sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
eis que senão
Após o trago de vinho
Ris. Ris, e isso é de ti para
Mim. E tudo chegará
De cá para lá.
Daqui para acolá.
Do vinho, dirás,
Copo em riste,
Do vinho para nós.
3 minutos durará a irmandade.
O que não carecia ser registado.
ah e tal, o que é que o menino jesus te trouxe?
venho, por este meio,
desejar uma real caganeira a todas as pessoas responsáveis pelos aumentos das taxas moderadoras e pelas alterações nas isenções na saúde, a começar pelo sr. silva que deu a sugestão.
p.s. inclui os concidadãos que acham "muito bem as medidas de austeridade porque andámos a gastar mais do que podíamos", my ass! lambe-cús choninhas ignorantes do caralho!
Umberto Boccioni
1913
oil on canvas 193.2 × 201 cm.
Photograph by Katie Chao. Museum of Modern Art, New York City, The Sidney and Harriet Janis Collection dali
depois cheguei [ esbracejei sem etiqueta ao longo dos atalhos ]
Sentença
Por Isabela Figueiredo
Por Isabela Figueiredo
Nunca tomei uma estrada principal, e esbracejei sem etiqueta ao longo dos atalhos e desvios pelos quais transportei aqueles que amei, mas eles não sabem.
Depois cheguei a esta clareira e há sol e sombra sobre a terra, e eu saio, e sei - e mais ninguém - que não há estradas principais. Se isso não estava escrito, escrevi-o eu.
[para ti, para nós]
do que me fui lembrar
[da lista de coisas que esqueci de pedir na lista de prendas do Natal passado que, a bem-dizer da verdade, não fiz ]

post original
menina limão goes P3
oh, o orgulho
:')
parabéns, m'nina! <3
Os cinco melhores momentos cinematográficos de 2011
O P3 só chegou em Setembro, por isso pedimos aos especialistas para escolherem o melhor de 2011. A bloguer Menina Limão viu 15 a 20 filmes por mês e ficou com estas cenas na memória
(ainda a propósito do ano novo) (wink-wink) [por Carlos Drummond de Andrade]
Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Síntese da Felicidade
Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
(dali)
Síntese da Felicidade
Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu
(recebido por e-mail em Inglês, fui buscar em português ali)
obrigada :)
obrigada :)
Azuliante
| Helena Almeida |
Este poema é da AIdina
Este poema
começa com um homem de tronco nu
à sua mesa de trabalho ___e hiante
a esta hora em que de oriente a ocidente
se acendem lâmpadas trémulas e bárbaras e ferozes
e o mar é o teu nome ___a esta hora pétala a pétala
em que subirei de avião para ir beijar-te os olhos
e___ ver no meio do deserto ___ o único
o magnífico devorador de rosas a comer um pão
enquanto do Oceano resta apenas
o silêncio de uma lágrima caindo nos joelhos de uma criança
Espera-me onde um nome há no Ar escrito com saliva azul
com raiva azul
como a urina violenta dos amantes
com a sua flor azul à superfície onde crepita a morte
Choverá muito ___ eu sei choverá___ muito
e não porei uma pedra branca sobre o assunto digo
sobre o tremor de terra em que tu danças
na tua roda de cigarros cada vez mais depressa
___cada vez mais depressa
e lento o peixe de plumas de águia letra a letra
dá a volta ao mundo dos teus olhos
enquanto a dentadura cintilante pronuncia o grande uivo
de oriente a ocidente
Certas palavras muito duras quando a noite cai
não devem ter outra origem sabes tão bem como eu
porque agora a lava das lágrimas ao crepúsculo
são as rosas com que o poeta fala
à multidão em volta do crocodilo o animal repugnante
de costas para a luz___ contra o grande uivo:
de oriente a ocidente a mesma flor podre___ o estado
segredos de estado as razões de estado a segurança do estado
o terrorismo de estado os crimes contra o estado
e o equilíbrio do terror
de oriente a ocidente___ meu amor ___ de oriente a ocidente
Digo não___ Eu digo não
digo o teu nome que diz não
No entanto às portas da cidade e ao pé de cada árvore
à espera que tu chegues ou passes simplesmente
estão os grandes do império com o chapéu na mão
_______________________________________para cumprimentar-te
Então passas tu com a lua no peito
dividindo distribuindo os alimentos
passas tu devagar atirando as moedas
que os dias não aceitam e gastamos depressa
noite ___ mil e uma noites de quem espera
Meu amor países pátrias têm todos um nome
de letras imundas que não é para escrever
Se ainda podes ouvir o búzio da infância
ouvirás com certeza o sinal de partir
No comboio multicor sobre carris ferozes e azuis
que há mil anos dá a volta ao mundo
sou eu o homem que viaja nu porque eu sou
o arco-íris e a rosa no trapézio
e tu toda a paisagem que atravesso
como se fosse de bicicleta
como se fosse sílaba a sílaba
a primeira frase sobre a terra
tu com as tuas luvas de amianto ao lado do vulcão
com a tua máscara de olhar a aurora boreal
de me olhares para sempre nua ___eu a tempestade
de coração a coração
Roda sórdida da razão cínica e canto de galos
depenados vivos que cantam nos intervalos da morte
no meu livro de horas deste século
está escrito que o homem livre fará o seu aparecimento
sob a forma de um cometa de cauda fascinante
que arrastará os amorosos até ao centro do mundo
donde partirão na rosa-dos-ventos ___e este será o sinal
António José Forte
in Uma Faca nos Dentes
rir com patrocínio da livreira anarquista
Vocês aqui têm todos os livros que estão escritos em português?
