...)
Ó monstruosidades chorando o que vestem!
Ó ridículos troncos! torsos de bonecos!
Pobres corpos torcidos, magros, gordos, flácidos,
Que o deus da Utilidade, sereno, implacável,
Com cueiros de bronze à nascença vestiu!
E vós mulheres, hélas!, pálidas como círios,
Que a podridão corrói, e também vós, ó virgens,
Condenadas a herdar os vívios maternais
E todos os horrores da fecundidade!
(...)
Charles Baudelaire in As Flores do Mal
está cá! está cá! (eu não sabia! eu não sabia!)
Rebecca Horn, a autora deste concerto, tem o seu trabalho - Bodylandscapes, exposto no CCB de 4 de Fevereiro a 17 Abril
tudo está bem quando acaba bem
depois comecei com as tintas e percebi que o que eu estava a precisar neste momento não era de aprender com reproduções - talvez um dia, de uma forma orientada, num curso, quem sabe?, aprender o manuseio; pois, comecei e percebi que tinha saudades dos óleos que deixei há cerca de 3 anos, continuei por um bocado e a vontade de dizer outras coisas levou-me a inverter - passou a ser a minha expressão, em 50 x 70 cm.
medos bons
o,35145 metros quadrados aparentemente parece uma área minúscula, mas não é,
71 x49,5cm de Kirschner é um monstro

Fränzi before a Carved Stool, 1910
Óleo sobre tela
71 x 49.5 cm
Ernst Ludwig Kirschner
Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid
71 x49,5cm de Kirschner é um monstro
Fränzi before a Carved Stool, 1910
Óleo sobre tela
71 x 49.5 cm
Ernst Ludwig Kirschner
Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid
desta novidade, uma tentativa de manuseio, fazer uma reprodução: já tem tela onde morar, já tem os óleos pretendidos, a tela... tem o esboço a carvão
beware, she's got a blue pencil
a leitura, como qualquer outra actividade, naturalmente que acompanha o ritmo da nossa vida. sem fazer uma retrospectiva da minha história de leitura, refiro apenas que o ano passado foi sui generis - nunca comecei tanta leitura que depois interrompi, se o entusiasmo não surgisse logo às primeiras páginas arrumava o livro; não faço listas dos livros que li, no entanto, por curiosidade suscitada num local de leituras onde vou, dei por mim a olhar as minhas prateleiras e a perceber que o ano passado foi um bom ano de leituras, tive muito prazer e li mais do que em qualquer outro ano. felizmente, e à custa de algum esforço a que me submeti, consegui abrandar o ritmo com deixo livros arrumados a um canto em início de leitura. para isso tive de deixar de ler vários livros ao mesmo tempo que era um hábito adquirido há já alguns anos. agora parece que encontrei um equilíbrio, continuo a interromper livros (mas não tantos) e voltei a ler mais de um livro ao mesmo tempo (mas não tantos); a poesia está tão bem que me reservo o silêncio;
todo este parágrafo para iniciar o que realmente quero dizer:
todo este parágrafo para iniciar o que realmente quero dizer:
ontem foi dia de novidade! tenho gostado bastante de o ler Vergílio Ferreira, alguns livros dele estão marcados e sublinhados de uma ponta à outra; sim, eu sublinho, dobro, escrevo, até já rasguei páginas a livros para me acompanharem no bolso(!), há quem julgue heresia, esta é a forma com que eu vivo os meus livros, por isso o drama de eu não poder pedir emprestado; ora, ando a ler PENSAR do Vergílio Ferreira, e caiu por terra o ritmo de leitura dos outros livros dele, acima de tudo não gosto da forma como se dirige, a sua linguagem no texto - discurso da mensagem, do ensino; (porém, tem mérito de estar sublinhado e anotado nalgumas passagens) ontem dei por mim irritada, sem pensar fui buscar um lápis de cor azul e passei a rasurar passagens, parágrafos inteiros, percebi que a leitura passou a fazer mais sentido, como que uma encarnação da censura interior que eu ia resmungando entre algumas frases que sublinhava. Voilá! encontrei a minha estratégia para lidar com a incongruência que eu interpreto, posso fazê-lo e fá-lo-ei tantas vezes quantas as que me aprouver.
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