sandra aka margarete ~ acknowledgeyourself@gmail.com
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aproximações [ faltam pétalas aos meus textos ]

luz e aroma na aproximação à terra/ distância// distância// oh, poesias a dar ares/ e rudimentos de ermo/ assertividades/ ecos/ ocos/ loucos// cinza, muita cinza/ erudição e muito frio/ seco, frio seco

trio: assobio do melro/ cameleira/ luz

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filhas do frio, Seia 2008

bom-dia.
bom-dia! :)

para o início do fim-de-semana:

2 poemas de Eugénio, 1 canção de Sérgio e uma fotografia da noite num dos meus lugares


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noite, Nazaré 2006

Era setembro
ou outro mês qualquer
propício a pequenas crueldades:
a sombra aperta os seus anéis.
Que queres tu ainda?
O sopro das dunas sobre a boca?
A luz quase despida?
Fazer do corpo todo
um lugar desviado do inverno?


* * *

Não oiças essas vozes que não param
de crescer a caminho do inverno,
os lugares onde o corpo de erro
em erro abdica de ser corpo
são mortais, não oiças essas vozes
onde o sol apodrece, nunca mais.



in O Peso da Sombra de Eugénio de Andrade
Obra de Eugénio de Andrade/16, Ed. Limiar, 1989




bom fim-de-semana...

[ na entrada do quarto encontro troncos de árvores ]

Photobucket magnólia, Porto 2007
na entrada do quarto encontro troncos de árvores que
como vasos sanguíneos atravessam o chão que me ampara
e o tecto que me cobre enquanto afasto do meu olhar folhagens imaginárias.
quando chegar o último sono de inverno
por entre as sombras da mata e o voo dos corvos
quero sentir os teus joelhos dobrarem as minhas pernas
enquanto me abraças os ombros a partir dos cotovelos desarmados
inclinar o rosto sobre o teu peito e sentir as tuas mãos recolherem
da minha face a caligrafia dos terrores diurnos

e sentir na pele a luz a terra húmida e perfumada.


Cláudia Santos Silva aka blue

vonsia

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canino desconhecido, Seia 2008

* bom-dia, segundo Mafalda do Quino

Winter time

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Seia, 2008

A larangeira ao pé da nora já me conhecia - punha-se a fingir que era o vento que a fazia mexer.

in A Viagem ou O que não se pode prevêr
A invenção do dia claro de José de Almada-Negreiros
Colares Editora, 1993

amanhã

chez manjerico haverá orações felinas por uma certa amiguinha

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felino desconhecido, Seia, 2008

livros

Tenho-me encontrado comigo a espaços. Os últimos meses voaram, e eu com eles. Regresso por instantes, mas logo me agito por outras águas. Não cometerei a heresia de dizer que não tenho tido tempo para mim, mas a minha cabeça… não a tenho conseguido agarrar. Vá, não começarei com uma via-sacra de lamentações sobre tempo para ter tempo. O Carlos e o Hugo, chamaram-me à cabine de leitura e eu não me esqueci, aqui estou para juntar dois posts num, sobre leituras…

#1 Lidos - Costumo ter vários livros na mesinha de cabeceira, ultimamente não, tenho uma lista-de-espera de fotocópias espalhadas pela casa e pelo carro. Ando às voltas com o Al Berto, e tenho dado umas rapidinhas com o James Joyce - Retrato do Artista Quando Jovem. Não posso penar sobre o passado recente de parcas-leituras-pelo-puro-prazer, o que (me) interessa é que se avizinham as férias (está quase! está quase!), para o que já tenho The Dying Animal do Roth e 1984 de Orwell, conto também levar comigo a Maria Velho da Costa, o Vila-Matas, o Herberto Hélder e mais Al Berto.