— Não. Faltam-nos dois ou três.
de 2011 para 2012 [checklist] [ah e tal as listas são um absurdo... e tal ]
Porque isto não é só fazer as listas, olhando para trás:
1. Olhar o céu mais vezes e dizer que the stars look very different today! ✓
2. Estudar ✓
3. Rir ✓
4. Experimentar a minha bicicleta! ✓
5. Ressuscitar a minha escrita erm... adiantar item para 2012 :P
6. Fazer mais poesia ✓
7. Ler mais poesia ✓
8. Dizer mais poesia ✓
9. Fotografar mais poesia ✓
10. Agarrar os bois pelos cornos ✓
11. Fazer voluntariado, isso, sim, no meu bairro, junto dos velhotes o 1º passo está dado...
12. Rir! ✓
13. E sorrir. ✓
14. Ter as minhas burocracias em dia (será?) (ambiciosa!!!) (estas listas descambam sempre nisto!) ✓
15. Não ter medo do frio ✓
16. Não ter medo do vento, voltar portanto a Sagres meio✓
17. Não ter medo das alturas erm, resumindo-me à minha insignificância, que tal "aprender a viver com o medo das alturas" :D
18. Escrever cartas de amor ✓
19. Tocar o chão, com os pés descalços ✓
20. Enviar as cartas de amor por correio de verdade erm :D
21. Continuar ✓
22. Continuar a ser verdadeira comigo ✓
23. Continuar assim ✓
24. E descontinuar ✓
25. Sentir-me digna disto e daquilo ✓ :)
26. E dizer em voz alta “Eu não merecia iss(t)o!” ou, batendo os pés, repetir que não, que não merecíamos isto ✓ e não, não merecíamos, mas estamos aqui para o que der e vier :)
27. Gerar. ✓
28. Gerar tempo do meu tempo ✓
29. Ouvir mais música ✓
30. Ir atrás de 1 concerto ✓ weeee, este ano já há mais!
31. Não poupar dinheiro num bilhete de teatro ✓
32. Poupar dinheiro ✓
33. Gastar o dinheiro ✓
34. Fazer aquela viagem! Sim! :'(
35. Respeitar mais os meus objectos ✓
36. Ser honesta com o meu jardim LOL!
37. Continuar assim – grata, com o peito cheio, sabendo que não é disto que ele vai rebentar ✓✓✓
38. Ser mais curiosa (mais, pois claro) ✓ :)
39. Deixar ir. De coração ao alto, deixar ir quem precisa de ir. Deixar ir, quiçá esboçando um sorriso ✓ farewell! :)
40. Cozinhar mais e mais e mais ✓✓✓
41. Rir! ✓
42. Cantar mais e saber que os amigos (ainda assim) estão dispostos a ouvir-me porque faz parte da minha alegria ✓
43. Convidar mais, festejar mais e mais e mais ✓
44. Assinalar devidamente o 25 de Abril sim, sim, foi no hospital! :D hehehe
45. Voltar aos trapos – abrir a máquina de costura - a relíquia, e atrever-me… voltar... eu voltei, só não foi com a relíquia, foi com a fita-cola de tecidos do ikea! :D
46. Ver mais cinema juro que tentei, juro!... mas as pipocas, e as pessoas a enviar sms's e... argh, as pessoas! :S
47. Rever uma série de filmes, nomeadamente o UP! alguns, sim, menos o UP, esqueci-me! :D
48. Retomar (pelo menos) uma amizade que tenha ficado pelo caminho dos dias úteis, da geografia e do tempo que porventura deixámos fugir ;)***
49. Hmm… nadar? Nadar, pois claro! a modos que... não! :D
50. Ser cinto de segurança aos meus amores ✓✓✓ <3
51. Fazer uma lista de resoluções de ano novo para o trabalho ✓
52. Fazer uma lista de resoluções de ano novo para a escola ✓
53. Aprender a desenhar árvores e pássaros com lápis [blushing]
54. Aprender a pintar árvores e pássaros com aguarela [blushing]
55. Respirar fundo ✓
56. Ir mais vezes à Nazaré nem sei bem... :)
57. Dar mais e mais abraços ✓✓✓
58. Rir ✓
59. Tricotar uma manta ou, pelo menos, fazer uma manta com camisolas velhas :P
60. Fazer presentes ✓✓✓
61. Visitar a avó Palmira mais vezes, mais vezes, mais vezes ✓
62. Ser mais compreensiva, parar e ser mais compreensiva ✓ (digo eu... :P)
63. Acudir, estar com os amores nas aflições ✓
64. Dizer aos amigos, para que saibam, para que tenham certeza, assim mesmo, dizer aos amigos que são da minha família ✓
65. Fazer bem as contas para o inevitável neste ano: comprar um carro(?) (snif-snif) ✓ love you, little jazz!
66. Preparar-me para o Verão, para que não surja de rompante como sem avisar ✓
67. E dançar mais ✓
68. Ter certeza de que ele saiba sempre que é muito amado ✓
69. Sim. :)
70. Continuar a manutenção da casa, sempre assim a espaços e com tempo ✓ our lady of eternal maintenance :P
71. Arranjar um/a irmã/o para o manjerico… falemos doutro assunto...
72. Encaminhar e seguir encaminhamentos ✓
73. Dormir nas férias digamos que, em 2011, as férias não tiveram tanto sono como em 2010, e ainda bem \o/
74. Não me esquecer recorrentemente de marcar as minhas consultas… ✓
75. Preparar e deixar ficar todos os memoriais de que preciso para sobreviver ✓ :)
76. Respeitar os meus rituais ✓ :)
77. Ser menos totó quanto as intenções alheias (pois que das minhas intenções sei eu) :D
78. Ser espirituosa, aprender mais com o meu pai, a minha mana e o meu amor, e também com o pequeno amor ✓
79. Saber mais, conhecer mais coisas sobre o mundo, a natureza, os bichos ✓
80. Seguir os meus instintos ✓
81. Continuar a casar-me todos os dias ✓✓✓
82. Rir hoje, não deixar para amanhã ✓
83. Criar ✓
84. Aprender a escrever dentro do novo acordo ortográfico oops!
85. Aprender a distinguir melhor do que devo e/ou não devo desistir erm, num sei dizer...
86. Ser mais persistente, contra o medo ser mais persistente ✓
87. Retomar o mealheiro interrompido LOL!
88. Mais e mais, aprender e ensinar com os sobrinhos e ademais petizes da minha vida ✓
89. Pedir desculpas ✓
90. Aprender e/ou aperfeiçoar outra(s) línguas oui oui!
91. Rir ✓
92. Ser ambiciosa, independentemente do alvo da ambição, ser ambiciosa ✓ por acaso... :)
93. Construir a minha árvore, com raízes ✓
94. Comprar umas running-shoes! ✓
95. Passar mais dias na Zambujeira ✓
96. Banhar-me mais no mar e no sol ✓✓✓ foi tão bom! :D
97. Rezar. Usar as minhas orações. ✓
98. Não dar esta lista por encerrada ✓
99. Não stressar por não cumprir esta lista ✓
100. Amar acreditando. ✓
| Miranda July |
2. Estudar ✓
3. Rir ✓
4. Experimentar a minha bicicleta! ✓
5. Ressuscitar a minha escrita erm... adiantar item para 2012 :P
6. Fazer mais poesia ✓
7. Ler mais poesia ✓
8. Dizer mais poesia ✓
9. Fotografar mais poesia ✓
10. Agarrar os bois pelos cornos ✓
11. Fazer voluntariado, isso, sim, no meu bairro, junto dos velhotes o 1º passo está dado...
12. Rir! ✓
13. E sorrir. ✓
14. Ter as minhas burocracias em dia (será?) (ambiciosa!!!) (estas listas descambam sempre nisto!) ✓
15. Não ter medo do frio ✓
16. Não ter medo do vento, voltar portanto a Sagres meio✓
17. Não ter medo das alturas erm, resumindo-me à minha insignificância, que tal "aprender a viver com o medo das alturas" :D
18. Escrever cartas de amor ✓
19. Tocar o chão, com os pés descalços ✓
20. Enviar as cartas de amor por correio de verdade erm :D
21. Continuar ✓
22. Continuar a ser verdadeira comigo ✓
23. Continuar assim ✓
24. E descontinuar ✓
25. Sentir-me digna disto e daquilo ✓ :)
26. E dizer em voz alta “Eu não merecia iss(t)o!” ou, batendo os pés, repetir que não, que não merecíamos isto ✓ e não, não merecíamos, mas estamos aqui para o que der e vier :)
27. Gerar. ✓
28. Gerar tempo do meu tempo ✓
29. Ouvir mais música ✓
30. Ir atrás de 1 concerto ✓ weeee, este ano já há mais!
31. Não poupar dinheiro num bilhete de teatro ✓
32. Poupar dinheiro ✓
33. Gastar o dinheiro ✓
34. Fazer aquela viagem! Sim! :'(
35. Respeitar mais os meus objectos ✓
36. Ser honesta com o meu jardim LOL!
37. Continuar assim – grata, com o peito cheio, sabendo que não é disto que ele vai rebentar ✓✓✓
38. Ser mais curiosa (mais, pois claro) ✓ :)
39. Deixar ir. De coração ao alto, deixar ir quem precisa de ir. Deixar ir, quiçá esboçando um sorriso ✓ farewell! :)
40. Cozinhar mais e mais e mais ✓✓✓
41. Rir! ✓
42. Cantar mais e saber que os amigos (ainda assim) estão dispostos a ouvir-me porque faz parte da minha alegria ✓
43. Convidar mais, festejar mais e mais e mais ✓
44. Assinalar devidamente o 25 de Abril sim, sim, foi no hospital! :D hehehe
45. Voltar aos trapos – abrir a máquina de costura - a relíquia, e atrever-me… voltar... eu voltei, só não foi com a relíquia, foi com a fita-cola de tecidos do ikea! :D
46. Ver mais cinema juro que tentei, juro!... mas as pipocas, e as pessoas a enviar sms's e... argh, as pessoas! :S
47. Rever uma série de filmes, nomeadamente o UP! alguns, sim, menos o UP, esqueci-me! :D
48. Retomar (pelo menos) uma amizade que tenha ficado pelo caminho dos dias úteis, da geografia e do tempo que porventura deixámos fugir ;)***