#2 blogs-que-gostarias-de-ver-em-livro, porque tem que ver com as leituras, vou pegar nesta corrente e desabafar para aqui as minhas fantasias bloguísticas. Um blog é um blog é um blog, mas, sim, há alguns que gostaria de ver em livro (ou pelo menos partes) e são eles:
Sob(re) a Pálpebra da Página, pela beleza não só da escrita de que gosto muito, mas todo o arranjo com as imagens e porque aprendo sempre alguma coisa neste blog, só faria sentido (t)lê-lo em livro.
Gostaria de ter um livro das ilustrações da Cláudia e uma edição impressa das fotografias da Sandra.
Um dia sei que terei um livro da poesia da Maria e um livro da poesia do , e um de contos do Paulo. Bem, do António, já podemos ter livros, mas este diário propriamente dito também não ficava nada mal em livro.
Ter sempre estas personagens todas à mão também era muito bem pensado.
Outro blog que eu queria muito ter em livro era o ser mutante porque o safado do Carlos anda sempre numa de apaga e refaz (quer dizer, já nem lhe toca há não-sei-quantos-meses... ), assim eu tinha o livro guardadinho em casa e ele não podia apagá-lo
Pronto, porque acho que o conteúdo de qualquer destes blogs estaria à altura do papel e também pela possibilidade de um dia deixar de ter acesso a estes mesmos blogs (e a muitos outros), gostaria de os ter em livro... com direito a autógrafo, claro!

meu querido sono

Hoje é Dia Mundial do Sono.
Vivi mais de 3 anos com alterações de sono, estando há cerca de 1 ano reconciliada com o mesmo... celebro o sono todos os dias!
Viva o meu sono!

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27.


Apetecia-me escrever que a escrever
estas vezes consigo chegar e arrancá-las
palavras dentro como minha carne sem
sangrar apetecia-me pari-las agora com
sem dor fazer minhas filhas a expressão
de me sentir eu há tanto tempo saudade.

22.

luz



Boicoto o cigarro.
Acendo o isqueiro pela terceira vez, enveredando por uma inalação profunda.
São os sinais deste tempo.
Desprezo a jorros esta característica de fala encapuçada.
Sabes, como nos sonhos.
Porque não ser a claridade de pensamento?
Fatigo a passos o meu ser com a ignomínia com que desafio a minha cognição.
É este um dos ócios que me assola enquanto estou pardacenta.

[ viagem pela harmonia ]

Lembras-te, no outro dia?
Fizeste-me correr à casa de banho, “Rápido! A ver se ainda consegues ver o brilho dos olhos a inundar a pele do rosto!”. Fiz movimento para me deslocar, mas encurtei as pernas, e com elas cada passada, pois percebi que falavas de um brilho efémero. Boicotei a tua alucinação.


(convicta de que é baça, esta personagem magoou a outra consciente e deliberadamente; o seu mote é um rigor que vacila quando vê luzes)

Antes de chegar à porta da casa de banho, dirigi-nos para a rua. Caminhámos sem destino decidido. Ao passar à estação não foi necessário verbalizar opções, levámo-nos em sincronia à bilheteira e comprámos 2 passagens de ida até à localidade com mar mais próxima. Que sorte!, dissemos [faltavam 3 minutos para a partida (cada bilhete a 1,73 €)].
Regressámos. Anoitecera e olhámos os nossos reflexos no vidro da carruagem.

(ambas personagens confirmaram a cumplicidade dos indivíduos nos reflexos; assim sendo, nenhuma personagem foi magoada e houve compreensão da efemeridade do esplendor)
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[ promessa doutro outono ]

Voluntária a alagar a lista de verbos da antologia, é outro Outono que acompanho comigo. Escolto algumas quedas secas e fecho a vista à laia de confiança ao aproximar-se o final de dia. Deixo o resto livre e apalavro a noite.



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[ leito aberto (descoberto) (e a resguarda) ]


Neste repente
uma força ligeiramente



não conto a somar
os meus dedos, porém,
sei são já de menos

e

embora na carne deste peito
haja pouco tempo
________________de pousios sarados
são de menos
os meus dedos
a contar gratidões

como a que geme esta cumplicidade
agora.

[ o narrador com fé ]

Enfim escreves uma coisa. Terás visto tantas antes do acto, não imediatamente antes, entenda-se, mas ficas depois de outras. As tuas ideias estão com a memória, não com a memória imediata, entendes. As palavras surgem assim assim. Percebes, então.
Tudo ou nada e repetes "tudo ou nada." à medida que voltas a vestir o casaco para ir exteriorizar o teu corpo.

Esta personagem a quem se dirige o narrador, lá vai expor o físico. Não leva material convencional para rascunhos, também não vai com nudez.

Voltará com palavras que não enjeita.
Esta é a esperança do narrador.