49. Hmm… nadar? Nadar, pois claro! a modos que... não! :D
50. Ser cinto de segurança aos meus amores ✓✓✓ <3
51. Fazer uma lista de resoluções de ano novo para o trabalho ✓
52. Fazer uma lista de resoluções de ano novo para a escola ✓
53. Aprender a desenhar árvores e pássaros com lápis [blushing]
54. Aprender a pintar árvores e pássaros com aguarela [blushing]
55. Respirar fundo ✓
56. Ir mais vezes à Nazaré nem sei bem... :)
57. Dar mais e mais abraços ✓✓✓
58. Rir ✓
59. Tricotar uma manta ou, pelo menos, fazer uma manta com camisolas velhas :P
60. Fazer presentes ✓✓✓
61. Visitar a avó Palmira mais vezes, mais vezes, mais vezes ✓
62. Ser mais compreensiva, parar e ser mais compreensiva ✓ (digo eu... :P)
63. Acudir, estar com os amores nas aflições ✓
64. Dizer aos amigos, para que saibam, para que tenham certeza, assim mesmo, dizer aos amigos que são da minha família ✓
65. Fazer bem as contas para o inevitável neste ano: comprar um carro(?) (snif-snif) ✓ love you, little jazz!
66. Preparar-me para o Verão, para que não surja de rompante como sem avisar ✓
67. E dançar mais ✓
68. Ter certeza de que ele saiba sempre que é muito amado ✓
69. Sim. :)
70. Continuar a manutenção da casa, sempre assim a espaços e com tempo ✓ our lady of eternal maintenance :P
71. Arranjar um/a irmã/o para o manjerico… falemos doutro assunto...
72. Encaminhar e seguir encaminhamentos ✓
73. Dormir nas férias digamos que, em 2011, as férias não tiveram tanto sono como em 2010, e ainda bem \o/
74. Não me esquecer recorrentemente de marcar as minhas consultas… ✓
75. Preparar e deixar ficar todos os memoriais de que preciso para sobreviver ✓ :)
76. Respeitar os meus rituais ✓ :)
77. Ser menos totó quanto as intenções alheias (pois que das minhas intenções sei eu) :D
78. Ser espirituosa, aprender mais com o meu pai, a minha mana e o meu amor, e também com o pequeno amor ✓
79. Saber mais, conhecer mais coisas sobre o mundo, a natureza, os bichos ✓
80. Seguir os meus instintos ✓
81. Continuar a casar-me todos os dias ✓✓✓
82. Rir hoje, não deixar para amanhã ✓
83. Criar ✓
84. Aprender a escrever dentro do novo acordo ortográfico oops!
85. Aprender a distinguir melhor do que devo e/ou não devo desistir erm, num sei dizer...
86. Ser mais persistente, contra o medo ser mais persistente ✓
87. Retomar o mealheiro interrompido LOL!
88. Mais e mais, aprender e ensinar com os sobrinhos e ademais petizes da minha vida ✓
89. Pedir desculpas ✓
90. Aprender e/ou aperfeiçoar outra(s) línguas oui oui!
91. Rir ✓
92. Ser ambiciosa, independentemente do alvo da ambição, ser ambiciosa ✓ por acaso... :)
93. Construir a minha árvore, com raízes ✓
94. Comprar umas running-shoes! ✓
95. Passar mais dias na Zambujeira ✓
96. Banhar-me mais no mar e no sol ✓✓✓ foi tão bom! :D
97. Rezar. Usar as minhas orações. ✓
98. Não dar esta lista por encerrada ✓
99. Não stressar por não cumprir esta lista ✓
100. Amar acreditando. ✓
A cabana de Thoreau
Por Luís Januário, publicado em 21 Dez 2011 - IONLINE
A calamidade que nos atingiu não é nenhuma doença infecciosa, embora se espalhe como uma praga. É efeito do sistema económico que os seres humanos construíram.
O Rui licenciou-se em Filosofia e cinco anos depois obteve o grau de mestre em Filosofia Contemporânea. Há mais de 15 anos que é professor profissionalizado no ensino secundário e, depois de um doutoramento em Semiótica Social, numa universidade, foi formador de professores e de outros profissionais, editor de mais de 300 livros, co-autor de manuais escolares premiados. Publicou vários ensaios filosóficos e contos de literatura infantil. Foi investigador de um centro universitário e bolseiro da FCT. “Hoje”, escreveram-me, “o Rui foi dispensado. As novas regras exigem cortes de pessoal. Os alunos fizeram um abaixo-assinado – mesmo os que não tiveram boas notas – a dizer que ele é um excelente professor.”
Médico
Escreve quinzenalmente à quarta-feira
A calamidade que nos atingiu não é nenhuma doença infecciosa, embora se espalhe como uma praga. É efeito do sistema económico que os seres humanos construíram.
A Rita é psicóloga. Fez alguns estágios não remunerados e depois assinou um contrato com uma empresa farmacêutica. É competente, discreta, elegante e escrupulosa no cumprimento dos seus deveres, como diria a informação curricular de um patrão justo. Há um mês ganhou um prémio por ter ultrapassado as metas de produção. A semana passada foi chamada de urgência à direção. “A alteração das condições de mercado em Portugal” exigia o despedimento de alguns trabalhadores. Como ela.
Como chegámos aqui? Da mesma forma que se pergunta quando nos informam de uma doença grave. Como se deixou chegar àquele estado? Há quanto tempo sangrava? Ninguém lhe palpava as mamas? Não se assustou com a tosse?
A calamidade que nos atingiu não é nenhuma doença infecciosa, embora se espalhe como uma praga. Não é um terramoto, nem um maremoto, a queda de um meteoro, o aquecimento brusco. É um efeito do sistema económico que os seres humanos construíram, embora o seu controlo pareça fugir-lhes das mãos. A história das civilizações que soçobraram ensina que não lhes bastou diagnosticar o mal. Enquanto houver beneficiários continuarão a cortar as árvores para erguer manipansos, como fizeram os homens da ilha da Páscoa até ao último tronco. O combate à iniquidade do sistema económico exige serenidade, firmeza e solidariedade.
Firmeza para isolar os responsáveis. Os responsáveis são os que definem a estratégia económica suicida e os que a executam. País de criptofascistas há 50 anos, esta pátria tem o material desses anos de ditadura parola: os bufos, os medrosos, os amorfos e os executantes solícitos. Dos bufos não falarei. Espécie abjeta que segreda a ouvidos mais abjetos ainda. Os amorfos são os que pensam que a desgraça só acontece aos outros: aos judeus, aos pretos, aos comunistas e aos pecadores. E vestem-se de virtude, empoam a face para não serem confundidos com essa gente que, talvez, quem sabe, “mereça a sorte que tem”, 750 celas novas numa frase inspirada da “nova ministra da Justiça”. Os medrosos são dignos de piedade. Perdem sem ter lutado e são o trunfo maior da iniquidade. Mas os zelosos cumpridores de leis e disposições legais são a pior destas subpopulações, na nomenklatura do tardocapitalismo. São os decisores dos níveis intermédios, sem ideologia nem partido, os que não despedem mas comunicam os despedimentos, não cortam mas aplicam os cortes, não proíbem mas mandam proibir, não contratam nem renovam os contratos, não concordam e até talvez discordem das medidas que aplicam.
Serenidade, para dar à racionalidade económica do tardocapitalismo uma resposta que só pode ser de uma outra ordem e de uma outra dimensão. Essa ordem tem de ser poética e antiprogressista. Tem de recuperar formas de pensamento pré-imperiais, em que o objectivo não seja o crescimento mas a sustentação, em que toda a publicidade seja considerada enganosa, em que o crescimento das empresas seja limitado e os políticos tenham de estudar filosofia antes e não depois de disputarem as eleições. As profissões mais consideradas sejam as que, nas palavras de Misha Gromov, tentam revelar os quatro mistérios do mundo. Uma ordem em que o maior crime seja a destruição da natureza e a interdição de matar ou de manter em cativeiro se aplique aos seres humanos e aos outros animais.
Finalmente a solidariedade. Baseada no individualismo e num utopismo pós-histórico. Chamemos-lhe já um paratopismo pós-histórico, porque nos chamarão utópicos os que nos querem conformar com a miserável realidade que preparam e por isso melhor será que nos antecipemos na designação. A nossa paratopia considerará as utopias históricas perigosas e construirá respostas limitadas e de mínima dimensão.
Se as respostas globais falharam, é preciso deixar ao tardocapitalismo a ilusão global. Ocupar-nos-emos dessas infinitas mínimas coisas, sem ambição total, deixando os governos, a sua corte e os seus beneficiários a falarem sozinhos num terreno queimado e cada vez mais rarefeito. Seremos monges e monjas e se for caso disso mendicantes, mas sobreviveremos ou hão-de sobreviver os nossos livros, as nossas cabanas, como a cabana de Walden, onde Thoreau pensou a desobediência civil, a nossa música, as esculturas de madeira talhadas como as figuras de Baselitz, com gorros onde se lê ZERO e relógios nos punhos assinalando a hora quase final em que escrevemos estas crónicas.
Médico
Escreve quinzenalmente à quarta-feira
"but I like surprises" :) [da série mais uma cabeça que vai fazer (muita) falta]
“[All religions] make the same mistake. They all take the only real faculty we have that distinguishes us from other primates, and from other animals—the faculty of reason, and the willingness to take any risk that reason demands of us—and they replace that with the idea that faith is a virtue. If I could change just one thing, it would be to dissociate the idea of faith from virtue—now and for good—and to expose it for what it is: a servile weakness, a refuge in cowardice, and a willingness to follow, with credulity, people who are in the highest degree unscrupulous.”
"I am not even an atheist so much as I am an antitheist; I not only maintain that all religions are versions of the same untruth, but I hold that the influence of churches and the effect of religious belief is positively harmful. Reviewing the false claims of religion, I do not wish, as some sentimental materialists affect to wish, that they were true. I do not envy believers their faith. I am relieved to think that the whole story is a sinister fairy tale; life would be miserable if what the faithful affirmed was actually the case."
Christopher Eric Hitchens
discurso sobejamente conhecido, copiado da caixa de comentários do arrastão
+
um "comentário" que me fez sorrir:
«Se existe e se é um arquitecto, ou estava com uma alcolémia do caralho naquela semana (a única) em que trabalhou, ou é uma criatura depravada, provavelmente tocador de harpa e pirómano, que quis construir um Coliseum. Turek é o estereótipo do republicano americano, um bocadinho mais inteligente e menos ridículo que Sara Pahlin, mas igualmente agressivo. Faz-me lembrar o pessoal da seita que costumava bater-me à porta e que me queria vender uma Bíbia...a deles, aquela que salvava mais branco, incitando-me a entrar na arca...deles, porque isto vai tudo pó gallheiro em 2012 e só se vão salvar os eleitos, os puros, ou seja...eles. Estes servos de um senhor que fez um filho à mulher de um carpinteiro, através de uma estranhíssima delegação do direito de pernada, são escravos (como muito bem lhes chamou Hitchens) obcecados pela ideia da pureza, ideia que como sabemos é politicamente perigosa, e muito chata em patologia clínica porque leva as pessoas a lavar as mãos de 5 em 5 minutos, e a fazer rectoscopias uma vez por mês. Durante todo o debate, Turek usou o argumento da pureza de deus versus a impureza dos seres humanos, esses criados que nunca estiveram nem nunca virão a estar à altura do criador (…”the problem is not cristhianism; the problem are the cristhians"). Nada tenho contra o sentimento religioso. Acho que cada um fuma aquilo que quiser, e fala com os deuses ou deusas que entender e que o atenderem. Mas não vejo onde possa estar a contradição - que a pergunta que veio da plateia insinua - em ser ateu e estar interessado no estudo destas matérias.»
prometo ser uma boa menina
dica: além do Natal, aproxima-se o meu aniversário, tudo junto, é capaz de dar, winkwink e tal
pergunto mesmo: por alma de quem?! [das séries "oh, santa paciência" e "tanta bala perdida por aí"]
surripiado ao João Lisboa:
MAS DESDE QUANDO UMA MULTINACIONAL COMO
A VATICANO S.A. IMPÕE CONDIÇÕES A UM GOVERNO?
Igreja aceita mudar dois feriados se Governo fizer o mesmo
A VATICANO S.A. IMPÕE CONDIÇÕES A UM GOVERNO?
Igreja aceita mudar dois feriados se Governo fizer o mesmo
(cortesia de mr. apostate)
[Oriente] e [a lei do deix'andar]
Oriente
por Ana Cássia Rebelo
por Ana Cássia Rebelo
Corro durante horas, quando a noite cai, as mulheres chinesas chegam para jogar a sorte no casino, há um pintor num primeiro andar, pingam as telas no parapeito, faço a subida do hospital, uma, duas, três vezes, já não me canso, levo a boca fechada, levo o corpo fechado, cosido, cozido, cruzo-me com enfermeiras que terminam o turno, lembro a minha mãe de farda posta, tantas nervurinhas, os sapatos de calfe brancos que lhe moiam os pés, o chapéu engomado sobre o cabelo penteado, o filho que lhe morreu e que todos esquecemos, ficou ela, sozinha, com essa lembrança. Subo as escadas do pavilhão em passo rápido, está o parque deserto, tanta melancolia e solidão na noite de Lisboa. Como é bonita a tristeza. Corro para cansar o corpo, para o adormecer.
~ ~ ~
a lei do deix'andarpor Catarina
É preciso, digo eu, que uma pessoa se habitue a que isto seja assim, a que isto seja a paz, e que a paz seja afinal algo de muito diferente do que se previra. Que a paz não é um estado de graça prolongado, não senhor, mas antes uma dignidade perante toda a emoção, ou falta dela. Quero dizer: a paz de andar feliz por Lisboa, contemplativa, debaixo do milagre; e a paz de andar triste por Lisboa, sem texto, debaixo de milagre outro.
De uma forma mais prática: a paz da tensão pré-menstrual, a paz do mau humor depois da sesta curta, a paz dos transportes públicos sempre muito cheios, a paz das ruas sempre muito sujas. A paz do que não é certo, do que não corre bem, ou do que simplesmente nem chega a correr, a paz do que falha, do que se tenta, e do que não se tenta. A paz do que se conhece e do que está por conhecer.
É por aqui que ando, agora. Às vezes não interessa mudar, interessa aceitar. E aceitando, é deixar andar. Não me julgues.
in A Trama
oh... ding! dong! I didn't go to listen to your song! ding! dong! I'm a silly fan
«O concerto de Bonnie ‘Prince’ Billy, o segundo que vi dele, baseou-se excessivamente no repertório mais country, digamos, em geral as canções de que menos gosto e das quais menos me lembro. E também devem ter sido tocados vários temas de Wolfroy Goes to Town (2011), que ainda não ouvi, mas de que fixei uma canção fantástica, «New Whaling». No palco, Bonnie ‘Prince’ é uma mistura de mimo, pregador e boneco articulado, bigode redneck, uma certa rigidez acompanhada de caretas, braços esticados, pernas a balançar e um tique qualquer com as calças e os bolsos. Pouco comunicativo mas não antipático, foi mais formal do que no outro espectáculo que vi, em que estava com um acompanhamento mínimo, e se mostrou mais festivo e mais negro. As canções têm uma estrutura bizarra, com quase «recitativos» e aparentes devaneios, mas a banda (guitarra, contrabaixo, bateria, piano, backing vocals) portou-se à altura. Tivemos direito à grande canção moderna sobre a amizade, a comovente «I See a Darkness». E a «Another Day Full of Dread», esse apocalipse feliz: «and I say: nip! nap! it’s all a trap /bo! bis! and so was this / whoa! whoa! to haiti go, /and watch it all come down / ding! dong! a silly song / sure do say something’s wrong / smile awhile, forget the bile / and watch it all come down».» Pedro Mexia n'a lei seca
"Não sinto que tenha de pedir desculpa aos portugueses"
«A propósito da primeira página do Expresso de hoje, não posso deixar de explicar ao sr. primeiro-ministro:
Eu trabalho. Trabalho muito. Nem sempre com vontade, mas trabalho. Muito.
Eu não tenho outro remédio senão pagar os meus impostos, porque tenho o privilégio de trabalhar por conta de outrem. Sou paga com dinheiro do orçamento geral do estado. Mas não me sinto em dívida.
Eu pago as taxas e as contribuições. As que, mais uma vez, não tenho outro remédio senão pagar. Mas as outras também. A tempo. E não estrebucho.
Eu consumo. Faço mexer a economia.
Eu, sem contar com o corte no próximo subsídio de natal e sem pensar no que mais gasto quando consumo, ganho menos 150€ que no ano passado. Desde Janeiro. É só fazer as contas.
Eu gerei um nadinha menos que o 1,3 filhos da média portuguesa, portanto estou apenas ligeiramente abaixo da média.
Eu voto. Sempre. Mesmo quando dói.
Eu não votei, nem nunca votaria em si ou em pessoas que pensam a sociedade como o senhor pensa.
Eu já vai para uns 30 anos que não acredito que, se nos sentarmos sempre na cadeira em frente ao professor, apagarmos sempre o quadro e levarmos o livro dos sumários para a sala dos professores, passamos de ano de certezinha.
Portanto, não que me tivesse ocorrido a necessidade, mas, já que fala nisso, a mim sim, tem de pedir desculpa.»
por menina alice
tanta bala perdida por aí
“Um Orçamento do Estado é muito mais do que um simples exercício de contabilidade”
olha a menina (n)da rádio!
Lembram-se deste convite para este evento?
Pois é...
Agora, o mestre-sala do programa "Quem és tu, Laura Santos?" convidou-me para o grandioso encerramento e eu, enfim, lisonjeada... aceitei o convite :)Poderão ouvir-nos no próximo Domingo, entre as 22 e as 23h:
- através da telefonia em 107.9
- online
- posteriormente através de podcast (para quem desejar, está aqui o arquivo).
'bora marcar nas agendas um serão a ouvir dois especialistas em sapiência Laura Santos? 'BORA!
Revista MODO DE USAR & CO
A revista Modo de Usar & Co manifesta-se de duas maneiras: como revista impressa (Livraria Berinjela, Rio de Janeiro), dedica-se à poesia-escrita. Como revista eletrónica (blog), dedica-se à poesia sonora e visual, em vídeo, e também escrita. Editada por Angélica Freitas, Fabiano Calixto, Marília Garcia e Ricardo Domeneck.
revistamododeusar@gmail.com
A questão que se coloca é:
após 1 ano de existência, ainda não conhecem o BUALA?!
(tsc tsc tsc)
eis um exemplo/motivo delicioso para se ler o BUALA:
How to Write About Africa*
* deixo link para o inglês pois a versão portuguesa ficou empobrecida
Certeza
por Ana Cássia Rebelo
Ana de Amsterdam
«Não é que não goste de Portugal, mas nem a luz de Lisboa me encanta, nem a Amália me emociona, não gosto de pastéis de Belém, nem de desfiada de bacalhau, irritam-me os corações de filigrana e as santinhas flourescentes que se vendem nas lojas da Catarina Portas. Sinto desprendimento na despedida e indiferença no regresso. Gostar a sério, no sentido de pertença, de precisar de um lugar e das pessoas que nele habitam, gosto daquele bocadinho de país que vai de Santiago do Cacém até Sines e, na cidade, daquele outro pedaço de terra que se levanta em desordem e feiura e se estende pela Portela de Sacavém, Olivais e Moscavide. Lá diz o cantor: sou do mundo e sou da cama dos meus pais. Não fora o fardo do amor, educar, alimentar, promover o saudável convívio com a família materna e paterna, e teria fugido para o outro lado do mundo. Ia cuidar dos arrozais de Maina, beber kingfishers pelo crepúsculo, sentir no corpo a luz que atravessa as janelas de carepa, escutar o Rafael falar no alpendre da sua casa, no meio das jaqueiras com bócio.
Mas, mesmo não muito gostando muito de Portugal, mesmo não sentido cá dentro o amor pela pátria, me incomoda a quantidade de pontapés e murraças que se têm dado a este país. Cansa tanta irresponsabilidade, tanta pouca-vergonha. Olhando para trás, para o passado recente, é inevitável perguntar: foi preciso chegar a este ponto para tomar as decisões que há muito precisavam de ser tomadas? Durante todos estes anos, com sucessivos governos, ninguém notou que o país se afundava? Muita gente viu, muita gente soube, ninguém esteve para se chatear. Um - assim se demonstra o disparate da sua governação - criou um ministério para a igualdade cuja essencialidade se provou com a extinção assim que a titular da pasta se cansou da luta; outro, tão cobardolas, preferiu fugir para a comissão europeia, pondo a vaidade pessoal à frente do compromisso com os eleitores; o seguinte, valha-nos deus, não teve tempo para mostrar a sua incompetência; o último foi um caso patológico de megalomania e mitomania. Assim vamos andando.
Porém, pior do que as dúvidas em relação ao passado são as certezas em relação ao futuro. No meio de tudo isto, confusão, angústia, da revolta que tarda em chegar, chega-nos a certeza de que, assim que existir uma folgazinha, assim que sobrarem meia dúzia de tostões para gastar, assim que se deixar de sentir o controlo de quem nos empresta dinheiro, voltará tudo ao mesmo. Ainda muitas rotundas se hão-de construir em Portugal.»
Mas, mesmo não muito gostando muito de Portugal, mesmo não sentido cá dentro o amor pela pátria, me incomoda a quantidade de pontapés e murraças que se têm dado a este país. Cansa tanta irresponsabilidade, tanta pouca-vergonha. Olhando para trás, para o passado recente, é inevitável perguntar: foi preciso chegar a este ponto para tomar as decisões que há muito precisavam de ser tomadas? Durante todos estes anos, com sucessivos governos, ninguém notou que o país se afundava? Muita gente viu, muita gente soube, ninguém esteve para se chatear. Um - assim se demonstra o disparate da sua governação - criou um ministério para a igualdade cuja essencialidade se provou com a extinção assim que a titular da pasta se cansou da luta; outro, tão cobardolas, preferiu fugir para a comissão europeia, pondo a vaidade pessoal à frente do compromisso com os eleitores; o seguinte, valha-nos deus, não teve tempo para mostrar a sua incompetência; o último foi um caso patológico de megalomania e mitomania. Assim vamos andando.
Porém, pior do que as dúvidas em relação ao passado são as certezas em relação ao futuro. No meio de tudo isto, confusão, angústia, da revolta que tarda em chegar, chega-nos a certeza de que, assim que existir uma folgazinha, assim que sobrarem meia dúzia de tostões para gastar, assim que se deixar de sentir o controlo de quem nos empresta dinheiro, voltará tudo ao mesmo. Ainda muitas rotundas se hão-de construir em Portugal.»
Ana de Amsterdam
«o monstro»
texto surripiado à Catarina d'A Trama
por Catarina
Habituei-me a escrever sobre mim. Nunca menti, mas ficcionei, sempre. Agora que dei de caras com aquilo que sou fiquei sem nada para dizer. A realidade é sempre mais pobrezinha, menos interessante que a ficção. Curiosamente, foi a ausência de mim naquilo que me fazia ser eu que me fez chegar a mim. Ou a outra possibilidade de um mim que, nos últimos anos, se vinha a esgotar, depressa. No Lobo da Estepe fala-se disto, de alguma forma, nestes eus que cada um contém, da impossibilidade de se chegar a uma forma final, uma resposta definitiva. E eu sempre vivi nessa busca de uma qualquer unidade que, tchanam, não existe. Não sabia, pronto, não sabia. Estava mesmo convencida de que, através da leitura, do conhecimento, do diálogo e da reflexão, poderia um dia fechar o círculo e dizer: é assim que as coisas são. Ou: é assim que eu sou. Afinal, a leitura traz esclarecimento, mas não traz unidade. O conhecimento ajuda a que a leitura possa ter consequências mais profundas mas não garante grandes mudanças naquilo a que, numa distinção curiosa, chamamos de vida. O diálogo, no meu caso particular, nunca trouxe grande coisa - já que quase sempre significou confronto ou, pelo contrário, consolo, uma coisa mais pequenina, mais primária, da chapada ao beijo na boca. E a reflexão? Mas quem é que não reflecte? E depois?
Já tentei escrever sobre outras coisas. Já tentei poemas, romances, contos. Já tentei escrever sobre mim fingindo que não estava a escrever sobre mim. Já tentei escrever sobre outros e acabei por descobrir que continuava a escrever sobre mim. Também já tentei não escrever. Este texto é justamente essa última tentativa, a de não escrever.
Já fui mais livre do que neste Domingo que agora, com que alívio, vai fechando as portas. Fui mais livre enquanto lia o Séneca e via o meu filho descer o escorrega, fui mais livre quando me pus a acreditar em Deus e Lhe pedi, como a Etty, que me ajudasse a ajudá-Lo. De tempos a tempos preciso de apertar os ombros, de apalpar as pernas, certificar-me que ainda está tudo aqui, como o deixei. Evito olhar-me ao espelho - porque nunca fui tão feia como hoje. Há um conforto imenso na falta de beleza, no desmazelo, nos óculos demasiado grandes, no cabelo demasiado curto. Mas não se pode olhar muitas vezes. Eu sei, eu sei que nunca fui tão feia como hoje, e sirvo-me disso para me chegar aos outros, um bocadinho mais leve de mim, mais ausente. A vida toda foi este exercício hercúleo de me fazer bela para o outro, um outro do tamanho do mundo, que deveria justificar a minha existência. Deu-me sempre tanto trabalho, o exercício de uma beleza tosca, insegura, assente na mentira da minha força. Porque eu sou, dizem, uma pessoa forte. Reparem, o mais engraçado é que, por mais luz, ou por maiores trevas em que esteja, caio facilmente nesse velho vício de me mostrar especial. Aconteceu há pouco tempo, lembro-me, que um estranho acabou a falar-me de mim, conhecendo-me. Era eu, distraída, a mostrar o que não tenho, o que nunca tive, o que se desmontou sempre à menor das convivências.
É isto que espero, afinal: ser amada pelo que não tenho, pelo que não sou. E de dia para dia é só no amor, no amor pela beleza que me falta, que deposito alguma esperança. Quero dizer: apago-me para que, com sorte, e alguma atenção, me possam ver.
por Catarina
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